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A Necessidade da Influência do Espírito Santo
John Angell James

Título original: The necessity of the holy spirits influence

Por John Angell James (1785-1859)

Traduzido, Adaptado e Editado por Silvio Dutra

Os deveres da profissão cristã são tão numerosos, tão árduos, e muito além dos recursos que temos em nós mesmos, que este volume seria incompleto em um ponto muito importante e essencial, se não contivesse uma referência clara e distinta quanto à assistência necessária para o seu desempenho correto. Dedico este livro, portanto, à consideração da obra do Espírito Santo, como a fonte da força do crente. Há uma passagem da Escritura sobre este assunto, tão cheia de instrução, que pode muito bem ser feita a base do que tenho agora para explanar: "Se vivemos no Espírito, vamos também andar no Espírito". (Gal 5:22). As premissas deste texto contêm uma notável e bela descrição da natureza da verdadeira piedade. É "viver no Espírito", e sua conclusão, uma descrição igualmente bela de seu desenvolvimento visível e progresso gradual, de modo que é dito: estar andando no Espírito. Estes são inseparáveis uns dos outros - não pode haver caminhada espiritual sem vida, e onde há vida, haverá andar.
O pecador não convertido está em estado de morte espiritual; "Ele está morto em delitos e pecados". Ele tem uma existência animal, intelectual e social - mas, quanto às coisas divinas e celestiais, ele está tão morto para estas coisas quanto um cadáver está para objetos materiais circundantes; ele não tem percepção espiritual, nenhuma sensibilidade santa, nenhuma simpatia piedosa, nenhuma verdadeira atividade religiosa; ele está destituído de toda vitalidade espiritual. A regeneração é a transição do pecador deste estado para um que é o seu oposto; é o início de uma nova existência espiritual. A regeneração não acrescenta novas faculdades naturais, mas apenas dá um viés e direção corretos para aqueles que, como criaturas racionais, já possuímos.
Há duas descrições que a Escritura nos deu deste novo e santo estado ou condição, em que a graça divina nos traz. O primeiro está nas palavras de nosso Senhor: "O que nasceu do Espírito é espírito". (João 3: 6). É Espírito. Isso não significa a natureza inteligente do homem, ou seja, sua compreensão ou faculdade de raciocínio; nem sua alma, ou seja, sua natureza animal - estes ele já tem. Mas, significa uma nova natureza espiritual, um espírito que entra no espírito de um homem; um espírito colocado em si mesmo. Não é uma coisa que está na superfície de um homem, que consiste em meras fórmulas, cerimônias, ou conversa; mas que entra nele, assenta-se e centra-se em sua mente, e toma posse de seu íntimo, como a alma de sua própria alma. A verdadeira religião é o ESPÍRITO - algo produzido pelo ESPÍRITO DIVINO INFINITO, e da natureza e semelhança de seu Pai, por quem é gerado. É uma coisa, quanto à sua essência e existência verdadeira, invisível como a alma em que ela habita - mas animando assim um corpo com o qual está unida. Quando o profeta falava com desprezo e menosprezo do poder egípcio, ele diz: "Seus cavalos são carne, e não espírito". A verdadeira religião, ao contrário, não é a carne, mas o espírito, como se não houvesse outra coisa que merecesse o termo, e todos, além desta nova, santa, celeste, divina natureza, estavam demasiadamente aliados à matéria, para serem chamados de espírito.
(Nota do tradutor: Uma das razões principais do sacrifício de Jesus, ao morrer por nós na cruz, foi o de que recebêssemos a promessa da unção e habitação do Espírito Santo, para nos regenerar e santificar.)
O outro termo pelo qual a religião é descrita e aliado a isso - é a VIDA. Quão misteriosa e preciosa é a vida! Nada, de um modo geral, é mais bem compreendido, mas nada, na tentativa de analisá-lo, mais rapidamente, ou completamente evita o poder de escrutínio. Que filósofo tira essa pequena vida, de todo o mistério que a envolve, e expõe à nossa percepção o princípio da vida?
A verdadeira religião é a vida; não animal, intelectual ou social, mas espiritual. Ao olhar para a natureza, encontramos uma escala graduada de seres animados; o vegetal mais insignificante está acima da maior massa de matéria inanimada; a erva daninha do deserto, por exemplo, é superior à rocha de Gibraltar, porque a primeira tem o princípio da vida. O menor inseto que rasteja está acima da produção de legumes mais nobre, o cedro do Líbano ou o carvalho da floresta - porque tem um tipo de vida mais elevado, um princípio de volição e locomoção. O filho de um ano ou dois de idade está, em dignidade, acima dos objetos mais nobres da natureza inanimada, acima do sol em toda a sua glória; acima do oceano ou da floresta; sobre o leão, apesar da sua força; sobre o elefante, com sua sagacidade; ou o leviatã, com o seu volume; pois essa criança tem uma mente racional, e é o sujeito, não só da inteligência, mas da emoção consciente e moral.
Mas, um cristão tem um princípio de vitalidade nele, que está muito acima de qualquer outro tipo de vida; a habitação do Espírito de Deus em sua alma produz o que é a perfeição da própria vida; o clímax da vitalidade; o topo e a flor da natureza animada para que o camponês regenerado seja, aos olhos de Deus, um ser muito mais parecido com ele, muito mais aliado ao Infinito, ao Espírito, do que o maior filósofo não convertido do mundo.
Esta vida divina consiste nessa iluminação do juízo, pela qual não só o sentido teórico, mas a glória moral das coisas espirituais é percebida; juntamente com aquele amor a elas no coração, que é extraído em todos os exercícios de um curso de justiça. Deus é luz. Deus é amor. Ou, unindo ambos juntos, DEUS É O AMOR SANTAMENTE. Assim é a mente renovada; e esta é a verdadeira religião, esta é a vida.
Mas, diz-se, que vivemos no Espírito. Não apenas por ele, mas com uma intensidade ainda maior e ênfase de significado, no Espírito; importando que o Espírito Santo não é apenas a causa eficiente e autor de nossa vida espiritual, mas que ele é o sustentador da mesma; "Como se", diz Howe, "a alma tivesse sua própria situação, numa região da vida, que o Espírito cria para ela por sua presença vital e permanente". Assim como a alma está presente com o corpo, difundindo sua influência vivificante em todas as suas partes, aquecendo tudo, sustentando tudo, movendo tudo, dirigindo tudo, "até que do corpo possa, em certo sentido, ser verdadeiramente dito estar na alma, Em vez da alma no corpo, assim como o Espírito Santo na Nova Criatura, que ele formou no crente, dando vida a ela, vestindo-a com vida, enchendo-a de vida, e está em toda a vida nela."
Vou agora indicar quais são esses atos e hábitos, que constituem o curso de conduta assim denominado.
1. Andar no Espírito, significa estar agindo de acordo com a REGRA do Espírito, que é a Palavra de Deus. As Escrituras são dadas por inspiração do Espírito Santo e são seu instrumento na grande obra de regeneração e santificação. Todas as comunicações do Espírito são das coisas prometidas na Palavra, e com referência direta às coisas reveladas na Palavra. Todos os sentimentos religiosos, todos os preceitos práticos, todas as emoções, devem ser julgados pela Palavra. Este é o padrão, o teste, o juiz. É a regra pela qual o Espírito trabalha, e é a regra pela qual os sujeitos da influência do Espírito devem agir. Sonhos, visões, impulsos e emoções interiores ininteligíveis, não devem ser considerados, mas apenas a Palavra razoavelmente interpretada.
Nada sabemos da mente do Espírito, senão o que ele revelou nas Escrituras; e lá ele o revelou, e nós estamos "andando pela mesma regra, pela mesma mente." Não devemos julgar nosso próprio estado por qualquer suposto testemunho direto desse Agente Divino, mas comparando sua obra em nós, com a descrição dessa obra na Palavra. O apóstolo nos deu uma bela representação metafórica disso, onde diz: "Obedecendo de coração, a forma de doutrina que vos foi entregue", ou como ela deve ser dada, "à qual vocês foram entregues como um molde ." (Rom 6:17). A metáfora é tirada da arte de fundição de metais; o coração do crente, amolecido e derretido pelo fogo da influência do Espírito, é lançado no molde da Escritura, de modo a surgir respondendo ao molde em que está sendo colocado, ganhando as suas características. O caráter que o Espírito forma, está de acordo com o que ele delineou na Palavra. Um cristão é a produção de um ser vivo e santo, pelo Espírito Santo, de acordo com a regra que estabeleceu na Bíblia.
2. Caminhar no Espírito significa nossa manutenção de uma consideração prática com aqueles objetos, dos quais a excelência espiritual foi revelada à mente, e para a qual um apetite e prazer foram transmitidos na regeneração. Uma nova luz então invadiu a mente, coisas completamente desconhecidas foram descobertas à alma, e outras, apenas teoricamente conhecidas, foram vistas de uma maneira nova e afetuosa. Esta parece ser a própria natureza dessa descoberta que o Espírito Santo faz à mente, que condescende em infinita misericórdia para renovar e santificar - quero dizer, uma percepção de sua excelência moral ou santidade, acompanhada por um gosto ou apreciação por elas naquela conta.
A santidade compreende toda a verdadeira excelência moral de todos os seres inteligentes. Santidade é a excelência, beleza e glória do caráter divino e a soma de todas as virtudes, em homens ou anjos. É a santidade que constitui a beleza da lei e do evangelho, de todas as ordenanças divinas e dos institutos religiosos. A santidade era a glória do homem em sua criação, que ele perdeu pela queda, a qual é restaurada pela regeneração, e é consumada na glória eterna. O grande projeto da obra do Espírito na regeneração é produzir na alma do homem, uma afinidade moral para a santidade, um amor à santidade, uma alegria na santidade, e que continuamente será chamado à atividade pela presença de objetos sagrados.
A verdadeira religião, ou a vida divina na alma, é o amor santo e, consequentemente, caminhar no Espírito é a atuação deste santo amor sobre objetos sagrados. Como toda a vida parece ter antipatias naturais e instintivas, e aversões do que lhe é prejudicial, assim a vida divina na alma humana tem uma antipatia e aversão ao pecado, que é o seu veneno, seu princípio antagonista e seu mortal inimigo; de modo que um homem piedoso que anda, segundo esta santa vitalidade, está sempre observando, orando, lutando contra o pecado. Sua nova natureza recua dele, e ele mantém com atenção este sagrado estremecimento de coração.
Em toda a vida há certos movimentos em direção aos seus objetos apropriados de sustentação e gratificação; os vegetais penetram suas raízes no solo, e abrem seus vasos de ar e de seiva para receberem a influência da atmosfera e da terra; os animais estão sempre levando em prática seus instintos apropriados para obter sustento e gozam de todo o bem de que sua natureza é capaz; o subir e cantar da cotovia, o trabalho da abelha, a fiação da aranha, a perseguição da sua presa pelo leão - são todas as ações da vida que está neles. O artista trabalhando em sua pintura; o poeta que compõe as belas imaginações de seu gênio; o estudioso analisando a linguagem; e o cientista examinando as leis da criação - são todos os mecanismos da existência inteligente.
E quais são os atos da vida espiritual? O empurrar para a frente da alma, através do mundo visível para o invisível; sua ascensão da terra ao céu; está passando os limites do tempo e do sentido, vagando entre as coisas invisíveis e eternas; a fé por um Salvador invisível - o amor de um Deus invisível; e a esperança de um céu invisível. Isto é caminhar no Espírito, andar com Deus, e visivelmente andar com ele. Apreciando-o como o bem principal, buscando-o como o supremo fim, e obedecendo-lhe como o soberano supremo. Não conheço nada em que a vida espiritual seja mais distinta em seus atos, do meramente racional, do que em sua tendência a Deus em Cristo, como por uma lei de gravitação espiritual, ao seu centro. O apóstolo, em uma frase curta, descreveu todo o agir dessa nova natureza; "PARA MIM VIVER É CRISTO."
A obra do Espírito no Novo Testamento e no Velho também é testemunhar de Cristo e glorificá-lo; e seu trabalho no coração do crente, tem o mesmo objeto, para levá-lo a viver diante do mundo, para a honra do Salvador; e para este fim, para permitir que ele tire todos os seus suprimentos da plenitude que está nele, para que Cristo possa ser visto sendo tudo em todos para ele. Esta é a caminhada espiritual - a alma está escapando da região baixa e elevando-se acima da influência de objetos carnais, e habitando em uma esfera de coisas espirituais; encontrando estas para serem sua atmosfera vital, seu elemento nativo, seu lar amado.
3. Caminhar no Espírito implica o cultivo e o exercício dessas virtudes santas em relação a nossos semelhantes, cujos princípios originais foram semeados em nosso coração no momento da nossa conversão. Há, acredito, um erro predominante neste assunto entre algumas pessoas boas, que parecem supor que o único projeto contemplado e realizado na regeneração é dar uma disposição correta do coração humano para com Deus. Que este é o seu objetivo principal é admitido, mas não é o único, pois também é projetado para dar um viés adequado para com os nossos semelhantes, o que não temos, até que somos transformados pela graça divina. Quando o homem pecou, caiu, não apenas de Deus, mas também de seus semelhantes. O amor, que tinha sido criado com ele e nele, afastou-se de sua alma e deixou-o sob o domínio do egoísmo descontrolado. A mudança graciosa que o restaura a Deus, restaura-o a seus companheiros. Naquela grande renovação, o egoísmo é destronado, e o amor novamente erguido para ser o regente da alma.
O amor, primeira e supremamente, exerce-se para Deus como infinitamente o maior e o melhor dos seres. Mas não pode parar aí, porque é um princípio, que de sua própria natureza deve expandir-se para abraçar o universo. É digno de observação, embora talvez não tenha sido notado como deveria ter sido, que na maioria dos lugares onde o assunto da regeneração ocorre na Escritura, é falado em relação aos exercícios de uma disposição correta para com os nossos semelhantes; em prova disto eu me refiro às seguintes passagens: Tiago 1: 18-20; 1 Pedro 1:22, 23; 1 João 4: 8-11. Mas, eu não preciso ir mais longe do que o contexto da passagem que estou considerando agora. O apóstolo, ao modificar sua metáfora, das ações de um homem ao produto de uma árvore, diz: "Os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, mansidão, bondade, fidelidade, mansidão e temperança". Essas virtudes se referem quase exclusivamente a nossos semelhantes; contudo elas são os frutos do Espírito. É evidente que a maioria delas são apenas tantas variadas operações e exercícios do amor que o apóstolo tão bem descreve em sua epístola aos Coríntios. O cultivo destas virtudes em dependência da graça divina, e com vista à glória divina, consiste em caminhar no Espírito; e "há um ponto de vista", diz o Dr. Dwight, "que o desempenho desses deveres que mais eficazmente evidencia o caráter cristão e prova a realidade de nossa religião, do que a maioria dos que são classificados sob a cabeça da piedade; é isto - eles normalmente exigem um maior exercício de abnegação."
Sim, é muito mais fácil ouvir um sermão, celebrar a Ceia do Senhor, ler um capítulo da Bíblia e orar, do que reprimir o sentimento de inveja, extinguir a centelha do ressentimento aceso por uma suposta ofensa e expulsar o espírito de malícia. O homem que nutre no seu seio o espírito de amor para com os seus semelhantes, de um sentido profundo do amor de Deus a ele em Cristo, e que é capaz de fazer alguma tolerável proficiência na aprendizagem de Jesus, que é o "Coração", tem mais do poder vivo do Espírito Santo em sua alma, do que aquele que se dissolve em lágrimas, ou se extasia em êxtase sob as palavras ardentes de um eloquente pregador. Nunca pode ser repetido com demasiada frequência, ou expressado enfaticamente demais, que andar no Espírito é ANDAR EM AMOR. Quando o apóstolo nos adverte a não entristecer esta Pessoa Divina, ele sugere, pelo que imediatamente segue esta injunção extraordinária, que é pelo contrário do amor que ele está descontente; pois, depois de nos mandar afastar os sentimentos de raiva e de conter toda a linguagem apaixonada, ele acrescenta: "Sede imitadores de Deus como filhos amados e andai em amor como também Cristo nos amou." (Ef 6: 5).
Nunca poderemos, por assim dizer, estar mais inteiramente indo do mesmo modo que o Espírito, nunca nos aproximarmos mais do seu lado, nunca estar em comunhão mais doce e de acordo com sua mente - do que cultivando o fruto do amor. Da sua descida sobre Cristo sob a forma de uma pomba, bem como de muitas declarações expressas da Escritura, com certeza podemos concluir que todas as paixões irascíveis e malignas são indulgentes de serem peculiarmente repugnantes à sua natureza. Uma espécie de atmosfera turbulenta, que nada pode ser concebido mais oposto à luz calma e santa em que o Espírito abençoado gosta de habitar.
É um fenômeno bem conhecido na história natural que o orvalho nunca cai em uma noite tempestuosa, tampouco o orvalho da influência divina desce sobre aquele coração que é entregue à ira dos temperamentos tempestuosos. Deve se acalmar para ter esse privilégio abençoado.
4. Caminhar importa um progresso na espiritualidade; um acontecimento nesta vida divina, um gradual aproximar-se cada vez mais perto do fim de nosso chamado de Deus em Cristo Jesus. Todas as coisas que têm um princípio de vida, têm também um princípio de crescimento, a menos que estejam em estado de doença, ou de acordo com uma lei de sua natureza começam a decair. Se o rebento não crescer é insalubre; se o leão novo não cresce está doente; se a criança não crescer está enferma; porque a vida tende ao crescimento. Isto é igualmente verdadeiro em referência ao cristão, se há vida espiritual deve haver aumento, e se não houver, como se pode dizer que há um andar no Espírito? Todas as figuras pelas quais a vida divina é estabelecida na Palavra de Deus são coisas de vida, e de crescimento - é o bebê crescendo até a maturidade; a tenra muda crescendo até se transformar numa árvore; o grão de trigo crescendo até ser a planta cheia de espigas; é a luz resplandecente, brilhando cada vez mais até ser dia perfeito.
O que está estabelecido na figura, também é ordenado em simples preceito, e somos ordenados a crescer em graça. Agora, o fim para o qual estamos caminhando, é uma conformidade perfeita com a imagem de Deus; um amor perfeito para nossos semelhantes; uma perfeita libertação das concupiscências da carne; uma perfeita separação de todo pecado; uma emancipação perfeita do amor do mundo, e tudo o que é contrário ao amor de Deus; do conhecimento perfeito, da humildade e santa felicidade. Nestas coisas, portanto, devemos agora crescer. Se não avançarmos continuamente para essa perfeição; se não encontramos uma influência gradual da luz divina, da vida e do poder; impressões mais discerníveis da imagem divina; uma maior adequação, por assim dizer, para Deus; um contato mais íntimo com ele, um deleite maior nele, e uma devoção mais completa a ele; como podemos imaginar que estamos andando no Espírito?
Podemos continuar nos movimentos, mas se estiver em um círculo, uma rodada de deveres vazios, cerimônias sem coração e formalidades frias; que prova temos nós de que temos vida, ou se a temos, que ela não está em estado de doença e afundando de volta na morte?
Tendo assim considerado o que está implícito neste movimento espiritual da alma renovada, vou apontar para a relação que ela tem com a sua causa divina. É caminhar no Espírito. Fazer algo no Espírito é fazê-lo pela sua luz e pelo seu poder. Precisamos de sua luz para nos mostrar o que deve ser feito, e como deve ser feito, assim como seu poder para capacitar-nos a fazê-lo.
O Novo Testamento menciona frequentemente essa graciosa iluminação, que os crentes recebem da Divina fonte de luz através de todo o curso de sua vida cristã. No mundo natural, aquele que no princípio disse: "Haja luz", e produziu o que ele ordenou, repete de fato o comando em cada manhã, e faz com que o sol se levante sobre a terra. O mesmo poder Todo-Poderoso que formou a esfera do dia, e produziu o esplendor da primeira manhã, ainda continua a encher esse orbe de luz e a derramar seu brilho dia a dia. Se o poder mantenedor do Criador, fosse suspenso por um único momento, a luz dos mundos se extinguiria, e o véu das trevas cairia sobre o sistema solar. Mas Deus o mantém porque sabe que suas criaturas dependem disto, no que tange à continuidade da vida natural.
Assim também é no mundo da graça.
O Espírito divino é a causa não só da primeira iluminação da mente do pecador, mas da iluminação contínua da alma do crente. Daí, as orações do apóstolo para as Igrejas de Éfeso e Colossenses. Ef. 1:17, 18; Col 1: 9. Quão bela é a sua linguagem para os primeiros: "Vocês eram trevas - mas agora vocês são luz no Senhor, andem como filhos da luz". (Ef 5: 8). "A luz é aqui mencionada como a própria composição da Nova Criatura, como se fosse um ser de luz, agora você é luz no Senhor". Eles são feitos de luz, sendo nascidos do Espírito. O grande e glorioso Deus é chamado Deus da luz, eles são chamados filhos da luz. Essa é a sua filiação. A luz desceu da luz, gerada da luz. "Deus é luz e nele não há escuridão". Todos que conversam com ele "estão andando na luz como ele está na luz".
É verdade que a luz significa santidade, necessariamente o conota - mas isso só importa e significa que essa luz que entra na composição de uma nova criatura é eficaz, refinando, transformando em luz, como faz a alma de alguma forma em toda adequação às noções de verdade, que agora são colocadas no entendimento especulativo. Tal é o caráter nobre das almas regeneradas; eles são filhos da luz, filhos da manhã, feitos aptos para serem participantes da herança dos santos na luz. Sim, isso é descritivo de sua condição atual, e não meramente de seu estado futuro, ao qual é geral e exclusivamente - mas erroneamente entendido. "Dando graças ao Pai", diz o apóstolo, "que nos fez aptos a participar da herança dos santos na luz". A igreja cristã, se não a cidade e a metrópole do reino da luz, é o seu subúrbio; e os crentes, iluminados pelo Espírito Santo, já moram nos arredores do mundo da luz. Eles estão ao alcance daqueles feixes de irradiação espiritual, que fluem para sempre da fonte do esplendor.
Mas, eles precisam de suprimentos continuados daquela fonte para sustentar, aumentar e revigorar a vida espiritual dentro deles. A influência do mundo é continuamente contra os princípios sagrados de sua nova natureza, e os restos da corrupção interior, tornando fraco o olho da fé, suas percepções obscuras e a sensibilidade da alma aos objetos espirituais, maçantes e obtusos. Toda a obra da graça na alma é levada a cabo pela instrumentalidade da verdade, e através dos meios de uma santa iluminação da mente para percebê-la e senti-la. A luz espiritual é para os princípios de santidade na alma, o que a luz natural é para as sementes de legumes no mundo natural, que não podem germinar ou crescer sem luz, e cujo crescimento é suspenso durante uma estação escura, fria e nublada, em que os raios do sol são muito diminuídos - assim também os frutos do Espírito não podem crescer, senão na luz do Espírito.
Não podemos, portanto, ter sem renovadas comunicações desta influência divina, esta iluminação vivificante e renovadora. Se isto for retido, nossas graças aparecerão como as plantas atrofiadas, ou os frutos diminuídos, incolores, sem gosto de um verão curto, frio e nublado. É somente quando as verdades espirituais são vistas por nós e mantidas diante de nós, na clara e santa luz que é transmitida pela influência do Espírito, e sentimos por nós entrando como raios de sol quentes na própria alma, que podemos crescer em graça. Precisamos de novas comunicações a cada passo de nosso curso para manter diante de nós a glória de Deus como nosso centro, descanso e fim; a beleza, e a preciosidade de Cristo; o mal do pecado mortificado e a excelência transcendente da santidade; a sublimidade e importância do céu, e a vida eterna; e é somente pelo Espírito que isso pode ser feito.
Mas, precisamos de poder ou habilidade moral, bem como de luz. Precisamos ser dispostos, movidos e ajudados nesta caminhada divina.
Quando uma criança nasce, ela não é dotada de um estoque de graça, suficiente para ela em todos os estágios futuros de seu crescimento. Dessa criança diz-se com verdade, que em todo seu crescimento e atividade subsequentes, "Em Deus ele vive, e se move, e tem seu ser". O princípio vivo, em movimento, agindo de sua natureza, ainda é derivado de Deus; ele vive em Deus, e não executa uma única ação - senão como ajudado por Deus. Assim é com o filho recém-nascido de Deus, ele é feito para viver pelo Pai Divino; mas nenhum estoque de graça é conferido em regeneração, suficiente para toda a futura continuação, crescimento e atuação da religião. Não, devemos viver e mover-nos no Espírito da graça, assim como ter nosso ser nele. Todos nós devemos agir pelo poder de Deus.
Na regeneração, é dada uma nova natureza - composta de muitos princípios divinos, santos e celestiais; não somente somos dispostos e capacitados a realizar um único ato ou sucessão de atos, mas somos levados a um estado espiritual; uma natureza santa é formada como diversa de nossa anterior, ou de qualquer outra coisa, como a natureza de uma espécie de criaturas difere de outras; uma natureza é mais do que um hábito. Ora, esta natureza não é tudo o que precisamos, mas também a contínua emoção e ajuda dela, pelo poder do Espírito Santo. Embora haja uma nova natureza em nós, há algo mais em nós, até mesmo os restos da natureza velha e corrupta; e como esta última está continuamente dificultando e oprimindo a primeira, a carne que luta contra o Espírito, precisamos de poder divino para nos vivificar e ajudar e nos permitir ganhar a vitória sobre a carne. Caminhar no Espírito, então, é fazer todas as coisas através de todo o curso de nossa profissão em um quadro de humilde e ilimitada dependência da ajuda divina do Espírito Santo.
É nosso inefável privilégio, que esta graciosa assistência nos seja assegurada pela Palavra de Deus. É chamado "o Espírito da promessa", porque é o sujeito de tantas garantias de Deus. Mas, mesmo o próprio comando é uma promessa implícita. Quão encorajadoras e extraordinárias são as injunções: "Enchei-vos do Espírito". "Fortalece-te no Senhor e na força do seu poder". "Caminhe no Espírito", como se todo poder infinito, inesgotável e onipotente desse Agente Divino estivesse sob nosso comando, e pudéssemos ter tanto de seu poder quanto desejássemos, e escolhêssemos nos apropriar.
Algumas instruções em referência a esta luz e poder divino, ocuparão o restante deste nosso discurso.
1. A agência divina não tem a intenção de substituir- mas ajudar nossos próprios esforços. Este é o significado dessa passagem notável das Escrituras: "Trabalhai a vossa salvação com temor e tremor, porque é Deus que opera em vós, tanto o querer como o fazer". O apóstolo não diz: "como Deus opera em vós, não há necessidade da vossa obra", mas, pelo contrário, "vocês trabalham, porque Deus trabalha". Devemos ser tão diligentes, tão dedicados, tão intencionados, como se tudo dependesse de nós mesmos; tão dependente como se não pudéssemos fazer nada. Deus não faz nada sem nós, e nada podemos fazer sem ele. Devemos andar. mas deve ser no Espírito. Se então, nós devemos ter a ajuda divina, nós não devemos ser encontrados na posição de encontro, de assento ou mesmo de pé, mas na atitude de andar. Devemos cingir nossos lombos, e avançar; mas tudo em uma condição de dependência do poder de Deus. "Você o encontra", diz o Profeta, "operando a justiça". O espírito de Deus vem sobre o caminhar, do servo que trabalha, não sobre o adormecido.
2. Se desejarmos ter muito da influência do Espírito, devemos ter fé no Espírito. Isso é tão necessário quanto a fé em Cristo. Deve haver um agir de fé, apropriado às distintas obras oficiais da Santíssima Trindade na dispensação da Redenção. Devemos crer no amor originador do Pai, na graça executiva do Filho, e no poder de aplicação do Espírito. Devemos acreditar nas promessas deste poder divino, considerá-lo solenemente comprometidos com os crentes por aliança, e como uma coisa a ser esperada de acordo com a declaração da Palavra de Deus. Não deve nos parecer um assunto tão vasto e tão surpreendente como o que dificilmente podemos presumir calcular sobre ele; pois este é um obstáculo de incredulidade que impedirá que a comunicação divina flua sobre nós. Ao invés de se perguntar por aquelas grandes comunicações que foram concedidas a pessoas e comunidades particulares, devemos atribuir à incredulidade e à indolência da igreja que elas não sejam mais frequentes e mais copiosas.
Colocados como estamos sob a dispensação do Espírito, suas graciosas comunicações não devem nos surpreender, mais do que os chuveiros de chuva fazem em um país onde a chuva abunda; é mais a seca, que deve ser uma questão de espanto em tal situação. Há evidentemente uma fraqueza de fé na igreja de Cristo, tocando essa comunicação divina.
3. Deve haver uma profunda pobreza de espírito, uma sensação que deixe em nós uma impressão de nossa indigência e dependência - se desejamos caminhar no Espírito e nos manter com sua graciosa ajuda. Devemos sentir, como se em nosso curso espiritual, não pudéssemos dar um passo, nem realizar uma única ação sem ele. Nosso estado de espírito deve ser o oposto do da igreja de Laodicéia, que achava que não precisava de nada. Devemos pensar e sentir, que precisamos de tudo. Não é provável que este Agente divino conceda sua ajuda, onde não é nem valorizado nem procurado. É apropriado que devamos sentir nossa pobreza, antes de nos enriquecermos, e clamarmos das profundezas de nossa indigência: "Tenha misericórdia de mim, pois sou pobre e necessitado". Onde está esse sentimento de necessidade entre os professantes dos dias atuais? É um artigo de seu credo - mas é um profundo sentimento interior de seu coração? Eles olham e falam, como se sentissem sua miséria? Eles o mencionam em suas orações, e o admitem em sua conversa - mas isso não é tudo! De quem ouvimos o luto de sua baixa condição, sua profunda necessidade de graça divina, e expressando seu desejo de efusões mais copiosas de influência celestial? Quem se queixa da seca? Quem diz: "Quando virá a chuva espiritual?" Quem pergunta por que o Espírito não desce sobre a sua igreja, o jardim do Senhor, e sobre o deserto e o lugar solitário?
Dá-se com um grande número de cristãos, como é dito ter sido com Sansão. Ele não sabia que o Senhor tinha se afastado dele. Deus tinha ido embora - sua grande força tinha ido embora, mas ele não sabia disso, mas pensamos ter encontrado quando andamos ou corremos dia a dia, em um curso de dever ordinário, e pode ser, que não obtenhamos nada por ele, nenhuma vida, nenhuma força, nenhuma influência do Espírito, e quão pouco sentimos por todo esse tempo a sua ausência de nós? Quão poucos que lamentam o assunto! Poder-se-ia pensar que deve haver batidas estranhas e palpitação de coração entre nós por pensar no pouco que há do Espírito do Deus vivo respirando em suas próprias ordenanças, e através das verdades mais sagradas, e mais importantes que ouvimos, de tempos em tempos. Parece-me que nossos corações deveriam nos avisar, e nós estaríamos frequentemente perguntando a nós mesmos: “O que vai resultar disso?” Uma religião não animada pelo Espírito, em que não há vida, nenhuma influência, no que isso vai resultar?"
4. Se tivermos muita influência divina, devemos sentir um intenso desejo por esta preciosa bênção; unido ao mesmo tempo com um profundo senso de nossa total indignidade. Deus não está sob nenhuma outra obrigação de concedê-lo, àquele que a ele voluntariamente se se submeteu, ao se ligar por sua própria promessa. Não devemos supor que é essa promessa, ou a graciosa comunicação que nos assegura, que constitui o fundamento de nossa responsabilidade, como se Deus não pudesse justamente exigir algo de nós, ou punir-nos por não fazê-lo, se ele não nos conceder sua graça. Tudo o que é necessário para nos tornar responsáveis, é um meio de saber o que é a vontade de Deus, instalações naturais para apreendê-lo, e motivos suficientes para fazê-lo. Temos tudo isso sem o Espírito Santo, cuja influência onde é dada, é tanto um ato de graça pura, e misericórdia soberana, como a missão de Jesus Cristo.
Devemos, portanto, lançar fora de nós toda a ideia de merecer este favor, ou reivindicá-lo em razão da justiça.
Devemos sentir que é um ato de amor espantoso que Deus não somente nos dê seu Filho, mas também o seu Espírito! Que é um ato de mais maravilhosa condescendência nunca ser suficientemente admirado que Deus deve fazer um Templo para o Espírito Santo em nossos corações; uma demonstração de infinitamente maior condescendência do que o maior monarca sobre a terra ao ocupar sua habitação em uma casa de lama para o benefício de seus súditos.
Devemos dizer, portanto, como o centurião fez: "Senhor, eu não sou digno de que você venha debaixo do meu telhado." Quanto mais baixo estivermos, mais profundamente nos afundaremos na humildade e no sentimento de indignidade, e mais teremos deste poder abençoado. A graça de Deus, como o orvalho, cai por toda parte - mas cai em maior abundância no vale, e permanece por mais tempo na sombra. Mas, esse sentimento de indignidade não deve influenciar nosso desejo; não podemos merecer isso, mas devemos desejá-lo; sim, e com anseios veementes da alma, e de ardor do coração.
E precisamos ser estimulados a desejar um benefício tão inestimável? O que! São argumentos necessários para nos provar o valor daquilo sem o qual o nosso corpo não é senão o sepulcro de uma alma morta e toda a nossa existência, senão andar em um espetáculo vago? São motivos necessários para induzir-nos a procurar por isso, sabendo que sem o mesmo estamos mortos enquanto vivemos? Se pudéssemos operar sem ele, não precisaríamos desejá-lo; se não pudéssemos tê-lo, seria inútil apreciar qualquer desejo por ele - mas quando é essencial para nossa existência espiritual; quando é prometido por Deus; quando somos ordenados a buscá-lo; quando a sua posse em grande medida pode ser solicitada; quando a posse dele seria seguida por resultados tão felizes - quão ardentemente devemos cobiçar isto, e veementemente ansiar por ele.
Oh! Nós consideramos corretamente o que é uma gloriosa comunicação do Espírito de Deus, e que coisa abençoada é ser enchido com o Espírito; que honra e felicidade é ter este Divino Hóspede tomando plena posse de nossa alma como seu Templo, nos ofuscando com sua glória e nos enchendo de sua presença como fez no Santo dos Santos no Monte Sião - quão ansiosamente nós o desejaríamos e intensamente exalaríamos os desejos de nossa alma por ele. Nos céus visíveis, vemos Deus acima da terra, Deus ao nosso redor. Na lei, vemos Deus contra nós. Em Cristo, vemos Deus conosco. Mas, na habitação do Espírito, temos Deus em nós. E se é a presença de Deus que faz o céu, então, pela habitação do Espírito, temos algo do céu na terra. Não apenas nos leva à varanda do céu e aos confins da eternidade; não somente conduz-nos ao alto de Pisga, onde nós podemos fazer um exame da terra prometida; mas nos leva ao Monte da Transfiguração, onde contemplando como por espelho a glória do Senhor, somos transformados pelo Espírito do Senhor, de glória em glória, na mesma imagem.
Ó cristãos! Incitem seus corações a cobiçar esta comunicação celestial. Coloquemos diante de nossas mentes o triste caso daqueles que estão destituídos dele, ou que têm apenas pequenas medidas dele - quão baixas, terrenas, e vãs são as vidas que eles estão vivendo; quão pouco de Deus, ou de Cristo, ou do céu, ou da santidade aparece neles; e quanto é para ser temido tal curso. Consideremos que frutos abençoados, que temperamentos sagrados, que alegrias espirituais, quais experimentações do céu, que florescem de glória, nos resultariam de grandes medidas desta luz e poder divino. Abandonemos, portanto, a indolência, resistamos ao mundo, afastemos todos os obstáculos à nossa destruição em relação a esta santa influência. Abramos a porta do nosso coração, e a mantenhamos bem aberta para a entrada deste visitador celestial. Busquemo-lo, esperemos por ele e ansiemos por ele - como gostaríamos da chegada de um amigo que nos trouxesse um remédio que nos salvaria da morte, ou riqueza que nos impedisse de ir para a prisão.
5. Se quisermos que o Espírito Santo nos ajude na caminhada divina, devemos orar fervorosamente por seu poder e influência em nossas vidas. Esta é a bênção graciosa que nosso Senhor nos encorajou a solicitar por meio do apelo tocante que ele faz aos nossos próprios sentimentos parentais: "Se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará Seu Espírito Santo aos que lhe pedirem." Passagem maravilhosa! Ensina-nos que, tendo-nos dado o seu Filho, o seu Espírito Santo é a próxima bênção que o seu coração paternal se deleita em conceder; assim como uma mãe esperando para alimentar uma criança faminta, chorando e implorando, que ela está pronta para amamentar.
Mas, oh, onde, perguntamos de novo, onde estão aqueles anseios veementes pelo Espírito, que são expelidos em orações fervorosas, crentes e eficazes? Aquelas palpitações por Deus, aqueles anseios e sede de justiça, que são representados como trazendo com eles a sua própria gratificação? Ser rico em ganhos mundanos - não ricos na influência do Espírito Santo - é o objetivo para a grande multidão de cristãos professantes.
6. Se tivéssemos a influência do Espírito, deveria haver uma resignação de nós mesmos à sua sabedoria orientadora e ao seu poder governante; uma entrega de nós mesmos em suas mãos, para ser habitualmente guiados por ele. Apenas tal rendição e um seguimento dele, como nós determinaríamos em referência a um guia hábil, que tinha empreendido conduzir-nos sobre montanhas altas, e ao lado de precipícios perigosos. Quando marcávamos seus passos, observávamos o movimento de seu braço, como ele apontou a pista, e em alguns casos rogamos que ele nos pegasse pela mão e nos guiasse para a frente. Devemos nos entregar para sermos conduzidos e ajudados pelo Espírito de Deus. Deve haver uma estrutura de espírito flexível, para ceder aos toques mais suaves; um espírito dócil, aprendendo pelos acenos mais distantes.
"Como consequência natural", diz Hall, em seu inestimável trabalho sobre a Obra do Espírito, "estar sob a orientação de outro, é uma rápida percepção de seu significado, para que possamos satisfazer seus desejos antes que eles sejam expressados verbalmente, algo razoavelmente esperado daqueles que professam ser habitualmente liderados pelo Espírito, algo deste discernimento pronto, acompanhado de cumprimento imediato.
Você às vezes sentiu uma seriedade peculiar de mente, o brilho ilusório de objetos mundanos desaparecer, ou tornar-se escuro diante de seus olhos, e a morte e a eternidade aparecendo na porta, preencheram todo o campo de visão. Você tem melhorado essas ocasiões, para fixar essas máximas e estabelecer essas conclusões práticas, que podem produzir uma habitual sobriedade da mente, quando as coisas aparecem sob um aspecto diferente? Do Espírito é dito que faz intercessão pelos santos, com gemidos que não podem ser proferidos. Quando você sentiu aqueles inefáveis anseios por Deus, você os concedeu ao extremo? Estendeu todas as velas do seu barco, lançadas para o profundo das perfeições e promessas divinas, e possuiu tanto quanto possível da plenitude de Deus? Há momentos em que a consciência de um homem bom é mais sensível, tem um toque mais fino e mais exigente do que o habitual; o mal do pecado em geral, e do seu próprio em particular, aparece em uma luz mais pura e penetrante. Vocês se aproveitaram de tais temporadas como estas para procurar nas câmaras de imagens, e enquanto vocês descobriram abominações cada vez maiores, têm se esforçado em trazê-los para fora e colocá-las diante do Senhor? Terão tais visitas efetuado algo para a mortificação do pecado; ou têm sido autorizadas a expirar em meras resoluções ineficazes? Há momentos na experiência de um homem bom, quando ele sente uma suavidade mais do que ordinária da mente; a geada do egoísmo se dissolve, e seu coração flui em amor para Deus e seus semelhantes. Quão cuidadoso devemos ser acariciando tal quadro e abraçando a oportunidade de subjugar o ressentimento e de curar as feridas que dificilmente é possível evitar, ao passar por esse mundo inquieto.
Andai, pois, irmãos, no Espírito. Que haja uma dependência habitual deste Agente divino. A profissão cristã é uma coisa grande e solene - falhar nela será uma miséria terrível, sim, intolerável. Falhar aqui é falhar por toda a eternidade, abortar a maior e mais solene transação em que podemos estar envolvidos. E falhamos, se o Espírito de Deus não nos ajudar. Não podemos nos tornar imorais, infiéis, heréticos ou profanos; mas nos deitaremos e morreremos no mundanismo: pereceremos em aparente respeitabilidade e conforto; nós nos afundaremos no poço sem fundo, entre a facilidade, a riqueza, e tudo que é agradável neste mundo; desceremos para as regiões da noite eterna, do meio da igreja - se não temos o Espírito de Deus. Seja esta, então, a nossa solicitude suprema, habitual, sempre vivificante e movedora, para obter o Espírito de Deus.
Não há outra maneira de viver, senão pelo Espírito; nenhuma outra maneira de andar, senão pelo Espírito; este é o princípio da santa vitalidade em nossa profissão, que o tornará como uma árvore verdejante em sua folhagem, e abundante em seus frutos; mas sem o qual, será uma videira infrutífera, murchada em sua folhagem, dilacerada em seus ramos e em seu tronco - e para nada melhor do que ser cortada e lançada no fogo!

(Nota do tradutor: A falta da presença e unção do Espírito Santo é o que produz cristãos nominais, que por mais religiosos que sejam e fervorosos na aplicação de deveres ordenados, não têm a vida de Cristo, porque aquele que não tem o Espírito não é dEle.
Mas, muitos que foram ungidos pelo Espírito Santo, podem buscá-lo para motivos incompletos, como por exemplo, simplesmente para manifestarem os dons espirituais sobrenaturais extraordinários (línguas, profecia, curas, etc), e não cogitam que há um propósito mais elevado na busca de unção do Espírito, que é o da produção do seu fruto, especialmente o de amor (I Cor 12.31).
Outros se acomodaram com a graça recebida na conversão, pelos mais variados motivos, sem saberem na grande maioria, que não recebemos um estoque de graça na conversão que será suficiente para toda a nossa caminhada espiritual. Novas unções são necessárias para estarmos sempre avivados. Sem isto, não há verdadeiro prazer espiritual em Cristo e nas coisas celestiais, espirituais e divinas, porque este sentimento é produzido somente quando estamos cheios do Espírito Santo.
Lembremos sempre que um dos principais motivos da obra realizada por Jesus em nosso favor foi para que fôssemos batizados no Espírito, de modo que andássemos e vivêssemos sempre no Espírito.)


Este texto é administrado por: Silvio Dutra
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