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Escondidinho de camarão
Cláudio Thomás Bornstein


Estava eu em Ipanema quando a fome apertou. Escolhi um restaurante natureba, não que eu seja fanático, mas lá costuma-se encontrar comida leve e saudável e o dia estava quente e abafado. Um cartaz na entrada dizia que a casa não servia carne vermelha.

Entrei, escolhi a mesa e sentei. Olhei em volta. Menininhos e menininhas, cabelos arranjados com uma displicência estudada, óculos escuros, pele morena, bem tratada e perfumada. Todo mundo parecia recém saído do banho. No pé, sandália havaiana, atestando informalidade. “Ih, entrei numa furada” foi o que eu pensei, mas olhei a coluna da direita do cardápio, e como o preço era razoável, resolvi ficar.

Pedi um escondidinho de camarão que não demorou a vir. Só que de camarão não havia nem o cheiro. Cavouquei no meio, procurei no fundo e nada do herói aparecer. No meio do molho havia uns pedaços de cor amarelada que mais pareciam abóbora. Chamei a garçonete: “Pedi escondidinho de camarão. Onde é que estão os camarões?”

Com ar muito entendido e procurando ressaltar a minha ignorância, ela respondeu: “É abóbora-camarão”.

“Ah, bem”, foi o que eu respondi. Não vou brigar, foi o que eu pensei. Faz mal à saúde, e não resolve nada. Terminei o escondidinho de abóbora na calma e na tranquilidade, pedi a sobremesa, mais um suco de laranja, o café e me levantei. Na saída cumprimentei gentilmente a garçonete e à guisa de despedida, botando a mão no chapéu, disse: “Meu nome é José. E já paguei, viu?” E saí sem pagar.


Biografia:
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