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Soluções simples para um mundo complexo
Augusto Citrangulo

Chegou a hora. Na verdade, acredito que já passou da hora de agir. Até quando assistiremos, passivamente, espetáculos de profunda ignorância e falta de senso de coletividade? Vejo horrorizado, diariamente, o persistente e nefasto espetáculo encenado por muitos paulistanos que "varrem" a calçada com as mangueiras de jardim. Abertas no máximo, geralmente, para garantir "a pressão" do jato d'água e assim "varrer", sem pressa, todos os cantinhos. A "vassoura d'água" é um desses "produtos" simples, que surgem como resposta direta para um problema, de uma hora para a outra, e seu uso se impõe, como um hábito, difícil de ser abandonado. Basta abrir a torneira e "varrer", com litros e litros de água tratada, todo o lixo para o bueiro mais próximo. Vejo novas tecnologias usadas na construção de casas e edifícios inteligentes dividindo espaço com pessoas, aparentemente, privadas desta qualidade essencial. São pessoas tacanhas e egoístas que, diante do desafio de viver em coletividade, fingem desconhecer os problemas ambientais. Ao desperdiçar água ignoram a maioria da população mundial que nem mesmo tem acesso à água potável, fazendo pouco caso para a sua responsabilidade como cidadãos. Seja qual for a solução para tamanho desatino, ela passa por uma educação inovadora que prepare as pessoas, desde cedo, para uma sociedade onde os interesses coletivos e globais estejam em primeiro plano e, os interesses pessoais respeitem o planeta e os direitos do próximo.
Mas, nem tudo está perdido, ao contrário. Outro dia, recebi uma mensagem eletrônica no mínimo, curiosa e alentadora. Relata a história de um cidadão simples que, insatisfeito com os custos da energia elétrica, buscou uma solução criativa para si mesmo e que, agora, já beneficia um sem número de famílias. Ele desenvolveu um sistema de iluminação de "luz natural", usando "lâmpadas" de garrafas PET, parcialmente cheias de água cristalina. Assim, longe de desperdiçar esse precioso líquido, ele cria prismas que, estrategicamente dispostos entre as telhas, concentram a luz solar e maximizam o uso da luz natural, tirando da penumbra, ambientes até então, muito mal iluminados. A constatação dos benefícios em usar a luz natural, direta do sol, para iluminar um ambiente escuro parece básica demais, mas, neste caso, ela é o resultado prático de uma compreensão bastante objetiva dos problemas socioambientais que nos afligem hoje em dia. É mais do que isso, é exercitar a capacidade de transformar. Saber como transformar um problema em solução é, então, pura arte.
Sem trocadilhos, o que fica claro também, é que esse poder de transformação está dentro de cada um de nós e começa no olhar. Como designers e principalmente, como cidadãos, precisamos olhar o planeta e a nós mesmos com novos olhos, a cada dia, mais curiosos e atentos na busca de respostas pessoais simples e criativas para os complexos problemas do mundo globalizado contemporâneo.
Sempre tive no design a ferramenta para essa transformação socioambiental, pois acredito que ele favoreça uma reflexão sobre o nosso papel como consumidores e, conseqüentemente como poluidores e, ao mesmo tempo, nos instrumentalize para uma ação criadora prática e transformadora.
Sinto também, que este é o momento de sermos mais humildes colocando nossa capacidade criadora a serviço de um planeta mais preservado e da construção de uma sociedade de paz, mais criativa, participativa e justa.
Augusto Citrangulo      
                                                                               setembro/2009


Biografia:
Escrevo por querer. indizíveis razões... inconcebível prazer. Escrevo por escrever?...talvez, ...sobreviver. Lentamente. Descontinuadamente. Sempre...
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