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O tempo é um rio que não cansa de correr,
Desenhando mapas na palma da mão,
Entre o que fomos e o que ousamos ser,
Na batida sincronia de um só coração.
Vi o sol se deitar em berço de ouro,
Enquanto a lua bordava o manto da noite,
Guardei no silêncio o maior tesouro:
A paz que floresce após o açoite.
Não sou apenas carne, osso e pó,
Sou o eco de vozes que o vento soprou,
Um nó que se desata, mas nunca está só,
A chama que brilha onde o medo parou.
E se o mundo for pequeno para o caminhar,
Pintarei o céu com as cores do chão,
Pois a maior viagem não é atravessar o mar,
É encontrar a morada na própria imensidão.
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