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Os Festejos do Dia do Indio no Mês de Abril
FRANCISCO CARLOS DE AGUIAR NETO

Resumo:
Ressalta Os costumes,tradiçoes e Cerimoniais Indígenas no Brasil

Por Prof. Mestre em Educação Francisco Neto

Historiador Uneb / Doutor em Direito

Olá caros leitores, esse mês de Abril se comemora no dia 19/04 “O Dia do Índio”, mas o que muitos se esquecem é que em um passado não muito distante, todos os dias eraM dias de Índio. Por volta do século XII, antes da chegada dos Portugueses em terras Brasileiras existiam varias nações indígenas dentre elas as Caxinauwá, Caingang, Tupinaé, Xamã, Pataxó, Imboré, Mongoió e as mais conhecidas do grande publico a nação Tupi composta pelos índios Tupiniquins, mas dóceis e os Tupinambá mais arredios e a Nação Tapuia, também conhecida por Aimoré-Tapuia e Botocudo

O chefe da tribo Tupi era chamado de Morubixaba e moravam em ocas que formavam aldeias protegidas por Caiçaras que eram cercas que rodeavam a aldeia, tendo como chefe religioso o Pajé com suas maracás que eram instrumentos que faziam os contatos com seus Deuses.

Tinham um a religiosidade extrema onde cultuavam todas as forças difusas da natureza, ou seja, o Deus Tupã conhecido como Trovão, a Deusa Jacy que era a Lua, o Deus Guaraci, Sol , o Anhaguá que consistia no bem e no mal. Acreditavam em sonhos como presságios da vida

Na região de Valença, antiga aldeia Una viviam os índios Tapuias conhecidos aqui por Botucudos ou Gueréns, onde usavam um pires de madeira ou barro nos lábios, para demonstrar beleza e grande poder e ao contrario dos Tupis tinham uma vida nômade, não possuindo aldeias e dormiam no chão ao invés de redes. Os Tapuias eram grandes corredores, guerreiros, tanto homens quanto mulheres, sendo antropófagos, ou seja, comiam carne humana e foram responsáveis pelo fracasso das capitanias hereditárias de Porto Seguro e Espírito Santo. Também não dominavam o cultivo agrícola e com quatro emboscadas venciam uma forte expedição portuguesa. Tinham pele clara, resistente parecendo um couro, evitando ferir-se na vegetação local. Comunicavam-se pelas matas através de assobios e Guinchos imitando pássaros, ludibriando assim seus inimigos que se perdiam nas matas ficando assim vulneráveis a seus ataques.

Havia também outra tribo que praticava a antropofagia que eram os Tupinambá, que foram os criadores do ritmo Carimbó que depois foram aprimorados pelos Negros vindos da África ,onde na época usavam uma espécie de arma química para a época, que consistiam em jogar pimenta dentro da fogueira onde antes viam a direção do vento para assim jogarem fumaça apimentada em seus inimigos, como se fosse o gás de Pimenta hoje usado pela força policial para dispersar multidões.

CERIMONIAL ANTROPOFÁGICO “COMELANÇA DE CARNE HUMANA”

Tanto os Tapuias/Gueréns quanto os Tupinambás faziam um cerimonial antropofágico chamado IBIRAPEMA, nome dado a um pedaço de madeira o qual dava o golpe final para arrancar a vida do prisioneiro antes da degustação de sua carne.
Ibirá pema, que significa Madeira Esguinada, é um porrete com o qual matavam seus inimigos, que media mais de uma braça de comprimento. Onde era Untada a madeira com uma pasta grudenta, logo em seguida pegavam a casca cinzenta dos ovos de um pássaro chamado macaguá, trituravam-na até ficar reduzida a pó e faziam listras no porrete.

No outro dia era dado inicio a uma espécie de cerimônia Religiosa de Iniciação Ante Morte, onde deveria ser cumprida ponto a ponto com todas as suas minúcias, sendo primeiro capturado o grande guerreiro, onde em seguida era levado para sua tribo, que era obrigado a gritar “aju NE Xe pee remiurama!”, ou seja “Estou chegando, sou a vossa comida!” momento em que as mulheres poderiam se divertir batendo e humilhando-o; logo após, era dado ao prisioneiro uma mulher para que com ela ele pudesse se saciar, ou seja, praticar sexo e caso desse relação sexual nascesse um curumim (filho), este era criado até seus 14 anos de idade e depois era morto da mesma forma que seu pai teria sido, pois acreditavam que o filho de um prisioneiro também deveria morrer quando estivesse na fase adulta.
Após essa fase e chegado o dia do cerimonial, o guerreiro que desferirá o golpe final já se encontra em treinamento há dias, treinado com arco e porrete, para que seus braços estejam rijos e não fraquejem diante do horror da morte.

Enfileirados no meio da Taba (Centro da aldeia) o prisioneiro antes da morte em um Cerimonial um tanto quanto mórbido para dias hodiernos, dizia seu algoz: "Aqui estou eu, vou matar você, pois os seus companheiros mataram e devoraram muitos amigos meus." O prisioneiro responde: "Se morro, também tenho muitos amigos que vão vigar-me”. Sendo que após estas palavras o Guerreiro de posse do Ibirá Pema, desfere um golpe certeiro na região da nuca do prisioneiro que caia ao chão com seu crânio aberto ensanguentado, ficando o corpo do já então sem vida prisioneiro tendo espasmos de movimentos até parar definitivamente. Momento em que varias índias da tribo corriam para cima do corpo, puxando-o para próximo da fogueira arrancando a pele e em seguida imputando-lhe os braços e pernas ,correndo em comemoração ao redor de uma fogueira feita ao centro da Taba. Ao lado do corpo inerte, mais índias talhavam o peito do guerreiro sacrificado com objetos rústicos instrumentos perfuro-cortantes, como se o fossem Necropsiálo, e retirando-lhes as vísceras e da cabeça os miolos que seria feitos um mingau chamado de Moquém, que seriam servidos somente para as mulheres e crianças. Ainda vedando-lhe o Ânus do morto, com um tufo de madeira para nada escapar, nem mesmo as fezes que também eram aproveitadas no banquete.
As partes rijas, como os braços, pernas, peito eram degustadas pelos homens que acreditavam assim incorporar a força, a agilidade do jovem e valente guerreiro morto.

Ressalta no livro de Hans Staden de Hansen que bem no momento da comilança de carne humana, podiam sentir uma conotação sexual, ou seja o prazer sexual em comer carne humana ,sendo comum as mulheres a degustar pedaços do inimigo morto ao mesmo tempo masturbarem-se, conforme desenhos feitos pelo naufrago na própria época do acontecido.

Após a morte do prisioneiro e a distribuição dos seus Bocados (pedaços) para os membros da tribo, o matador tinha seu resguardo, espécie de resguardo Uterino e privava-se do sexo por cerca de um mês, pois acreditavam que se sua mulher engravidasse neste período, poderia o feto ser o “Filho da Cabeça”, achando que a paternidade seria do guerreiro morto e não sua, e com certeza no futuro este filho do Guerreiro sacrificado poderia querer vingar-se da morte do seu Pai (em espírito) pela frase dita no momento da morte. Recebia Também o Guerreiro Matador mais um nome e uma marca (cicatriz) no corpo que simbolizava Honra poder de um grande guerreiro.

Uma outra curiosidade acontecia com os índios da nação Tupinaé, pois assim que sua mulher paria o filho, o índio genitor ficava cerca de um mês de resguardo deitado na rede e recebia visitas de seus amigos para solidarizar-se pelo grande sofrimento do parto, momento em que sua mulher voltava a trabalhar na lavoura, ou seja, quem tinha o resguardo do parto ,ao contrário de nossa sociedade não era a mulher e sim o homem marido que ficava sem trabalhar e caçar durante um período, sendo esta algumas das peculiaridades da cultura de algumas nações indígenas brasileiras.

GUERRA DOS GUERENS
A nação Botocuda/ Guerém/ Tapuia de Valença, nomes dados em diferentes épocas da Historia, travou uma sangrenta batalha com os Portugueses na região litorânea da Bahia, atual Costa do Dendê, que ficou conhecida como a Guerra dos Guerém que durou cerca de 30 anos e terminou em 1750, contradizendo então desta forma, as teorias positivistas que estigmatizavam os índios como passivos, preguiçosos e facilmente controlados. Ao contrario, esses não se deixaram escravizar e lutaram bravamente com um sistema de resistência extremamente organizado ,como o acontecido na América Espanhola, onde os Ameríndios, antes da chegada dos Exploradores/Colonizadores, quem fosse pego bêbado sem motivo, poderiam sofrer a pena de Morte, pois usavam a bebida para exaltação em cerimoniais de suas divindades, contudo com o aprisionamento e exploração por parte dos Europeus, os índios passaram a manter-se embriagados para não terem que trabalhar para seus opressores como forma de resistência. Outra forma de resistência organizada pelas nações indígenas na América Espanhola foi sem dúvida a negação da palavra, ou seja, a recusa de falar com seus “colonizadores”, sendo severamente castigados ,humilhados e muitas vezes mortos.

A resistência organizada no litoral do Brasil , tendo sido invadido a cidade histórica de Cairu, onde moravam ouvidores do Rei e figuras políticas ilustres da época que tiveram que fugir e se refugiarem nas ilhas componentes do arquipélago de Tinharé como Gamboa do Morro, Morro de São Paulo, Boipeba, Garapuá e outras, por serem esta nação indígena péssimos navegadores de longas distancias, contribuindo assim para o povoamento da referidas ilhas pela colonização Portuguesa. Até o momento dos índios terem sido pacificados por frades italianos, chefiados pelo Frei Bernardino de Milão, que acabou organizando um povoado ao sul da Bahia à margem direita do Rio Una , com cerca de 450 índios Guerém, em volta de uma capela que recebeu o nome de Capela de Nossa Senhora do Amparo,

Desta forma, pode-se então inferir que a nação indígena ao contrario do que conta a historia positivista foram extremamente organizados, mantendo suas formas de resistências, religiosidade, cultura, cerimoniais, sistema de educação. Essas nações indígenas foram expropriadas, tiveram seus Deuses desdenhados, costumes rechaçados, esposas estupradas, suas crianças bolinadas, onde esmagaram seus sonhos em nome de uma colonização e uma salvação que ninguém havia pedido. Enfim os colonizadores europeus quer fossem espanhóis, português ou holandeses não levaram em consideração o respeito pela cultura e costumes locais, impondo a força seus dogmas, língua e preconceitos sobre o que não conheciam, implantando então o etnocentrismo no novo mundo.

FONTE:

PRIORE,Mary Del. Historia das Mulheres no Brasil. Editora Contexto, SP 2002

STADEN,HANS Hansen. A verdadeira Historia dos Índios comedores de Gente


Biografia:
Nascido na ilha da gamboa do morro, distrito da cidade historica de Cairu,graudou-se em Historia pela UNEB, é Graduando em Filosofia pela Faculdade Batista Brasileira-Salvador-BA;pós graduou-se em Psicopedagogia pela FACE,é Mestrando em Educação e Contemporaneidade UNEB; Mestrando em Teologia e Educação Comunitaria pelas Faculdades EsT-São Leopoldo-RS e Bacharelando em Direito pela FAINOR-Vit.Conquista. Professor Universitario e Funcionario Publico Estadual.Atualmente está como Diretor de PóLO DA FACE-Faculdade de Ciencias Educacionais em Jaguaquara-Ba,na Região Sudoeste da Bahia e é Diretor Geral do IESTE-Instituto de Educação Social e Tecnologico.Desenvolve projetos Sociais adotando o esporte como uma forma de Educação "Projeto Respeito Acima de Tudo"-aulas de artes marciais(Karatê) e filosofia Oriental.Teve suas poesias escolhidas no premio literário Valdeck Almeida e publicadada no livro Ontologias Poeticas que fora lançado na 20ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo em Agosto de 2008 e publicou o livro "A história da Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Valença.Tem poesias publicadas no Livro Ontologia Cidade em 2009.Em 2010 publicou o livro "Vivendo e Lembrando:História, filosofia e Poesias pela editora Ieste" e Escreve para a revista especializada em História com tiragem Nacional "Leituras da História".É membro permanente da AVELA-Academia Valenciana de Letras,Educação e Artes,ocupando a cadeira Imortal do Poeta Satírico Gregório de Matos.
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