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É feio cavocar e jogar ao lado os gravetos,
o tronco arrancado, desfeito, toda sangria,
descobrir no fundo sacro do terno peito
o coração ainda quente da viva poesia...
É feio abrir o livro e o fechar sem ler,
nem que for uma de suas palavras,
nem reparar no que se oculta entre o ver
e o movimento de suas vivas larvas...
É feio o desperdiçar de olhares no espelho,
procurar atrás do atrás o que atrás está,
sem pestanejar a imagem dobrar os joelhos,
rezar para a última imagem
não o encontrar...
É feio enfear
por saber-se belo diante da vida,
se nortear pelas manchas corriqueiras
inusitadas e rascantes feridas,
mais feio é procurar no feio
a pepita do sonho, já carcomida...
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