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A insignificância posicional num campeonato
Dani CG

Primeiro, quem participa de um campeonato pode ter a vantagem de ganhá-lo. Para tal façanha, terá que passar por etapas de um nível crescente de dificuldade para conseguir chegar à final e levar a medalha ou o troféu para casa. Mas, no decorrer de cada passo, existe o fator sorte que contribui muito para o alcance das metas.
Sorte esta relacionada aos que estão em volta, ao próprio estado de espírito do competidor, aos fenômenos meteorológicos e etc.
Talvez, possa soar estranho o que vou afirmar a seguir, mas é o que acontece na prática, que todo vencedor também não escapa de algumas desvantagens pela vitória concretizada. Quem vence ou ganha quase sempre, está fadado a decepcionar mais e a receber mais críticas, caso não atinja os resultados esperados, do que aquele que às vezes perde, por exemplo. A cobrança é bem menor.
Segundo, todo vice-campeão é coadjuvante da cena vitoriosa; cativa tanto quanto o protagonista, e, em muitos momentos, chama bem mais atenção. Sem ele, não haveria um protagonista. Entretanto, tratando-se de esporte, todo coadjuvante não precisa ser antagonista. Devido à regra principal dessa categoria: o espírito esportivo.
Terceiro, é tão importante quanto os dois acima (o vencedor e o vice), pois está presente no pódio, recebe sua medalha pelo bom trabalho; porém, infelizmente, em algumas culturas um tanto orgulhosas, ou melhor, arrogantes, ganhar em bronze é sinônimo de vexame. E não venha dizer que tudo depende da forma como se chega ao terceiro lugar. Não creio que os indivíduos sejam tão estúpidos a ponto de negar o único sentido de perda (relacionada ao fato de não conseguir o primeiro lugar). Não importa de quantos pontos se perde, ou se deixa vencer...
O resultado é que não muda, independentemente da pontuação. Em toda partida esportiva haverá alguém melhor, mais preparado física e psicologicamente, menos inseguro, e com mais vantagens naquela hora...
Ignorar isso é que é sinal de estupidez.
Outra coisa: dar vexame é faltar com a elegância e a educação. É constranger alguém... E lembrando-me do penúltimo jogo entre Brasil e Alemanha, na minha humilde opinião, quem deu vexame foram a torcida com suas vaias e xingamentos (não só nesse dia) e a imprensa (com sua soberba).
Parece que a autoestima de toda uma nação recalca a sua frustração num esporte.
Triste, inclusive, é ouvir a própria imprensa julgando os atletas (profissionais) que, assim como todo e qualquer ser humano, é passível de cometer falhas ou de perder uma batalha. Infelizmente, quanto ao acesso aos veículos de comunicação que possuem tais profissionais (meio amadores), só tenho a lamentar...
Mas essa é outra polêmica, que não deixa de conter uma cultura distorcida... Afinal, é a barbárie, o caos, a intolerância, a falta de respeito com o semelhante que dão audiência.
Quarto, tão digno quanto... O ditado “os últimos serão os primeiros” é uma realidade. Já que, durante a trajetória de uma vida, mesmo que esportiva, é preciso experimentar o gosto de se estar em último ou penúltimo lugar, para quando se conquistar o primeiro, saber que o mérito é pessoal e intransferível. Todo guerreiro que enfrenta uma guerra (metaforicamente falando) é responsável pelo que aprende, e pelo que deixa para trás...
Concluindo, a posição em uma determinada competição torna-se insignificante à medida que o homem vence a si mesmo.
“É melhor conquistar a si mesmo do que vencer mil batalhas.”
(Buda).


Biografia:
Professora-Conteudista e Redatora / Revisora de Textos.
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