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Peixe de asfalto
Copyright© 2011 by Otaviano Maciel de Alencar Filho
otaviano maciel de alencar filho




Coitado do peixe! Em uma poça d’água que se formara junto ao meio fio do asfalto, um peixe tentava inutilmente nadar. Ao passar pelo local, de bicicleta, de relance, o vi numa luta desesperada pela sobrevivência. Não era pequeno, e a quantidade de água acumulada no local não era suficiente para que ele pudesse respirar, afinal, o acumulo de água se dera devido a uma rápida chuva vespertina. Debatia-se em um esforço desmedido a procura de um lugar mais profundo. Como ele foi parar ali eu não sei! Continuei minha viagem. Um pouco mais a frente, não sei por que, resolvi dar meia volta e observá-lo mais calmamente. feito o trajeto inverso procuro-o, desde o começo do filete de água junto ao meio fio até o local em que eu o observara. Cadê o peixe? Sumira. Para onde ele fora em tão curto espaço de tempo? Novamente realiz o a busca de um canto ao outro, e nada. Teria eu sofrido uma alucinação? Não, eu vi um peixe. Pensei, então: talvez alguém tenha passado e o retirado do local. Hipótese descartada, pois a rua estava deserta e, até então, ninguém passara por ali. Restaram-me somente duas explicações para o sumiço o peixe: Ele adentrara no asfalto e fora em busca de água no interior da terra! Esse seria um tipo de peixe raríssimo, talvez o único de sua espécie, afinal não é todo peixe que tem a capacidade de perfurar o solo, ou então seu habitat era debaixo da terra, e ele resolveu dar uma subidinha à superfície para tomar um banho de sol. Ficou frustrado porque chovia e então resolveu voltar ao seu lugar de origem. Até hoje continuo intrigado com este acontecimento.





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