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O que tenho de mais certo
é este punhado de areia que me escorre
pelas mãos fechadas e seguras,
como fosse o tempo num corredor
a correr de si numa noite escura,
é isso o que tenho e dou-te agora,
a quem quiser apanhar um pouco,
ao senhor, à senhora...
O que de mais me sobra
são algumas esfarrapadas horas
que nem as pude reparar,
horas perdidas de um tempo
em que sobrevivi no mar
de minhas próprias invenções,
onde busquei correr
com os deuses
no espaço,
dando-lhe oferendas, as minhas orações...
O que mais resta é o pouco que me sobra,
neste tempo sem ponteiros e dizeres,
movimentos de barcos que chegam agora
para levar-me a um lugar onde serei
o que já são outros invisíveis seres...
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