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O MARTELO E A BIGORNA
Saulo Piva Romero

ERA UMA VEZ UMA FERRARIA EM QUE VIVIA UM MARTELO QUE TINHA UMA CABEÇA ACHATADA DE AÇO QUE PESAVA APROXIMADAMENTE UNS NOVE QUILOS E ERA JUSTAMENTE DELA QUE VINHA SUA PODEROSA FORÇA, QUE UNIDA AO SEU COMPRIDO CORPO DE MADEIRA FAZIA COM QUE REALIZASSE MUITOS TRABALHOS PESADOS E UMA BIGORNA QUE TAMBÉM TINHA UMA CABEÇA DE AÇO EM FORMA DE CONE QUE DIFERENTEMENTE DO MARTELO TINHA O CORPO TAMBÉM DE AÇO EM FORMA QUADRANGULAR.
ELA PESAVA APROXIMADAMENTE UNS CINQUENTA QUILOS E ISSO A TORNAVA MUITO MAIS FORTE QUE O MARTELO QUE DEPENDIA DA SUA PARA DIMINUIR O ESFORÇO DO MARTELO QUANDO TOCA NA SUA CABEÇA NO METAL, POIS, ELA LHE DEVOLVIA PARTE DA ENERGIA DELE USADA NAS MARTELADAS, POR SER MUITO MAIS PODEROSA DO QUE ELE E ASSIM CONTRIBUÍA PARA QUE ELE SUAVIZASSE A SUA DOR DE CABEÇA.
O MARTELO E A BIGORNA SEMPRE FORAM DUAS CABEÇAS DURAS E UM ACHAVA QUE POSSUÍA MAIS FORÇA QUE O OUTRO, MAS, DENTRO DAQUELA FERRARIA, UM NÃO CONSEGUIA VIVER SEM O OUTRO JÁ QUE UM COMPLETAVA O OUTRO. ELES ERAM COMO UMA ENGRENAGEM DE UMA MÁQUINA EM QUE SE UMA DAS PEÇAS FALHASSEM FAZENDO COM QUE TODAS AS OUTRAS FICASSEM DESAJUSTADAS.
AS DUAS FERRAMENTAS TRABALHAVAM BASTANTE DURANTE O DIA E QUANDO A NOITE CHEGAVA, ELES ESTAVAM CANSADOS E COM MUITAS DORES DEVIDO AS MUITAS PANCADAS QUE LEVARAM NOS SEUS CORPOS RESISTENTES E FORTES.
QUANDO O FERREIRO FECHAVA AS PORTAS DA FERRARIA, O MARTELO E A BIGORNA FICAVAM ALIVIADOS, POIS TERIAM ALGUMAS HORAS PARA DESCANSAR E ACALMAR AS DOLORIDAS DORES DE CABEÇAS QUE TANTO INCOMODAVAM.
MAS, APESAR DE TODO SOFRIMENTO QUE PASSAVAM NO DECORRER DAS SUAS VIDAS, O MARTELO E A BIGORNA, QUE NA MAIORIA DOS DIAS VIVIAM ÁS TURRAS, TENTANDO PROVAR QUEM ERA O MAIS PODEROSO ENTRE DOIS E TAMBÉM DEPOIS DE SEREM CASTIGADOS COM AS SEGUIDAS PANCADAS DADAS PELO FERREIRO NOS SEUS CORPOS, ELES DAVAM UMA PAUSA NAS BRIGAS DIÁRIAS E SE DAVAM A OPORTUNIDADE DE UM CONHECER MELHOR O OUTRO TANTO QUE AS OUTRAS FERRAMENTAS VIVIAM COCHICHANDO QUE O MARTELO E A BIGORNA ESTAVAM APAIXONADOS, MAS, NÃO DAVAM O BRAÇO A TORCER.
O FOLE E A FORJA JÁ HAVIAM PERCEBIDO QUE O MARTELO CABEÇUDO E A BIGORNA DURONA ESTAVAM APAIXONADOS HAVIA MUITO TEMPO, POIS, ESTAVAM TÃO UNIDOS, ENTRELAÇADOS E TÃO AMÁVEIS UM COM O OUTRO NOS ÚLTIMOS DIAS.
ELES TINHAM A CERTEZA QUE O ANJINHO DO AMOR HAVIA FLECHADO OS CORAÇÕES APAIXONADOS DO MARTELO E DA BIGORNA E ESSA FLECHADA CERTEIRA FEZ COM QUE A AMIZADE DE LONGOS ANOS ENTRE ELES SE TORNASSE UM AMOR SINCERO E PURO.
DE TANTO VER QUE A FORJA E O FOLE NÃO PARAVAM MAIS DE COCHICHAR AO PÉ DO OUVIDO, O MARTELO E A BIGORNA SE APROXIMARAM DOS COMPANHEIROS FOFOQUEIROS E DISSERAM:
- VOCÊS ESTÃO COBERTOS DE RAZÃO. É ISSO MESMO QUE ESTÃO PENSANDO, NÓS NOS APAIXONAMOS.
ENTÃO, A FORJA E O FOLE NÃO ESCONDERAM A ALEGRIA EM VER QUE SEUS COMPANHEIROS DE TRABALHO PESADO NA FERRARIA ESTAVAM ENAMORADOS E OS ABRAÇARAM CARINHOSAMENTE.
ENTÃO, O MARTELO SE APROXIMANDO DA SUA AMADA BIGORNA FOI LOGO DIZENDO;
É O AMOR QUE DEIXOU A MINHA CABEÇA TÃO DURA COM O MIOLO MOLE.  EU SONHEI COM ESSE DIA TODAS AS NOITES DESDE QUE A CONHECI. VOCÊ É A CABEÇA DURA MAIS PESADA E FOFINHA QUE DA MINHA VIDA. VOCÊ JÁ ME DEIXOU COM DOR DE CABEÇA MUITAS VEZES QUE ATÉ JÁ PERDI A CONTA.
DEPOIS DESSA LINDA DECLARAÇÃO QUE O MARTELO TURRÃO FEZ PARA A BIGORNA, ELA MUITO EMOCIONADA E COM LAGRIMAS ROLANDO PELO ROSTO DISSE:
- O AMOR ME FLECHOU PARA SEMPRE, POIS, EU NÃO CONSIGO MAIS VIVER SEM VOCÊ, APESAR DE VOCÊ ME DEIXAR TODA ARRANHADA COM AS SUAS FORTES MARTELADAS, MAS TENHO QUE CONFESSAR QUE VOCÊ MEXEU COM A MINHA CABEÇA. VOCÊ É A CABEÇA MAIS DURA E ACHATADA MAIS CHARMOSA QUE JÁ CONHECI EM TODA A MINHA VIDA.
ENTÃO, NAQUELA MESMA NOITE O MARTELO E A BIGORNA RESOLVERAM CASAR E COM ISSO SE UNIRAM PARA SEMPRE.
PASSADOS ALGUNS MESES DO CASAMENTO DAS FERRAMENTAS CABEÇAS DURAS, O FERREIRO CHEGOU A FERRARIA E NOTOU QUE A FORÇA DO MARTELO ESTAVA MAIS SUAVE DO QUE DE COSTUME E O PESO DA BIGORNA HAVIA DIMINUÍDO SENSIVELMENTE E NOTOU QUE HAVIA DENTRO DAS PRATELEIRAS DA SUA FERRARIA  MUITOS MARTELINHOS E BIGORNETAS FAZENDO A MAIOR ALGAZARRA QUE ELE NUNCA HAVIA VISTO EM TODA A SUA VIDA.
O FERREIRO VIU ESSAS FERRAMENTINHAS  DANDO PANCADAS UMAS NAS OUTRAS FORMANDO UM BARULHO ENSURDECEDOR AO REDOR DA FERRARIA.
O FERREIRO NÃO SABIA DE ONDE SAÍRAM TANTOS MARTELINHOS E BIGORNETAS.
LOGO, O FERREIRO IMAGINOU QUE ESTIVESSE FICANDO LELÊ DA CUCA, MAS, O QUE IMPORTAVA PARA ELE NAQUELE MOMENTO ERA QUE O APARECIMENTO REPENTINO DE MUITOS MARTELINHOS E BIGORNETAS COM CERTEZA FARIA COM QUE AUMENTASSE A A PRODUÇÃO DE FERROS NA SUA FERRARIA.
 O MARTELO E A BIGORNA CONTINUARAM NA MAIS PERFEITA HARMONIA, POIS, OS DOIS ENTENDERAM QUE UM PRECISAVA DA AJUDA DO OUTRO, PARA CUMPRIREM SUAS TAREFAS SEM QUE HOUVESSE BRIGAS E DESENTENDIMENTOS.
O AMOR QUE UM SENTIA PELO OUTRO FEZ COM A SUA NOVA VIDA FICASSE MAIS LEVE DIMINUINDO O SEU PESO. O MARTELO E A BIGORNA DEIXARAM A VAIDADE DE LADO E ENTENDERAM QUE SÓ O AMOR TUDO TRANSFORMA E TUDO SUPORTA.
ELES CONTINUARAM TRABALHANDO UNIDOS SOB O COMANDO DO FERREIRO ATÉ QUE DEGASTADOS PELO TEMPO PASSARAM AS SUAS OBRIGAÇÕES AOS SEUS MARTELINHOS E BIGORNETAS PARA QUE CONTINUASSEM A MISSÃO QUE DURANTE MUITOS ANOS HAVIAM BRILHANTEMENTE REALIZADO.
 
 


Biografia:
Saulo Piva Romero, professor de Língua Portuguesa e Poeta, 49 anos. Nasceu em São Paulo no dia 9 de março de 1972. Começou a escrever poesias aos 18 anos. É formado em Letras pelas Faculdades Associadas do Ipiranga com Licenciatura Plena em Língua Portuguesa, Inglesa e Literatura.Em 2000 publicou seu primeiro livro Vida, amor e esperança.
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