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Hoje em dia se opina sobre muitos assuntos que podem ou não ocasionar alguma polêmica; entretanto, poucos têm uma opinião em formação. Esse tipo de opinião é mais autêntico pelo simples motivo de se estar receptivo a mudá-la. Já aquelas pessoas que enchem a boca pra falar que têm uma opinião formada e pensam ser firmes por isso, na real, não me dizem absolutamente nada. Nem me interessaria convencê-las do contrário.
Eu gosto de pensar que sou livre para achar o que eu quiser e deixar de achar também, sem me constranger com isso ou me preocupar com o que os outros vão achar de mim. Não poupo saliva quando tenho o que dizer. Não costumo concordar só pra agradar. Talvez, por isso, só os contáveis afins permaneçam no meu caminho. Mas prefiro me comportar desse jeito marginal a me civilizar em um processo retrógrado.
Toda opinião nasce, cresce e morre, assim como a educação deve ser. Mas é no sentido figurado. Como uma opinião nasce dentro da gente? Fácil: Diante dos fatos, sentimos a forma pela qual eles nos afetam; e, então, respondemos a isso (ou os interpretamos) de acordo com o que despertam em nós. Só que tal sensação pode ser momentânea. E somente os idiotas teimam.
Como ela cresce? Na medida em que vai sendo alimentada por questões mal-resolvidas dentro da gente ou devido às influências alheias. Mas isso só acontece se somos redutíveis e inseguros pra pensarmos sozinhos. Não é para encarar a concordância entre pessoas algo desprezível. Pelo contrário, creio que é algo necessário para a harmonia, porque somos humanos pra confundir liberdade de expressão com agressividade e imposição, por exemplo. E não é por aí.
A opinião tem que ser desenvolvida aos poucos. Um indivíduo justo nunca enxerga ou procura um lado só de uma situação. E, não se deixa levar ou manipular por afetos ou simpatias. Mas pela liberdade. Ser livre é ser verdadeiro. Embora seja mais aceitável em nossa sociedade certo comportamento que negue a verdade. E isso nada tem a ver com a dúvida, onde reside todas as possibilidades.
A dúvida permite uma desobrigação com aquilo que está em permanente convenção; atribui novas interpretações e até soluções para problemas ou condições conservadoras. É capaz de criar motivações diferentes ao passo que progride e já não retrocede.
E como uma opinião morre? Da mesma maneira que se descreve em capítulos doutrinatórios: toma-se à frente ao se encorajar para mudar. Nenhuma opinião, como precisa ser encarada, é imutável. Um indivíduo bem informado pode não saber opinar sobre determinado assunto, e isso não o faz frouxo. Muito menos omisso. Inclusive, em muitos casos, a omissão é revestida de uma opinião. Um exemplo típico ocorre nas eleições, onde muitos se propõem a votar nulo ou em branco.
A opinião tem que morrer pra nascer novamente e crescer sem covardias.
E quando mulher tem opinião demais? Xiii! Não pode ter medo de ser rejeitada ou de se sentir sozinha. Num mundo ainda dominado por homens, embora mascarado por discursos de igualdade entre os sexos, é o homem, influenciado por mulheres machistas, quem dita as regras de um jogo previsível e chato. A maioria deles não tolera mulher de opinião própria. E quando, sinceramente, as mulheres concordam com eles, ficam desconfiados. Mas isso é coisa de um sexo que, ao sair de um útero, e ainda dependente de um processo de maturação, não teve muito tempo de administrar a própria cabeça.
Não há generalizações, apenas constatações. Tampouco recalques ou revolta, mas uma visão esclarecida da sociedade na qual estou inserida. Tem gente que se aborrece ou não tem paciência em saber sobre o que pensam os outros, fora o seu umbigo. Isso sim é coisa de pessoal ressentido.
Será mesmo que todo mundo tem opinião? Não necessariamente sobre tudo, porque ninguém é infalível. Mas há que se pensar a respeito pra não cairmos no senso comum com receio do ostracismo, principalmente nas relações.
“O sábio pode mudar de opinião. O ignorante, nunca.”
Immanuel Kant.
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