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JÁ FUI UM SONÂMBULO
João Carlos de Oliveira

Naquela madrugada de agosto, não sei se pelo calor, ou por falta de sono, me encontrava desperto, e rolava, para um lado e outro da minha cama.
A minha cabeça, aos poucos, ia sendo invadida por um turbilhão de pensamentos, até que me decidi levantar.
Lá fora, a lua que havia sido nova naqueles poucos dias, brilhava intensamente no firmamento, e a estrela dalva, majestosa como sempre, já se encontrava a tres quartos da abóboda celeste para adentrar no poente, e iluminar outros mundos.
Já de pé, no terreiro da nossa casa, sabia, que podia contar com a companhia do velho Fanô, lampião, e linda – nossos tres cachorros de estimação -, que abanaram com o seu rabo, ao notar da minha presença.
Procurei, por um lugar de visão privilegiada, onde pudesse me assentar, e o local escolhido, recaiu sobre o ultimo degrau de cimento da escada, que dava acesso ao interior da casa.
Gostaria, de respirar o ár puro e oxigenado da madrugada e, ao mesmo tempo, vasculhar pela vastidão dos céus, da possível presença de asteróides, que com o seu enorme rabo de fogo, vezes por outra, costumavam, riscar os céus da nossa pátria. Apreciar a beleza magnífica do universo estrelado, e uma lua tão luminosa, e radiosa.
Sozinho, ao encontro dos meus pensamentos, eles bailavam – voavam de lugar para outro -, por vezes, com certa insistência.
Nunca fui muito bom para dormir, durante alguns anos da minha adolescência, lá pelos meus quatorze ou quinze anos, padecia do fenômeno do sonambulismo.
Na fazenda da minha mãe - que era viúva –, onde fui criado, tinha a mania de dormir o meu primeiro sono, deitado sobre o banco de madeira, da sala de fora.
Na maioria das vezes, adormecia sem tomar banho, o que de certa forma, chateava a minha mãe, principalmente, quando tinha de receber visitas na nossa casa.
Minha mãe, sempre muito enérgica, havia me prometido, que mesmo sendo quase um homem refeito, ainda haveria de me dar uma surra naquele banco.
Assim o tempo foi passando, sempre adormecia no banco - contrariando a minha mãe -, entretanto, como bem a conhecia, sabia, que a qualquer dia daqueles, a promessa dela poderia ser cumprida.
Por conta disso, dormia aceso, acordava diante de qualquer movimento.
Foi assim, dormindo mal dormido, impressionado, que num certo dia, segundo relato de meus familiares, quando novamente dormia no referido banco, lá pelas tantas da noite, acordei gritando apavorado, num comportamento tal,como se apanhasse.
Relataram aqueles que me assistiram, que os meus olhos estavam esbugalhados, mantinha um comportamento de medo, gritava, como se estivesse sendo chicoteado, e ao ser socorrido pelo pessoal de casa, mais me sentia aterrorizado.
Logo perceberam, pelo meu comportamento, que eu estava em estado de sonambulismo, e por mais que tentassem me despertar, mais despertava o meu pavor.
A um só pulo, saltei na porta de saída da casa, desci a escada, saindo em disparada pelo terreiro.
Em seguida, passei pelo curral no meio de algumas vacas, me dirigindo para a saída do pátio, adentrando nas pastagens da manga velha, seguindo e correndo, pelas trilhas do gado, no meio do capim.
Meus dois irmãos mais velhos, corriam atrás de mim, e logo perceberam com preocupação, que era urgente me agarrar, pois eu corria em direção ao rio que banhava as nossas terras, indo diretamente, para um ponto específico do rio, conhecido, como poço da volta - famoso pela sua profundidade -, onde os rapazes da fazenda, por vezes, arriscavam nadar.
Mesmo em estado de sono profundo, corria com desenvoltura e em alta velocidade pelas trilhas do gado, como se desperto estivesse, até que ao ser alcançado, já me aproximava do poço da volta.
O mais veloz dos meus irmãos, ao se aproximar de mim, jogou todo o peso do seu corpo sobre as minhas pernas, me derrubando e em seguida, tentando me imobilizar. Tentei me desvencilhar dele. Segundo seu relato, ele nunca havia visto tamanha força física, vindo de um rapazinho tão franzino. Rolamos sobre o capim, até que fosse dominado.
Em determinado momento, ACORDEI. Em estado de choque, ao me despertar para a realidade, no meio da escuridão, inicialmente, não reconheci onde estava, nem mesmo reconheci a presença do meu irmão, que me segurava fortemente pelo braço.
Perguntava desconexo, à todo instante, onde me encontrava, e quem seriam aquelas pessoas que me rodeavam......., até que mais calmo, abraçado pelo meu irmão, fui aos poucos, recobrando a minha consciência e o meu estado de lucidez, sendo conduzido de volta prá casa.

   João carlos de Oliveira
   
   E-mail: zoo.animais@hotmail.com













Biografia:
Nem mesmo cairá uma unica folha de uma árvore, se caso não exista uma razão para tal!

Este texto é administrado por: João carlos de oliveira
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