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Texto selecionado
| CAPITU |
| Marilia Betarello Ramalho |
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Parece que foi ontem que estava derrotada
Achando que eu era a cigana oblíqua e dissimulada
Todos diziam que eu era a vilã da história
Ficção que não consigo apagar da memória
Lembro até hoje do quanto eu sofri
E de quantas ofensas eu li
E não foi no nosso relacionamento
No “Infelizes para sempre” veio o sofrimento
Versões de mim que nunca existiram
E o pior é que nunca desmentiram
Mais uma vez eu encontrei na cachaça
E acordava todos os dias com meus olhos de ressaca
O mar que estava agitado
Hoje em dia está mais calmo
Aprendi a nadar contra as marés altas
Um marinheiro já não me faz falta
Não foi por falta de amor que nós dois não existimos mais
Foi amor de mais, mas agora também, tanto faz
A mulher vai ser jogada do penhasco e levar a culpa
E depois nem sequer ouvir um pedido de desculpa
De desculpa...
Traiu ou não traiu?
Será que alguém me ouviu?
Capitú inocentada depois do tempo
Parecia ser eterno esse sofrimento
Traiu ou não traiu?
Como afirmar se ninguém viu?
Deixe as mentiras serem contadas
Saia de bonzinho e eu de malvada
“Traiu ou não traiu?”
Porque você fugiu?
Como é que eu estou?
Ninguém me perguntou
É o fardo que a mulher carrega
Sempre errada mesmo quando nega
Eu, Capitú e até a Eva,
E o homem nada leva
A sina de todas as mulheres dos livros
Minha vida é uma obra aberta sem filtros
Em todos os vinte e oito capítulos sigo cantando
Escrevendo minhas páginas em branco
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Publicações de número 1 até 2 de um total de 2.
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