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Você viu a armadura, o escafandro,
viu as datas marcadas a fogo,
só não viu quando
as coisas ficariam claras,
viu os tentáculos e as armas de logro,
os canhões e o mísseis,
as armadilhas de caçar lobos,
pensou que eu era bobo,
mas você não me viu por dentro,
que sou marcado pelo tempo
a ir embora sem nem saber a hora,
nem viu a fragilidade da minha sombra que demora
por aqui só quando o sol está,
viu os arpões mas não as convulsões do meu mar,
viu os cadeados mas nunca verá as chaves
que o medo de sair levou,
viu apenas os gestos, tímidos,
mas nunca viu ou sentiu o meu amor...
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