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Autonomia na Educação Infantil
A independência, responsabilidade e participação da criança na aprendizagem.
Valdeires Silva Neris Paradela

Resumo:
O presente artigo analisa o desenvolvimento da autonomia na Educação Infantil por meio de práticas pedagógicas, destacando sua importância para a formação integral da criança. A autonomia constitui uma competência essencial para o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e moral, sendo construída gradativamente por meio das interações, das experiências cotidianas e das oportunidades oferecidas pela escola e pela família. Fundamentado em autores como Piaget, Vygotsky, Montessori e Freire, além de documentos legais como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o estudo evidencia que práticas pedagógicas planejadas favorecem a participação ativa da criança, o desenvolvimento da responsabilidade e a construção da independência. Conclui-se que promover a autonomia na Educação Infantil significa formar sujeitos críticos, confiantes e capazes de atuar de forma participativa na sociedade.

A autonomia como elemento fundamental do desenvolvimento infantil.

A autonomia começa a ser construída desde os primeiros anos de vida por meio das relações estabelecidas entre a criança, a família, a escola e o ambiente em que vive.

Segundo Piaget (1994), a autonomia desenvolve-se quando a criança deixa de agir apenas por imposição dos adultos e passa a compreender as razões das regras, construindo sua capacidade de tomar decisões com responsabilidade.
Vygotsky (1998) afirma que o desenvolvimento ocorre por meio das interações sociais. Assim, quanto mais oportunidades a criança possui para participar, experimentar e resolver situações do cotidiano, maiores são suas possibilidades de desenvolver autonomia.
Maria Montessori (1965) também destaca que a criança possui capacidade natural para aprender de forma independente quando inserida em ambientes preparados, organizados e ricos em oportunidades de exploração.
Dessa forma, autonomia não significa ausência da orientação do adulto, mas sim um processo gradual de construção da independência com apoio, diálogo e mediação.
O papel das práticas pedagógicas no desenvolvimento da autonomia

As práticas pedagógicas desempenham papel decisivo na construção da autonomia infantil.
Quando o professor organiza situações que incentivam escolhas, participação e resolução de problemas, possibilita que a criança desenvolva segurança para agir de maneira independente.

Entre essas práticas destacam-se:

* organização da rotina com participação das crianças;
* escolha de materiais e atividades;
* realização de pequenos cuidados pessoais;
* incentivo à resolução de conflitos por meio do diálogo;
* atividades em grupo que favoreçam a cooperação;
* projetos investigativos;
* brincadeiras que estimulem a tomada de decisões.

Segundo Freire (1996), ensinar exige respeito à autonomia dos educandos. O professor deve atuar como mediador do conhecimento, criando oportunidades para que a criança participe ativamente da construção de sua aprendizagem.
A BNCC também orienta que as experiências da Educação Infantil promovam protagonismo infantil, garantindo espaços para exploração, investigação, expressão e participação.
Crianças autônomas demonstram maior interesse pelas atividades propostas, tornam-se mais participativas e desenvolvem atitudes de colaboração e respeito às diferenças.
Outro aspecto relevante refere-se ao desenvolvimento da autorregulação, permitindo que a criança aprenda a lidar com emoções, esperar sua vez, cumprir combinados e tomar decisões de forma consciente.
O desenvolvimento da autonomia constitui um dos principais objetivos da Educação Infantil, pois contribui para a formação de crianças confiantes, responsáveis, críticas e participativas.
As contribuições de Piaget, Vygotsky, Montessori e Freire demonstram que a autonomia é construída gradativamente por meio das experiências, das interações sociais e das práticas pedagógicas que valorizam a participação ativa da criança.
Embora ainda existam desafios relacionados às práticas escolares e à participação da família, observa-se que documentos como a BNCC reforçam a importância do protagonismo infantil e da construção da autonomia desde os primeiros anos de vida.
Dessa forma, investir em práticas pedagógicas que promovam escolhas, responsabilidades, diálogo e participação significa contribuir para uma Educação Infantil mais humanizada, democrática e comprometida com o desenvolvimento integral da criança.

Referências


BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

MONTESSORI, Maria. A criança. Rio de Janeiro: Nórdica, 1965.

PIAGET, Jean. O juízo moral na criança. São Paulo: Summus, 1994.

VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.



Biografia:
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Outros títulos do mesmo autor

Monografias Autonomia na Educação Infantil Valdeires Silva Neris Paradela
Monografias Relevância da creche Valdeires Silva Neris Paradela


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