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Sangria desatada
Flora Fernweh

O tempo cicatrizou a ferida
Que em meu pulso latejava
No coração, origem da aljava
Minh'alma estancou dolorida

Mas a cura é longe e foi esquecida
Revolvo o sangue quente em lava
Prefiro sentir o mistério na pele alva
Escorrendo o sumo da despedida

Em delírio pelo o que me rasga e corta
Busco a vida na morte em desvario
Sigo a sina da urgência de quem aborta

Doce é a lâmina que me causa arrepio
Ante o agito que o sentimento comporta
Ao prever que dentro de mim há um rio


Biografia:
Sobre minha pessoa, pouco sei, mas posso dizer que sou aquela que na vida anda só, que faz da escrita sua amante, que desvenda as veredas mais profundas do deserto que nela existe, que transborda suas paixões do modo mais feroz, que nunca está em lugar algum, mas que jamais deixará de ser um mistério a ser desvendado pelas ventanias. 
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