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A Crise
John Angell James


Título original: The crisis; or, hope and fear balanced, in reference to the present situation of the country

Por John Angell James (1785-1859)

Traduzido, Adaptado e
Editado por Silvio Dutra


Introdução pelo Tradutor:
John Angell James escreveu este tratado em novembro de 1819, ano que testemunhou uma grande crise econômica global.
Em maio deste mesmo ano nascia aquela que seria a futura rainha Vitória, e que reinou de 1837 a 1901.
No período da escrita reinava como príncipe regente Jorge IV, sobre quem encontramos o seguinte registro na Wikipédia:
Jorge IV (Londres, 12 de agosto de 1762 – Windsor, 26 de junho de 1830) foi o Rei do Reino Unido e Hanôver de 29 de janeiro de 1820 até sua morte. De 1811 até sua ascensão foi Príncipe Regente durante a doença mental de seu pai Jorge III.
Jorge teve uma vida extravagante que contribuiu para a moda durante o Período da Regência, sendo o patrono de muitas formas de prazer, estilo e gosto. Tinha uma relação ruim com o pai, acumulou grandes dívidas e teve várias amantes, com a principal e mais duradoura sendo Maria Fitzherbert. Ele foi forçado a se casar em 1795 com sua prima Carolina de Brunsvique; os dois não gostavam um do outro e se separaram pouco depois do nascimento de sua filha Carlota de Gales no ano seguinte.
Robert Jenkinson, 2.º Conde de Liverpool, controlou o governo como primeiro-ministro durante a maior parte de sua regência e reinado. Os governos de Jorge, mesmo recebendo pouco apoio do rei, presidiram a vitória nas Guerras Napoleônicas, negociaram um acordo de paz e tentaram lidar com o mal-estar econômico e social que se seguiu. Ele teve de aceitar George Canning como primeiro-ministro, além de desistir de sua oposição à emancipação católica.
Seu charme e cultura lhe valeram o título de "o primeiro cavalheiro da Inglaterra", porém suas relações com Jorge III e Carolina, e seu jeito devasso, lhe renderam o desprezo do povo e diminuiu o prestígio da monarquia. Contribuintes ficaram furiosos com seus gastos desnecessários em tempos de guerra. Jorge não proporcionou uma liderança nacional em uma época de crise, também não atuando como um modelo para seu povo. Ministros avaliavam seu comportamento como egoísta, não confiável e irresponsável.
Muito da condição de devassidão moral que varria a Inglaterra foi revertido pelos avivamentos havidos naquela nação com os irmãos Wesley e George Whitefield na segunda metade do século XVIII. Para isto, muito contribuiu o legado dos puritanos naquela nação, que haviam deixado uma boa influência relativa ao evangelho verdadeiro, vindo a se transformar num aroma de vida para a vida mesmo em dias distantes.
Enquanto revoluções estouravam pelo mundo afora para a derrubada de monarquias, como por exemplo a Francesa, a Inglaterra foi livrada disto pela sua rígida formação evangélica, e pela boa influência dos avivamentos do Espírito que havia experimentado.
Temos assim, como sempre, este dualismo: por um lado a sociedade em geral submetida à devassidão decorrente da corrupção da natureza humana, e por outro, aqueles a quem Jesus chama de luz do mundo, atuando como luz e sal nesta sociedade corrompida.
Foi com este pano de fundo que este tratado de John Angell James foi escrito, e no qual, ele expressa o seu grande temor de que a Inglaterra viesse a experimentar grandes juízos de Deus em razão de estar testemunhando em seus dias um afastamento da boa influência que havia sido deixada pelos puritanos e pelos avivamentos do Espírito que aquela nação havia experimentado.
Napoleão havia sido derrotado na Batalha de Waterloo em 1814, mas desde meados do século XVIII, a Inglaterra figurava como a grande potência econômica mundial e isto duraria até a Primeira Grande Guerra, quando os Estados Unidos passaram a ocupar este lugar.
Apesar disto, John Angell James não atribuiu à Inglaterra a qualificação de nação que estaria sendo nas mãos de Deus o instrumento da aplicação dos Seus juízos sobre o mundo ímpio de então, pois, a par das muitas coisas que colocavam aquela nação sob privilégios da misericórdia divina, em razão do legado de seus pais piedosos, havia muitas outras que a colocavam em condições de igualdade com a impiedade prevalecente na maior parte das demais nações, no que se refere a uma vida de infidelidade a Deus e aos Seus mandamentos na sociedade em geral.
Podemos melhor entender esta forma de ação divina à luz das seguintes reflexões:
A muitos pode parecer que Deus desistiu do governo da Terra, especialmente a partir dos dias do Novo Testamento, pois, temos o testemunho no Velho Testamento das suas várias ações tanto para estabelecer quanto para derrubar reinos e governantes.
A tal respeito, profecias foram dadas com uma grande antecedência quanto à sucessão de reinos na Terra, especialmente da Assíria, Babilônia, Pérsia e Grécia, muito antes de terem sido estabelecidos como grandes impérios mundiais.
E cada um destes era levantado como o instrumento de juízo de Deus sobre as nações ímpias da antiguidade, tendo eles próprios recebido também o devido julgamento no tempo próprio, quando se desviaram em grosseira impiedade.
O que se esquece é que desde que foi dado a Daniel a interpretação do sonho que Nabucodonosor tivera da grande estátua que representava estes reinos, foi ali expressamente afirmado que destes reinos referidos anteriormente se levantaria um último (que representava os pés da estátua) que seria uma mistura de ferro e barro, indicando a firmeza e a instabilidade dos poderes que se levantariam no mundo a partir dos romanos, mas que permaneceriam até que a grande pedra cortada sem mãos de uma grande montanha desse sobre os pés da estátua e esmiuçasse aqueles poderes em pó.
Nisto aprendemos que nenhuma intervenção divina final seria realizada nos dias do Novo Testamento, em dar a um reino poder sobre os demais, nas mesmas bases da forma de julgamento dos dias do Velho Testamento, em que por exemplo, Babilônia foi favorecida para derrotar a Assíria e assumir o império mundial em seu lugar, e esta Babilônia viria a cair por sua vez diante da Média e da Pérsia.
A grande pedra, o Senhor Jesus Cristo, virá no tempo determinado para julgar todas as nações da terra, e Ele reinará para sempre em justiça sobre todas elas.
Cremos que isto é especialmente em razão da grande impiedade que impera em todas as nações, e isto desqualifica a quaisquer delas, para serem, ainda que por breve tempo, o instrumento de juízo do Senhor sobre alguma outra nação ou coligação de nações.
Até porque, os governantes de todas as nações estarão coligados nos dias do Anticristo com o único propósito de desarraigar o povo santo do mundo, perseguindo tanto a crentes como a judeus, em razão de sustentarem o testemunho da verdade das Escrituras.
Guerras e ameaças de guerras têm varrido o globo desde que nosso Senhor profetizou o princípio das dores, e nenhuma destas guerras foi levada a cabo em nome da justiça de Deus e do Seu reino, senão para fins escusos, mesmo quando foram feitas supostamente em Seu nome.
Se temos que esperar por um reino de justiça e paz permanentes e verdadeiros, isto deve ser colocado inteiramente na nossa expectação da volta de Jesus, pois está registrado nas Escrituras que o governo do homem pelo homem, em fundamentos de injustiça, somente terá um fim quando o Rei dos reis e Senhor dos senhores julgar todos os governantes e nações da Terra.

A Crise
“Quem sabe se se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos?" (Jonas 3: 9)
"O Senhor se compraz nos que o temem, nos que esperam na sua benignidade." (Salmo 147: 11)

Cada manifestação que Deus fez de sua natureza, contém muito que é solene, e muito que é amável; e é a glória da Divindade ser simultaneamente infinitamente grande e infinitamente bom. Esta união do grande e do amável deve ser vista na face da natureza, e na administração da Providência; mas é mais claramente descoberto nas páginas daquele volume inspirado que foi escrito para nos informar, em certa medida, o que Deus é. Lá é dito que Deus é amor, e que ele é um fogo consumidor; que a vingança pertence a ele, e que ele se compraz em misericórdia; que anda pelos céus, e é pai dos órfãos, e juiz das viúvas; que ele é o alto e elevado que habita a eternidade, e habita no lugar santo, e ao mesmo tempo faz a sua morada com o homem que é humilde e contrito de espírito; que ele é visto contra nós na pureza e na equidade das sentenças de sua lei, e contudo conosco na pessoa e na obra de seu Filho.
E como a essência da religião consiste no exercício de disposições adequadas a este grande e bendito Deus, e nenhuma disposição pode ser adequada, senão a que corresponde à revelação inteira que ele fez de sua natureza, o espírito de verdadeira piedade é igualmente removido de uma presunção desonesta, por um lado, e do desespero servil, por outro, e aparece em seu verdadeiro caráter apenas quando visto na união do temor santo e da confiança humilde.
Nossas razões de medo são incalculavelmente aumentadas pela consciência de nossa culpa e não deixam espaço para qualquer esperança, exceto aquela que se baseia exclusivamente na promessa de misericórdia por meio de Jesus Cristo. Todavia, Deus tem sido graciosamente satisfeito por declarar que se deleita com aqueles que o temem e esperam na sua misericórdia, isto é, que são objetos de sua consideração peculiar e infinita. Estas disposições piedosas devem ser constantemente exercidas em relação aos nossos interesses espirituais. Devemos manter uma santa reverência pela majestade de Deus, e todo humilde deleite em sua misericórdia; um medo do desgosto contra o pecado e uma alegre esperança de perdão através da mediação de Cristo; um receio salutar de que não caiamos em tentação e uma confiança viva na graça de Deus para nos livrar dela; uma profunda solicitude para que não sejamos destituídos de glória eterna, acompanhado de uma tranquila expectativa de que seremos "mantidos pelo poder de Deus pela fé para a salvação".
"Nosso país" é um termo de importação amplo e mais cativante. A poesia cantou seus encantos, o patriotismo foi inspirado por eles, e a piedade os consagrou. "Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua destreza. Apegue-se-me a língua ao céu da boca, se não me lembrar de ti, se eu não preferir Jerusalém à minha maior alegria." O amor de nosso país não é uma mera paixão cavalheiresca e romântica, mas um dos mais nobres sentimentos que podem honrar o homem como membro da sociedade civil. É na comunidade racional que se baseia a grande lei da atração no mundo da natureza. Como isso faz com que as partes de corpos individuais ajam em conjunto, e ao mesmo tempo equilibrem e regulem seus lugares e movimentos nas órbitas que formam o universo; assim também este sentimento generoso preserva a identidade de reinos particulares e impede que os elementos da sociedade se afundem na confusão agitada de um caos geral ou sejam dispersos como por uma força centrífuga em todas as direções possíveis. Este é o fundamento das virtudes públicas, e uma fonte principal de prosperidade pública.
O amor de nosso país nos fará viver para seu bem-estar; produzirá uma profunda solicitude quando esse bem-estar em perigo ou suspense; far-nos-á ansiosos para conhecer as razões que existem para a esperança e o temor em relação a eles, que, se possível, podemos multiplicar os do primeiro tipo, e diminuir o último. O projeto do seguinte discurso é mostrar o que há para o temor quanto à intenção da Divina Providência no que nos concerne, e quais são os fundamentos da esperança.
I. Eu devo exibir fielmente o que parece-me ser motivos suficientes para apreender que Deus pode ainda visitar esta nação com seu justo descontentamento. Em tempos santos e mais prósperos do que aqueles sobre os quais caímos, nos tornaria doentes adotar a linguagem congratulatória da Babilônia no dia de sua prosperidade e no auge de sua grandeza: "Sento-me como rainha; não uma viúva, e nunca verei a dor." As expectativas de tranquilidade imperturbável e prosperidade ininterrupta, em um mundo como este, descansando, como eles devem fazer, em ignorância ou orgulho, são muitas vezes o prelúdio de um reverso melancólico, a calma enganadora antes da tempestade. Muito menos estamos autorizados a satisfazer, nas circunstâncias atuais, a esperança de isenção da calamidade nacional. É verdade, que não estamos envolvidos em guerra duvidosa com qualquer inimigo estrangeiro; nenhum alarme de invasão está circulando pela terra, e a peste e a fome estão à distância. Mas são estes os únicos males que o poder de Deus pode empregar para flagelar uma nação culpada? Não pode ele encontrar dentro de nossas próprias costas os ingredientes de nossa maldição, e reabastecer com eles os frascos de sua ira, e derramá-los sobre nós em um tempo de tranquilidade externa? Não é toda mente agora agitada pelo medo, e nem todos os olhos parecem ver o equilíbrio de nosso destino tremendo na mão da Onipotência? E não há justos motivos para tais medos?
1. Considere a soberania que Deus exerce na disposição das fortunas tanto dos Estados como dos indivíduos. "Ele faz a sua vontade entre os exércitos celestiais, e entre os moradores da terra: o seu reino domina sobre todos, toma reis e os abate como lhe agrada e dá o reino a quem quiser". As coroas da terra, assim como seus escudos, pertencem ao Senhor. Impressionante e humilhante era a sua linguagem para o antigo Israel: "Ó casa de Israel, não posso fazer contigo como o oleiro, diz o Senhor. Eis que, como o barro está na mão do oleiro de Israel." Dependemos de tudo o que constitui grandeza nacional, prosperidade e felicidade, inteiramente sobre a vontade de Deus, e (o que é ainda mais impressionante) dependemos para tudo da sua misericórdia. Somos devedores de tudo o que possuímos. Ele pode lançar-nos para baixo sem injustiça, e enquanto os gemidos da nossa humilhação estavam subindo, dez mil testemunhas imparciais exclamariam: "Justos são os teus juízos, Senhor Deus Todo-poderoso!" Não existe um único artigo sobre o qual possamos exercer um poder tão ilimitado, como o de Deus sobre nós. Certamente essa visão de nossa dependência de um Ser a cujo poder não podemos resistir e cujos propósitos sobre nós são totalmente desconhecidos deve excitar em nós, em todos os momentos, uma disposição muito remota da segurança sem medo.
2. Nossas transgressões nacionais são suficientes para produzir apreensões muito dolorosas. Estou ciente de que as declamações contra os vícios dos tempos foram praticadas e desprezadas em todos os tempos. É lamentável que tal tópico seja necessário, e ainda mais lamentável que ele deve ser desconsiderado quando for necessário. É a última etapa no processo de endurecimento da iniquidade, quando o transgressor ou rejeita com desprezo, ou recebe com indiferença as palavras do fiel reprovador. Que este sintoma de uma consciência cauterizada nunca seja visto no caso de meus compatriotas! Ao falar dos pecados da nação, não vou estabelecer uma comparação entre o presente e qualquer época passada de sua história, muito menos entre sua própria condição moral e a dos países vizinhos. Comparações desse tipo raramente são usadas, senão com a finalidade de coletar combustível para nosso orgulho, ou desculpar nossos pecados. Além de uma decisão em tais casos, onde a operação do motivo, a medida da luz e o grau de assistência; devem ser tomados em conta, é um trabalho muito difícil para qualquer mente, exceto para a do Onisciente. Tome o caso de forma abstrata e diga se não somos "um povo carregado de iniquidade, filhos corruptos, uma semente de malfeitores". "O transbordamento da iniquidade pode muito bem nos fazer temer." Onde o olho do observador cristão descansará, e não haverá motivo para confissão, tristeza e reforma?
Não há pecados escritos pela própria pena da legislatura em meio aos registros de nossas leis, sobre as quais o olho de Deus olha para baixo com desagrado? O jogo não é legalizado no sistema de loterias? A instituição sagrada da Ceia do Senhor não é abusada, degradada, profanada, transformada pelas leis em uma qualificação para cargos seculares? Não é a solenidade de um juramento convertido em uma espécie de juramento profano, por sua repetição nas ocasiões mais triviais, por todos os departamentos da receita? Não há nada em nosso código penal que precise de revisão e correção, para tornar a nossa jurisprudência eficaz na prevenção, bem como na punição do crime? Quando a voz da razão e da revelação será ouvida, e a legislatura terá aquele "entendimento rápido no temor do Senhor", que os moverá com sã indignação para expurgar essas manchas do livro do estatuto?
Os pecados do povo, e apenas esses são pecados nacionais, requerem atenção mais particular. "Considerar os pecados nacionais como meramente compreendendo os vícios dos governantes, ou as iniquidades toleradas pela lei", diz um escritor muito eloquente, "é colocar os deveres de uma época como esta em uma luz muito adversa e muito inadequada. É fazê-los prejudiciais, pois, segundo este princípio, é nosso principal negócio, nessas ocasiões, atacarmos aqueles a quem somos ordenados a obedecer, a descortinar os abusos públicos e a sustentar o ódio e a abominação das supostas desvantagens do governo sob o qual somos colocados, até que ponto tal conduta tende a promover aquele coração quebrantado e contrito, que é o melhor sacrifício do céu, não requer grande sagacidade para descobrir. É, além disso, exibir uma visão muito inadequada dos deveres desta época, porque limita a humilhação e a confissão a um mero escândalo dos pecados que poluem uma nação."
(Nota do tradutor: esta observação está cheia de verdade porque quando maus governantes e líderes se levantam em todos os rincões da nação, isto é muito sintomático de um juízo divino sobre o proceder pecaminoso generalizado do próprio povo. Os governantes e líderes são apenas, em muitos casos, o reflexo do povo que eles governam, sendo ambos culpados aos olhos do Senhor.)
* Veja o Sermão do Sr. Hall, intitulado "Sentimentos próprios da crise atual", pregado em 19 de outubro de 1803, que, além da eloquência transcendente da peroração, contém tanto o que é apropriado ao tempo e às circunstâncias em que vivemos , que sua leitura e circulação não podem ser muito calorosamente promovidas por todos os amantes de seu país.
À frente de nossas transgressões nacionais, e como causa de muitas que depois serão enumeradas, deve-se colocar um triste lamento em relação aos deveres que vinculam um povo colocado sob a mais brilhante dispensação de misericórdia, com a qual Deus sempre abençoou um mundo pecaminoso. Se lermos as Escrituras, veremos que a maior responsabilidade se atribui àquela nação a quem "é enviada a palavra da salvação, o evangelho glorioso do Deus bendito". É o clímax dos privilégios nacionais "conhecer o som alegre". Parece, pois, mesmo de um levantamento geral do povo deste país que eles estão tornando o conhecimento de Cristo "um aroma de vida para vida"? Não é fato que as doutrinas peculiares do cristianismo, encarnadas e expressadas no termo apropriado de "religião evangélica", sejam por multidões negligenciadas, por muitos opostas e por muitos ridicularizadas? Por que para uma grande parte da comunidade é a totalidade da religião resolvida em um mero cumprimento de algumas observâncias cerimoniais, à negligência total da religião do coração; de modo que, embora muitos não respeitem mesmo as formas de piedade, outros estão satisfeitos com as meros formas! Que lamentável miséria vemos ao nosso redor daquela religião que começa na profunda convicção do pecado, intensa solicitude pela salvação eterna, tristeza piedosa que opera arrependimento, humildade evangélica, crença em Cristo para justificação; e que, quando assim iniciada, é levada a cabo pela crucificação das afeições e desejos da carne, e a sujeição de todo o coração e da conduta à lei de Deus, a espiritualidade da mente, a conquista do mundo pela fé, as coisas invisíveis e eternas, as coisas vistas e temporais, a comunhão com as realidades invisíveis, a preparação para as glórias celestiais, a devoção no quarto de oração, a religião familiar, o culto público; e que se deleita com a verdade, a justiça, a mansidão, a temperança, o amor fraternal; fazer o bem a todos os homens, e brilhar como uma luz no mundo! Vemos tal religião como esta sendo abundante? E o que menos do que isso é a religião do Novo Testamento? A negligência das realidades eternas parece-me ser um dos pecados de nosso país. Não foi isso que obteve a sentença de morte da Judeia? Ela não sabia o dia de sua visitação; e como escaparemos se negligenciarmos tão grande salvação?
À negligência da piedade devemos acrescentar a prevalência da IMORALIDADE. Quão geral é a embriaguez, esse vício bestial que escraviza a mente ao corpo, enquanto consome o corpo como no fogo líquido! Quão solene é o pensamento de que as dádivas da providência divina devem ser assim convertidas no meio de transgredir contra o seu Autor e que os produtos da natureza devem ser convertidos em instrumentos de rebelião contra o seu Criador!
Chocantemente comum é o juramento profano! Uma mancha terrível de impiedade atravessa a conversa diária de miríades de ricos e pobres. Muitas vezes foi dito que, em nenhuma nação sob o céu, a profanação dos termos sagrados é tão comum como na Inglaterra. Este pecado não tem sequer a desculpa frágil da gratificação sensual para pleitear em seu nome, e parece inventado sem outra finalidade do que dar expressão e efeito às paixões de inimizade, malícia e vingança. É uma tentativa ímpia, embora impotente, de perseguir o fogo da justiça incensada, de agarrar e lançar aqueles raios da vingança divina, que não devem ser contemplados senão com temor e tremor.
A prostituição feminina foi cada vez mais incrivelmente cometida, ou mais extensamente estendida do que neste dia. Que enxames de criaturas miseráveis rastejam de seus lugares escondidos na hora da escuridão para infestar nossas ruas, e espalhar suas labutas para suas vítimas muito dispostas. Calcula-se que só Londres contém cinquenta mil desses miseráveis seres, que subsistem total ou parcialmente no salário da iniquidade. "Ó vós, que sois de olhos mais puros do que para contemplar a iniquidade, que cena de poluição para vós olhar aberta e perpetuamente!" Os crimes cometidos por esta classe quintuplicaram nos últimos anos.
Venho agora à profanação do sábado; naquele dia de santo descanso, dado em misericórdia ao homem, de imediato para refrescar o seu corpo, usado com esforço, e ajudar a sua alma na busca da salvação. Como são as horas preciosas deste dia desperdiçadas em recreação, negócios e viagens! É provável que nesta cidade, para não ir mais longe por um exemplo, não mais de metade da população, que são impedidos por nenhuma causa incontrolável, assistem às solenidades do culto público. Pode-se dizer em resposta a isso, que não há acomodação suficiente para os habitantes. Mas todos os nossos locais de culto estão lotados em excesso? Nossa igreja e os introdutores de reuniões estão cansados em todos os casos de pedidos de lugares e bancos? Não é manifesto que dezenas de milhares em Birmingham não vão a nenhum lugar de adoração no sábado, apenas por inclinação? Com mais força e propriedade, esta observação se aplicará à metrópole, de onde se verão miríades todos os sábados pela manhã, saindo pelas suas diferentes avenidas para um dia de prazer e recreação no país; que passam pelas portas convidativas do santuário com um sorriso desdenhoso sobre aqueles que se apressam a comparecer diante de Deus em Sião. Onde há uma demanda de acomodação (pelo menos é assim entre os dissidentes), geralmente é encontrada generosidade suficiente, a qualquer custo, para fornecê-lo. É de se temer que o primeiro dia da semana seja dedicado por uma grande parte da parte comercial da comunidade às viagens de negócios; pelos ricos para viagens de prazer; e pelos pobres aos hábitos de indolência. Quem pode ajudar o luto em segredo para os jogos, festas e concertos particulares, que são dados nos círculos de alta vida na moda naquele dia que é ordenado por Deus para ser mantido santo? Seria bom se muitos que são altos e longos em suas declamações contra o crescimento da sedição e impiedade, não desconsiderassem o sábado, incentivando por seu próprio exemplo o crescimento de toda obra má.
Lamento que a acusação de empregar o sábado para o propósito de viajar possa ser trazida com grande justiça contra muitos professantes de religião. Tornou-se, mesmo entre eles, uma prática muito comum voltar para casa de uma viagem no final da manhã de domingo, e partir em uma viagem no início da noite de domingo. No primeiro caso, o dia inteiro é, em certa medida, sacrificado, pois, depois de viajar a noite toda, o corpo não está em condições de permitir muita edificação à mente; e neste último caso, uma parte muito valiosa do dia é perdida para fins de piedade. Qualquer parte do dia é menos sagrada do que outra? A mesma autoridade não ordenou que todas as partes dele fossem mantidas santas? E que exemplo para o mundo! Estou ciente de que a necessidade é por vezes colocada sobre nós neste assunto, mas é muito mais frequentemente feito por nós. Os cristãos em Otaheite são já neste particular os reprovadores dos cristãos na Grã- Bretanha, e nós precisaremos logo de um missionário dos consoles do mar do sul para nos ensinar como observar o sábado!
Há um modo de mostrar desrespeito a esta instituição divina, que tem aumentado muito nos últimos anos; quero me referir ao o sacrifício dela para a discussão política. Os jornais dominicais são uma fonte de mal moral e político, da qual um fluxo silencioso de corrupção há muito percorre a terra e que tem levado, por meio de cervejarias e clubes políticos, a dez mil cabanas, princípios aos quais, senão por tais meios, eles teriam sido felizes estranhos à hora presente. Mas, não nos admiremos nestas coisas, enquanto seus superiores não têm nenhum escrúpulo em frequentar as salas de notícias públicas, ou ler os jornais em casa. A prática dos pobres é apenas a cópia de um quadro que paira sobre eles. É inútil dizer a um homem pobre que ele não tem direito com um papel no sábado; nós devemos mostrar-lhe, por nossa conduta, que nenhum de nós tem um direito com ele naquele dia. A observância adequada do sábado está tão inseparavelmente ligada à moral pública e à piedade, que não há maior pecado nacional do que sua profanação. E se a negligência do sábado se tornar infelicidade em geral prevalecente, veremos a remoção do último montículo que resiste aos transbordamentos da impiedade, por um lado, e as inundações da vingança divina, por outro.
Mencionarei mais uma iniquidade nacional, ou seja, uma saída crescente em nossas transações comerciais dos princípios da integridade estrita. Na verdade, o "princípio", em grande parte, parece ter partido, ao mesmo tempo em que chegou a seu lugar um sistema de crédito falso, de especulação precipitada e ruinosa, de artifício desonesto e truques desavergonhados, até que os professos discípulos de Jesus estejam imitando as práticas dos mais baixos e mais degenerados judeus.
Espera-se, provavelmente, que eu aluda a dois vícios que, embora não sejam nacionais, estão comprometidos até certo ponto na nação. Não, irmãos, infidelidade e sedição nunca foram, nunca confiarei, serem as características dos ingleses. A insubordinação às leis e às autoridades do reino existe, admito, entre uma parte equivocada e iludida, e deve ser excessivamente desagradável à vista daquele Grande Ser que deu sua própria sanção divina à autoridade e aos arranjos do governo humano. "Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação." (Romanos 13: 1-2).
A infidelidade, como se tivesse ficado louca por seu confinamento nos últimos anos, quebrou sua corrente, e com a fúria de um animal selvagem violento, se precipitou para a sociedade, proferindo seus uivos, enviando horror e consternação diante dela, e deixando infecção e morte por trás de si. Muitos foram mordidos por seus dentes, que, por sua vez, comunicaram o contágio a outros, até que o alcance do mal tenha atingido uma extensão que nós estremecemos de contemplar. É, finalmente, esperamos, preso. A multidão é posta em guarda; sabendo o terrível mal que está no exterior, eles têm agarrado as armas da verdade, e vão armados com a "espada do Espírito". Para todos os olhos observadores, a prevalência de sentimentos infiéis tem sido aparente em nossa literatura periódica, nossa poesia atual, nossos hábitos comerciais e o estado de nossa comunhão social; não tanto na forma grosseira e direta que Hume ou Paine demonstraram, mas na irreligião prática, no desprezo sistemático da revelação divina, no desrespeito das instituições religiosas, no ridículo da verdadeira piedade e na ausência de toda reverência à Palavra de Deus, seja como fonte de instrução ou como padrão de caráter.
Tais são uma parte, e somente uma parte dos pecados que pesam pesadamente em nosso país; e eles são atendidos com peculiar agravamento, por causa das misericórdias que temos recebido da mão de Deus.
Numa época em que a atenção pública está tão atenta à nossa aflição nacional, e quando a queixa geral parece implicar um estado de calamidade quase absoluta, parece-me uma propriedade peculiar trazer à tona as muitas misericórdias que ainda nos restam, e que, enquanto agravam os nossos pecados, devem moderar o nosso descontentamento. Os confortos temporais decorrentes de nossas circunstâncias locais não são nem poucos nem pequenos. Nosso clima é temperado, nosso solo fértil, nossos recursos internos como tudo o que constitui riqueza nacional e conforto, inesgotável; nossa situação insular admirável, tanto para o comércio e defesa; e o número, força natural e gênio de nossa população muito considerável. Quão felizmente somos preservados daquelas solenes visitas que tão frequentemente encheram de terror outras terras e transformaram os distritos mais populosos e florescentes no vale da sombra da morte!
Nenhum vulcão nos aterroriza com suas erupções e submerge nossas cidades debaixo de seus rios de lava; nenhum tremor convulsivo do terremoto enterra nossa população debaixo das ruínas de suas próprias moradas; nenhum furacão carrega a desolação através de nosso país; a fome nunca enche nossos vales com os ossos dos milhares que pereceram sob seu reinado; nenhuma pestilência atravessa nossa terra, apressando multidões ao túmulo, e enchendo tudo que permanece com terrores indecifráveis; a guerra, exceto nas formas mais atenuadas, não foi vista em nossas praias por quase um século e meio; e embora tenhamos sido os principais agentes nas cenas incomparáveis de derramamento de sangue e miséria que foram exibidos neste quarto do mundo durante os últimos vinte e cinco anos, ainda temos apenas tomado daquele cálice amargo que outros países têm bebido muito, senão borras; e enquanto todos os países da Europa, além disso, ouviram o ruído confuso do guerreiro, e viram roupas enroladas em sangue, só ouvimos relatos de longe.
Nossos privilégios civis ainda não são muito grandes? Temos uma constituição que, em teoria, é a perfeição da sabedoria política e a admiração do mundo; e embora na prática alguns abusos possam ter desfigurado sua beleza, e o lapso dos séculos pode ter impressionado aqui e ali os sintomas da decadência; ainda é, com todas as suas falhas, uma estrutura grandiosa e venerável que, acreditamos, à mão bruta da violência nunca será permitido assaltá-la, nem que a influência mais insidiosa da prerrogativa seja permitida a pô-la em perigo. Quão imparciais são as nossas leis administrativas! A vida e a propriedade do camponês não são tão seguras quanto as do príncipe? Não temos todos nós repouso em igual segurança sob a poderosa sombra da lei britânica? Que os nossos juízes são fiéis guardiões dos direitos de todos os homens, conforme os acontecimentos do presente reinado, e especialmente dos últimos anos, e mesmo meses, incontestavelmente demonstram.
Nossas misericórdias espirituais são inumeráveis e incalculáveis. Quão grande é a bondade de Deus, que, neste aspecto, se manifestou através de uma longa sucessão de épocas. Há quanto tempo somos favorecidos neste país com o "evangelho glorioso do Deus bendito". Quase assim que os gentios foram admitidos "para serem herdeiros, e do mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo", foram os habitantes selvagens e idólatras da Grã-Bretanha chamados dos sanguinários ritos do druidismo, para a igreja do Deus vivo. O nome do primeiro missionário cristão em nosso país está perdido na obscuridade, mas é universalmente admitido que a verdadeira luz brilhou sobre este canto da terra quando nações, muito mais perto da fonte da iluminação, ainda estavam sentadas na escuridão da idolatria.
Quando o cristianismo foi eclipsado pela densa superstição saxônica, foi novamente restaurado, embora em menor pureza, por mensageiros de Roma. Nas idades subsequentes, quando as crescentes corrupções do papado, como as nuvens sufocantes que João viu saindo do poço sem fundo, tinham quase extinto cada raio de luz celestial, a estrela da manhã da Reforma surgiu em nossa ilha; no ministério e nos escritos do imortal Wickliffe, e este sinal radiante do dia que se aproximava, foi depois seguido pelo esplendor do meio-dia da verdade do evangelho. O jugo do Vaticano foi arrancado do pescoço da igreja inglesa, quando muitas das nações do continente permaneceram ainda em cativeiro. Depois de uma terrível luta, na qual os amigos da verdade suportaram por cento e cinquenta anos de sofrimentos indescritíveis, o mais precioso de todos os direitos de uma criatura imortal foi conquistado do espírito de intolerância e da liberdade religiosa garantida pela lei aos descendentes daqueles heróis, que haviam morrido por ela na prisão e na fogueira. É nossa misericórdia distinta "sentar cada homem debaixo de sua própria videira e figueira, e ninguém ousando fazê-lo temer".
Através do gozo irrestrito dessa bênção, como os meios de instrução religiosa foram multiplicados. Que multidões de ministros santos, fiéis e laboriosos de todas as denominações são continuamente empregados na pregação do evangelho da salvação, e instando a prática de "tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, e que seja de boa fama.”
Se os homens negligenciam a salvação, não é por falta de aviso; se eles se extraviam não é por falta de guias; se eles pecam contra Deus, não é porque não há ninguém para os advertir. Que preocupação universal se manifesta pela instrução da geração em ascensão!
Através da prevalência das escolas dominicais, é agora uma coisa rara se encontrar com uma pessoa com menos de trinta anos, que seja incapaz de ler. Quase todos os filhos dos pobres são levados todos os sábados a essas instituições, onde são ensinados a ler a Palavra de Deus, e conduzidos para ouvi-la sendo pregada.
Além disso, quão geral é a circulação das Escrituras! A Sociedade Bíblica emitiu desde a sua formação entre dois e três milhões de cópias da Palavra de Deus. A Bíblia está na mão de quase todos os indivíduos. Sociedades de toda a descrição possível foram formadas para difundir o conhecimento religioso em cada canto escuro da terra. Comentários sobre as Escrituras, tratados de explicação das doutrinas do evangelho, sermões que cumprem os deveres da revelação, publicações periódicas, em que os apelos foram feitos, na forma de ensaios, para a compreensão e sentimentos do público; artigos religiosos em todas as formas e em números impossíveis de contar, todos foram postos em circulação; eloquência, gosto, gênio, imaginação; foram todos empregados para aumentar a influência e estender as bênçãos da religião. Que trem de misericórdias!
Onde está o país que pode ser comparado com o nosso por privilégios espirituais? Pode-se dizer da Grã-Bretanha, como antigamente era dos judeus: "Deus mostra a Jacó a sua palavra, os seus estatutos e os seus juízos a Israel; ele não tem tratado assim com nenhuma nação". E com justiça igual pode apelar para nós como ele fez com eles, "O que mais eu poderia ter feito por meu povo do que eu fiz?" E, no entanto, afinal, que abundância de iniquidade! Quão infrutíferos estivemos sob toda essa cultura espiritual! Até que ponto as gloriosas verdades do evangelho cristão são negligenciadas, negadas e ridicularizadas! Quão pequena é a porção do verdadeiro conhecimento cristão na terra, e quanto menos ainda o grau de piedade! Como a iniquidade abundou, e o amor de muitos ficou frio! Para formar uma estimativa verdadeira de nossa condição moral, devemos certamente levar todas as nossas misericórdias para a contabilização e calcular o que deve ser a gratidão, a piedade e o zelo de um povo tão eminentemente distinto.
3. Como outro motivo de medo, menciono a visão que Deus deu de seu caráter na Escritura, juntamente com as ameaças que ele denunciou contra o culpado. Sua santidade forma um traço conspícuo de seu caráter, como está delineado na página de inspiração. Tal é a sua pureza, "que os próprios céus são considerados imundos aos seus olhos". O pecado é a única coisa em todo o universo que Deus odeia, e isso Ele abomina onde quer que o descubra. Com nosso entendimento limitado e fracos poderes de percepção moral, é impossível formar uma ideia adequada do mal do pecado ou da luz em que é contemplado por um Deus cujo entendimento é infinito e cuja pureza é imaculada.
A lei que os homens estão pisando todos os dias, igualmente sem consideração, sem razão e sem penitência, é mais sagrada aos seus olhos, como a emanação e a transcrição de sua própria santidade. Ele também é onipresente e onisciente. Não há um recanto da terra de onde ele é excluído. De cada cena de iniquidade ele é testemunha constante, embora invisível. Toda a massa da culpa nacional, com cada detalhe minúsculo dela, está sempre diante de seus olhos. Sua justiça, que consiste em dar a todos o que lhes é devido, deve incliná-lo a punir a iniquidade, e seu poder lhe permite fazê-lo. Ele é o governador moral das nações, e preocupado em submeter sua providência à exibição de seus atributos; e se um povo tão altamente favorecido como nós somos, apesar de nossos múltiplos pecados, escaparmos sem castigo, alguns não estarão prontos a questionar a equidade, senão o próprio exercício de sua administração?
Suas ameaças contra os ímpios são encontradas em quase todas as páginas da Sagrada Escritura. "Desde o dia em que foi edificada até agora, esta cidade despertou a minha ira, para que eu a remova dos meus olhos!" "Se andares contrariamente a mim", disse Jeová aos judeus, "eu andarei contra vós". Ao mesmo povo declarou em outro tempo: "Se fizerdes mal, sereis consumidos, tanto vós como o vosso rei." "A sua prata e o seu ouro não poderão resgatá-los no dia da ira do Senhor, e toda a terra será consumida pelo fogo do seu zelo, porque Ele fará um final completo, sim, horrível de todos os habitantes da Terra." As ameaças da Bíblia também não são vistas à luz de meros terrores irreais, como nuvens e tempestades que o lápis do poeta introduziu no quadro; as criaturas de sua própria imaginação, e que só pretendia excitar a imaginação dos outros. Não, irmãos, são realidades solenes, destinadas a operar pela sua denúncia como um cheque sobre a tentação; para serem suportadas em sua execução como um castigo por nossos pecados!
4. O exemplo que Deus fez de outras nações, pode muito bem nos alarmar. Se reinos como tais, são sempre punidos por seus pecados, deve ser no mundo presente, onde sozinhos eles existem em sua forma coletiva. As solenidades do futuro dia do juízo destinam-se à humanidade em seus personagens pessoais e reais. Todas as associações humanas, famílias, igrejas, estados, serão então fundidas em uma massa geral de indivíduos, e cada homem, em meio a milhões em torno de si, será julgado separadamente. Se a vara da ira divina repousar sempre sobre um corpo coletivo, ela deve estar no estado atual das coisas; e a Escritura nos dá muitos exemplos em que isso aconteceu. Conservou um relato, na história ou na profecia, a queda de quase todos os principais impérios, reinos e cidades da Antiguidade; e isso, não como uma mera crônica do evento, mas como uma grande lição moral para o mundo. Ela nos informa cuidadosamente que o pecado foi a causa de sua ruína. Não nos deixa chegar a esta verdade por qualquer inferência laboriosa e duvidosa, mas proclama que as guerras e os cercos, o derramamento de sangue e as misérias, que terminaram em sua dissolução, devem ser considerados por todas as épocas sucessivas como uma exposição terrível da má natureza do pecado, escrita pelo dedo de Deus sobre a tábua da história da terra!
Visitem, imaginando, meus compatriotas, os lugares onde muitas dessas cidades estiveram, e vocês não verão mais que o gênio da desolação perseguindo como um espectro através da planície, levantando os olhos para o céu e exclamando, em meio ao silêncio que reina ao redor, "O reino e a nação que não te servirem, perecerão completamente". Como você está em outros lugares entre os fragmentos de uma grandeza que partiu, como suspira através das ruínas, que parecem dizer, como uma voz do sepulcro, "Veja, portanto, e sei que é um mal e uma coisa amarga pecar contra o Senhor."
Como exatamente as ameaças de Deus foram feitas aos judeus, embora fossem seu povo escolhido, e a semente de Abraão, seu amigo. Quase dezoito séculos a ira de Deus brilhou sobre os montes da Judeia, como um farol contra a iniquidade; enquanto as tribos que uma vez repousaram em honra e paz em seus vales frutíferos, estão espalhadas por todas as terras como testemunhas vivas da verdade da revelação e monumentos vivos dos terrores da justiça divina. E as ameaças feitas pelo Filho de Deus a João, em sua isolada ilha, contra as sete igrejas da Ásia, não foram todas executadas com uma exatidão que rouba a todos os pecadores sua última esperança de impunidade. Essas lâmpadas estão todas apagadas, o castiçal é removido do seu lugar; essas próprias cidades, algumas delas, são abandonadas às raposas e às corujas; o Evangelho é substituído pelo Alcorão; o Sol da Justiça se pôs sobre as cenas de trabalho apostólico, e em seu lugar o crescente do impostor árabe derrama sua pálida luz desastrosa. Diga-me se a Grã-Bretanha não merece o mais severo de seus destinos, se depois de vê-los descer sucessivamente à poeira sob o poder da iniquidade, ela não aceitar a advertência e, evitando a causa de sua ruína, evitar a sua própria.
5. Podemos olhar para a situação atual do país sem entreter as apreensões mais graves? Não é um alarme falso que agora soa em nossos ouvidos; todas as partes concordam que estamos em uma situação mais crítica, da qual nada pode nos livrar, senão uma interferência da Providência, que não sabemos como descrever ou esperar. Um comércio reduzido quase à estagnação, uma lista da bancarrota que aumenta continuamente, um crédito declinando, uma carga da dívida nacional, e uma tributação quase esmagadora, contudo insuficiente para encontrar-se com as exigências do estado, um tesouro esgotado, e uma administração em uma perda como a rápida remoção do capital britânico para ser investido em títulos estrangeiros, centenas de milhares de nossa população trabalhadora apenas metade empregada e, consequentemente, reduzida à maior angústia, uma facção inquieta aproveitando as tristezas dos pobres, um distrito populoso em um estado que faz fronteira com a insurreição, o Governo fazendo usurpações em nossa liberdade, para nos defender da anarquia, a divisão de opinião que existe tanto quanto às medidas políticas e financeiras que são necessárias para nossa segurança, e para concluir, a partida esperada desse venerável monarca, que, em seu caráter amável, preservou um centro de união para o país, e que, embora há muito escondido de nossa vida, enviou de sua profunda e afetiva reclusão, na lembrança de suas virtudes, uma influência plástica, que insensivelmente moldou nossos corações à lealdade. Com tal imagem diante de nossos olhos (e não está muito sombreada), o coração mais forte pode tremer, e todos olham ansiosamente para o futuro desconhecido, mas pressentido.
II. Mas é tempo de buscar uma fonte de CONSOLAÇÃO e de perguntar se não há motivos para esperar que o Senhor ainda se levante e tenha misericórdia da Grã-Bretanha. Graças a Deus, há muitas manchas brilhantes ao longo do horizonte escuro para encorajar nossas esperanças de que as nuvens ainda serão dispersas, e que seremos preservados da tempestade. No que se refere às causas secundárias, deposito demasiada confiança no bom senso, na lealdade, no patriotismo do povo inglês, para imaginar que permitirão que sua inviolável constituição seja violentamente derrubada pela anarquia, por um lado, ou gradualmente minada por tirania do outro. Espero que, se a paz do mundo continuar, e especialmente a nossa tranquilidade interior, restauraremos nossas dificuldades comerciais e financeiras e superaremos a maré de nossa prosperidade. Mas nossa expectativa deve ser de Deus, afinal. Não devemos confiar em um braço de carne, mas no Deus vivo, "que se deleita em misericórdia, e não aflige voluntariamente os filhos dos homens". Há muitas razões pelas quais devemos equilibrar nossos medos com nossas esperanças, das quais eu seleciono o seguinte.
1. A longa série de libertações que Deus tem feito para este país. Nós, de fato, sempre fomos o berço da sua Providência; os registros de nossa história estão repletos de instâncias de interposição divina em nosso favor. Além da nossa emancipação precoce, primeiro, do jugo da idolatria e depois do domínio do Papado, que libertações de cada um temos experimentado posteriormente!
Desde a Reforma até a Revolução, foram feitos esforços incessantes para roubar o país de seus mais valiosos privilégios, da tirania civil, por um lado, e da usurpação eclesiástica, por outro. Tornou-se quase obsoleto agora falar da Armada Espanhola e da trama da pólvora, mas nem esses esquemas profundos contra a religião protestante, nem os projetos igualmente malignos dos Reis Stuart contra a nossa liberdade civil, deveriam ser permitidos afundar no esquecimento. Nós merecemos todos os terrores que esses eventos produziram na mente de nossos antepassados, se permitirmos que a memória deles pereça. Voltemos, muitas vezes, àquela época ilustre, quando nosso misericordioso Deus salvou a Grã-Bretanha da escravidão à qual seu monarca enfatuado a estava conduzindo e, tendo-o banido como um pária do país, nos deu em lugar dele aquele ilustre Príncipe, que ascendeu ao trono vago, como com a declaração de direitos em uma mão e o ato de tolerância na outra. As rebeliões de 1545, em favor do Pretendente, são raramente pensadas por nós, mas fizeram nossos antepassados temerem para a segurança de tudo que era caro a eles.
Para chegar aos nossos tempos, quem pode esquecer os alarmes que atravessamos desde a Revolução Francesa? Nunca teve este país, desde o período da Conquista, tal luta pela sua existência como um reino independente. Um inimigo surgiu cujo poder num momento parecia quase tão ilimitado como sua ambição, enquanto ambos juntos estavam dirigindo seus esforços extremos contra nós. Como Hamã, que considerava todas as suas honras, mas como nada enquanto Mordecai não fosse humilhado, ele considerava todas as suas conquistas com insatisfação enquanto a Inglaterra era livre. Ao subjugar o resto da Europa, ele parecia não ter outro objeto senão convertê-la em um imenso armazém, do qual recolher os materiais de nossa ruína. Vimos o seu progresso com consternação, e como ele quebrou o poder de um estado após outro, e vimos o mal se aproximando cada vez mais perto de nossas próprias costas. A libertação, no entanto, chegou finalmente, e de uma maneira que mostrou que era inteiramente de Deus. "Ele envia o seu mandamento pela terra; a sua palavra corre mui velozmente. Ele dá a neve como lã, esparge a geada como cinza, e lança o seu gelo em pedaços; quem pode resistir ao seu frio? Manda a sua palavra, e os derrete; faz soprar o vento, e correm as águas; ele revela a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e as suas ordenanças a Israel. Não fez assim a nenhuma das outras nações; e, quanto às suas ordenanças, elas não as conhecem. Louvai ao Senhor!” (Salmos 147: 15-20).
Ele soltou sobre nosso antagonista todos os terrores e forças do inverno; ele fez dos elementos nossos aliados, e derramou sobre ele o granizo e a neve que "ele tinha reservado para o tempo de angústia, para o dia da batalha e da guerra". Não foi por força humana nem pelo poder, tanto quanto pela ação do Senhor, que o orgulho da França foi humilhado, e nossa própria libertação efetuada. "Foi obra do Senhor, e é maravilhosa aos nossos olhos." Finalmente, porém, o inimigo poderoso foi completamente subjugado pela instrumentalidade desse reino, que ele tão frequentemente ameaçara aniquilar, e foi abandonado na ilha de Santa Helena, e deixado a ser presa de suas próprias reflexões.
Ora, embora não possamos concluir peremptoriamente sobre o que Deus tem feito; que ele continuará a fazer o mesmo, especialmente porque nós merecemos tão pouco. No entanto, podemos imitar a conduta do salmista e, no meio de nossas dificuldades, "lembrarmo-nos dos anos da destra do Altíssimo". Casos de libertação do passado ilustram o poder e a misericórdia de Jeová; e nos encorajam a confiar em ambos. Quantas vezes os israelitas se dirigiram a fortalecer a sua confiança no Senhor, olhando para trás em todo o caminho em que ele os tinha levado através do deserto; e para provar por novos atos de livramento, que seu braço não foi encurtado, nem seu ouvido se tornou pesado. O primeiro dever que devemos a Deus ao receber um favor é ser grato; a seguir, deduzir dele um motivo para confiar nele para o futuro. A piedosa sugestão de uma mulher israelita pode provavelmente ser aplicada, sem presunção, ao nosso caso como nação: "Se o Senhor quisesse nos matar, ele não teria recebido uma oferta queimada em nossas mãos, nem teria mostrado todas essas coisas."
2. O número de verdadeiros cristãos na terra é um agradável e forte campo de esperança. Em meio à abundância da iniquidade, graças a Deus, não descobrimos um grau pequeno de piedade genuína. Provavelmente não há sobre a superfície do globo um lugar onde, dentro dos mesmos limites, se encontrem tantos daqueles a quem "a graça que traz a salvação, ensinou a viver sóbria, justa e piedosa neste presente mundo mau." Referindo-nos às Escrituras, aprendemos este sentimento importante, que Deus frequentemente confere favores ao culpado por causa dos justos. Em alguns casos, os juízos divinos teriam sido totalmente evitados de sobre um povo, se houvesse entre eles um pequeno número de amigos de Deus. Ele teria poupado Sodoma por causa de dez justos, e disse em séculos posteriores a Jeremias: "Corra de um lado para outro pelas ruas de Jerusalém, olhe e observe! Procure nas suas esquinas para ver se consegue encontrar um homem, um que faça justiça e busque a verdade, para que eu possa perdoá-la ." (Jeremias 5: 1).
Às vezes a ira de Deus foi adiada por causa dos justos. Havia paz nos dias de Ezequias, ainda que tempos terríveis viessem. A Josias foi prometido que ele iria para o túmulo em tranquilidade, e não veria o mal que estava por vir sobre a Judeia. A vingança do Altíssimo é frequentemente atenuada, e encurtada em sua duração; por conta dos piedosos. "Por causa dos eleitos", disse Cristo, ao referir-se a tempos de grande tribulação, "esses dias serão encurtados". Em um caso, encontramos um país liberto dos horrores da invasão e do pavor da subjugação iminente, por consideração a um santo que estava morto há quase três séculos. "Porque eu vou defender esta cidade para salvá-la", disse Jeová, quando Jerusalém foi ameaçada pelo exército assírio sob Senaqueribe, "por minha causa e por causa do meu servo Davi".
Os favores temporais foram conferidos a algumas pessoas por puro respeito aos santos indivíduos com os quais estavam conectados. Labão prosperou porque Jacó estava a seu serviço, e o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José. E em quantos casos as bênçãos espirituais foram mantidas em cidades, vilas e aldeias, por causa daqueles que tinham piedade suficiente para valorizá-los e usufruí-los. Quando Paulo teria partido de Corinto, ele foi detido ali por uma revelação de Deus para este efeito, "Eu tenho muitas pessoas nesta cidade". Esses são exemplos suficientes para estabelecer a verdade do princípio geral, de que os ímpios são muitas vezes abençoados por causa dos justos, e para garantir a crença de que se pudéssemos perscrutar os segredos do governo divino, ficaríamos espantados ao descobrir uma influência extensa que os amigos do céu possuíram nos arranjos da providência e nos destinos das nações. Também não é difícil atribuir os fundamentos do presente processo. Não é um testemunho público suportado por Jeová de seu amor por seu povo e sua aprovação de seus princípios? Nada é mais comum entre os homens do que conferir um favor a um estranho, ou um inimigo, por causa de um amigo; nem sentimos nada para ser um sinal mais forte de respeito, do que uma bondade mostrada a outro por nossa conta. Nesse princípio, o Senhor age em referência aos justos; são os filhos de sua adoção, e os favoritos de seu coração, a quem pedem, e em nome dos quais, às vezes, ele dá seus favores aos outros. É assim também que ele honra a oração. "Procuro por um homem entre eles", disse ele a Ezequiel, "que deve fazer a cerca e ficar na brecha diante de mim para a terra, para que eu não a destrua." Os justos respondem à descrição que aqui é dada, e chegam à requisição do Senhor. Eles estão no espaço, através do qual seus julgamentos estão chegando sobre a terra, e cercam seu país com uma cobertura de orações. Eles levam as calamidades públicas com eles para o quarto da devoção privada, e fazem-no nas épocas da santa reclusão o assunto de sua súplica fervorosa ao trono da graça; e como um rio que transporta fertilidade e riqueza através de uma terra, deve ser rastreado até uma fonte que borbulha acima nos recantos escondidos de alguma densa floresta, e assim que são muitos os córregos de bênçãos nacionais encontrados emanando da câmara onde o cristão luta em oração com seu Deus.
A Escritura nos assegura que "a oração fervorosa e eficaz de um homem justo aproveita muito". Parece haver uma crença muito forte na mente dos homens em geral, que os santos têm "poder com Deus", e um interesse considerável na corte do céu. Portanto, quando os ímpios estão em circunstâncias de angústia, e especialmente quando a morte os olha na cara, eles estão mais ansiosos para desfrutar as orações dos piedosos; faraó pediu as orações de Moisés; e Simão Mago pediu a intercessão de Pedro.
Os justos têm grande influência no destino de uma nação, ao se oporem e restringirem a iniquidade que traz os juízos de Deus sobre a terra. Como é o pecado de um povo que o deixa aberto à ira; os que desejam se livrar da vingança divina devem evitar o pecado. Quem são as pessoas que mais impedem o pecado? Os piedosos! Eles o repreendem pelo seu testemunho, o desprezam com o seu exemplo, o reprimem com a sua autoridade. Todo homem santo é um impedimento para a prevalência universal da iniquidade! À medida que a maré da depravação se aproxima dele, levando consigo a desolação, ele, na verdade, diz-lhe: "Até aqui irás, e não irás mais adiante, e aqui as tuas ondas orgulhosas serão interrompidas".
E, além da santidade pessoal, ele se aproveita de todos os meios bíblicos e racionais para a supressão do vício e do erro. E enquanto os justos, fazendo tudo para suprimir a iniquidade, estão diminuindo as causas do desagrado divino contra uma terra, eles ao mesmo tempo aumentam os objetos e fortalecem os fundamentos da amável consideração de Deus, pela propagação da verdadeira religião. A piedade vital, como qualquer outra coisa viva, contém um princípio de disseminação, e seu possuidor nunca mais exibe ou goza de sua influência do que quando movido pelo desejo filantrópico de estender seus benefícios aos outros. Uma preocupação zelosa pela glória de Deus e os melhores interesses de seus semelhantes, o levam a aproveitar todas as oportunidades adequadas para ampliar o domínio e aumentar os assuntos da verdadeira religião. Com isso, ele multiplica na nação aqueles que são amigos e favoritos de Deus, e continua levantando outros ao seu redor cujos louvores e piedade estão subindo continuamente em nuvens de incenso para o céu e retornando novamente sobre a terra "em chuvas de bênçãos."
Há ainda outra razão pela qual os justos têm essa influência em trazer favores sobre os outros, ou seja, para manter uma analogia entre a ordem da providência e a doutrina da graça. É o princípio peculiar e identificador da dispensação da graça; conferir benefícios ao culpado por causa dos justos. Deus não "fez Cristo ser pecado por nós, que não conheceu pecado, para que sejamos feitos nele a justiça de Deus?" Pela justiça de um, o dom gratuito veio sobre todos os homens para justificação da vida. Pela desobediência do homem muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. Qual é a salvação do pecador, sobre o plano do evangelho, senão dando a vida eterna aos ímpios; por causa daquele que era completamente santo? Que glória e honra ilimitada conferirá a nosso Senhor crucificado, ressuscitado e ascendido, quando os santos forem vistos no último dia lançando suas coroas a seus pés, reconhecendo com gratidão; que foi por causa dele que todos foram salvos. Não é então uma analogia impressionante que, como os benefícios espirituais e eternos são conferidos aos pecadores por causa de Cristo; assim os santos são honrados nos arranjos da Divina Providência, por terem benefícios temporais concedidos por eles ao mundo. Com esta visão da influência importante e benéfica difundida pelos santos sobre os interesses dos países em que vivem e, ao mesmo tempo, lembrando quão grande é o seu número nesta terra, não posso deixar de dar uma agradável esperança na Divina misericórdia, que ainda seremos poupados das calamidades que as circunstâncias existentes e a apreensão pública poderia de outra forma nos levar a esperar.
(Nota do tradutor: é deveras impressionante a eficácia e o poder que somente a obra realizada por Jesus em nosso possui para satisfazer plenamente as justas exigências da justiça divina quanto à condenação relativa ao pecado, pois está escrito que:
“15 Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.
16 Também não é assim o dom como a ofensa, que veio por um só que pecou; porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.
17 Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
18 Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida.
19 Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos.” (Romanos 5.15-19).
Aqui se contrasta “muitos” com um “só”.
Uma só ofensa (a de Adão) trouxe maldição, juízo e morte sobre todos. Mas é de tal ordem a graça e o dom de Deus para os pecadores arrependidos, que há na morte e ressurreição de Cristo, que somente isto sem a necessidade de qualquer acréscimo, é suficiente para remover a maldição, o juízo e a morte, e em seu lugar justificar e dar vida eterna ao que crê.
Se a desobediência de Adão trouxe condenação e morte, e todos se tornaram desobedientes como ele, a obediência de Jesus trouxe libertação e vida para todos os que nele creem.
Há então esta bênção divina trazida para muitos, em livramentos de juízos divinos imediatos, quando se vê a obediência de Jesus sendo expressada na vida dos crentes, quando estes andam em santidade de vida.)
3. A grande mudança moral que Deus está nos empregando para efetuar no mundo, é outra base de esperança. O trabalho feito para Deus raramente não é recompensado. "Ele não é injusto para esquecer nosso trabalho de amor." Ao referir-se ao ato de Fineias em matar Zimri e Cozbi, encontramos ele usando a seguinte linguagem: "Fineias desviou a minha ira dos filhos de Israel, enquanto ele estava zeloso por mim entre eles, que eu não os consumi." Também somos informados disto no zelo de Josué na detecção e execução de Acã, "o Senhor se desviou da fúria de sua ira". Há poucas dúvidas de que a piedade de Josias em reformar a religião e destruir a idolatria, que era tão generalizada na terra, teve uma influência considerável em manter fora os juízos do Senhor durante sua vida. A Escritura foi ainda mais longe disto, ao nos informar que o serviço de um príncipe pagão, ao executar os juízos do Senhor sobre seus inimigos, embora não fosse movido por nenhum outro motivo além de sua própria ambição, não passava despercebido ou não recompensado pelo Todo-Poderoso. "Filho do homem, Nabucodonosor, rei de Babilônia, fez com que o seu exército prestasse um grande serviço contra Tiro. Toda cabeça se tornou calva, e todo ombro se pelou; contudo não houve paga da parte de Tiro para ele, nem para o seu exército, pelo serviço que prestou contra ela. Portanto, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu darei a Nabucodonosor, rei de Babilônia, a terra do Egito; assim levará ele a multidão dela, como tomará o seu despojo e roubará a sua presa; e isso será a paga para o seu exército. Como recompensa do serviço que me prestou, pois trabalhou por mim, eu lhe dei a terra do Egito, diz o Senhor Deus.” (Ezequiel 29: 18-20)
Os atos públicos de zelo, então, para a glória e serviço de Deus, prestados a ele na maneira de cumprir seus propósitos, parecem ser peculiarmente aceitáveis aos olhos de Deus, e muitas vezes derramam sua bênção não apenas naqueles por quem são realizados, mas também em outras pessoas ligadas a eles. Os perversos às vezes são poupados para ajudar os justos a realizarem esta obra, como os gibeonitas eram reservados para ser cortadores de madeira e carregadores de água, para uso da congregação. Essa parte das visões apocalípticas é muitas vezes realizada, em que a terra foi vista ajudando a mulher. Muitos que estão totalmente destituídos de religião real podem prestar um serviço essencial à grande obra de propagá-la no mundo. Raramente apareceu um homem mais perverso do que Henrique VIII, mas foi o instrumento da reforma. Ciro, um pagão, soltou os cativos do Senhor, para edificar a cidade e o templo. Dario, Artaxerxes e Assuero apoiaram Daniel, Neemias e Mardoqueu, em seus esforços piedosos e zelosos.
A Inglaterra tem sido por muito tempo um asilo ao qual, de todas as terras, os pés dos oprimidos dirigiram seu curso para obter proteção, e a que "o olho implorante da miséria" foi tirado de quase cada cena da miséria humana. Mas, ela não é apenas a benfeitora das nações, ela sustenta um caráter ainda mais alto, mais sagrado e mais importante, pois também é seu evangelista. Quando Jeová a colocou em seu assento rochoso no meio do oceano, e enviou o comércio para derramar seus tesouros em seu colo, e permitiu que ela tomasse o Oriente e o Ocidente como uma possessão, e a fizesse temida por toda a terra, e deu as artes e as ciências para ser seus assistentes, e a liberdade religiosa e civil para ser os filhos de sua adoção, e pôs a Bíblia em sua mão; foi com esta admoestação mais impressionante: "Por esta causa eu te criei, para ser uma luz para iluminar os gentios, e para ser minha salvação até os confins da terra."
Em certa medida fiel ao seu chamado, ela está neste momento carregando a tocha da verdade, acesa na fonte da iluminação celestial, nos "lugares escuros da terra", enviando escudos de misericórdia para "as habitações da crueldade"; rasgando "o véu da cobertura sobre todas as nações" e preparando para as tribos famintas da terra, a festa das coisas gordas no monte do Senhor". Por suas escolas dominicais ela está esclarecendo as mentes e reformando as maneiras e a moral das classes mais baixas em casa; por suas sociedades bíblicas, ela está ajudando o mesmo projeto benevolente e, ao mesmo tempo, despertando as igrejas adormecidas da Europa e enviando a preciosa Palavra de Deus até os confins da terra; e por suas instituições missionárias ela está voltando as nações pagãs "e seus ídolos mudos para servir ao Deus vivo e verdadeiro."
Os esforços bem-sucedidos que os cristãos britânicos fizeram em cada denominação evangélica para difundir a luz do cristianismo sobre a face do globo não encontram paralelo na história de nossa religião desde suas primeiras idades. Nem estas operações são suspensas ou diminuídas pelas dificuldades dos tempos. Os fundos das diferentes sociedades religiosas nunca foram maiores. Nesta época de nossa depressão, quando os ventos e as ondas parecem não mais como antigamente quase exclusivamente empregados para trazer-nos riqueza; quando nossas frotas estão nas docas, em vez de transportar nossa mercadoria a cada porto estrangeiro; quando o tecelão se senta para olhar com olhar desesperado para o tear; agora, nosso país está compartilhando com os idólatras, a renda de sua pobreza e empregando seus recursos diminuídos para estender a influência e os benefícios de sua fé.
O espírito missionário é o anjo da guarda de nossa nação, e preserva um símbolo muito auspicioso, ao qual os piedosos transformam num olho esperançoso. Não que esses esforços justifiquem quaisquer reivindicações sobre Deus, no caminho do mérito, mas eles parecem interpretar suas dispensações e revelar seus desígnios.
III. Vou agora enumerar os deveres que nos incumbem, que devem ser deduzidos a partir deste assunto, conforme apropriado para a nossa situação.
1. Devemos reconhecer devotadamente tanto a fonte quanto a justiça de nossas calamidades. É verdade que, em todos os casos de calamidade que admitem a operação de segundas causas, é nosso dever olhar para eles com um olhar perscrutador, pois a origem dos males que nos afligem é muitas vezes encontrada nos pecados que nos desonram, e a própria remoção de nossas angústias depende, sob Deus, de nós mesmos. Uma tentativa de desenvolver as causas mais ocultas que influenciam o destino das nações é um exercício dos poderes mentais mais nobre do que qualquer outro, na medida em que abrange o campo mais amplo e agarra uma cadeia cujos elos são os mais numerosos, complicados, e afiados. Mas, quando chegarmos a estes, não vamos supor que isso supere a necessidade de reconhecer a interposição do Supremo Governador; pois admitindo que as calamidades de uma nação são as consequências naturais de certos movimentos no corpo político, efeitos que seguem as causas da conexão estabelecida, ainda assim a pergunta pode ser feita; não foram os movimentos originais, as causas primárias, designados por Deus; para que possamos sentir as consequências e os efeitos que se seguem? Seja o longo estado de guerra em que estávamos engajados, ou a transição da guerra para a paz, ou o excesso de máquinas, ou certos desajustes financeiros; ou todos estes juntos, que produziram a nossa atual angústia, no caminho do ensino secundário. Não nos esqueçamos de olhar para aquele grande Ser pelo qual todas as causas inferiores e dependentes estão dispostas para cumprir seus propósitos, seja de misericórdia ou de vingança. Sua vara não é menos para ser reconhecida, porque nossas próprias loucuras às vezes fornecem seus materiais. Não há nada que ele mais obviamente pretende por seus julgamentos, do que produzir uma profunda impressão de seu próprio domínio. Cuidemos, pois, de não trazer sobre si o mal que é denunciado contra aqueles que "não se preocupam com a obra do Senhor, nem consideram a operação de suas mãos". Ao examinar, sentindo e deplorando as angústias dos tempos, não deixe de perceber nessas coisas a mão corretiva do Senhor. E enquanto fazemos isso, vamos confessar a justiça de seus negócios. Consideremos as nossas grandes e múltiplas transgressões contra ele. "Vocês, por nossos pecados, estão justamente descontentes", é a linguagem que melhor nos convém.
2. Devemos aprender a formar a partir deste assunto uma estimativa certa da influência poderosa exercida por causas morais; sobre o destino e a prosperidade das nações. Nós já consideramos a ordem do governo divino, ao conceder favores em algumas ocasiões, por causa dos justos; mas, além disso, a justiça em si tem uma tendência natural para promover os interesses de uma nação. Nas teorias e especulações que estão sempre à tona quanto às causas da prosperidade ou do declínio dos impérios; muito pouco se tem em conta as de tipo moral. Formas de governo, códigos de leis, sistemas de jurisprudência, estado das artes e ciências, regulamentos comerciais, financeiros e políticos, têm cada um a sua própria operação apropriada; mas há outra fonte de influência, menos óbvia, embora não menos poderosa do que estes, e da qual todos dependem por grande parte de sua eficácia, quero me referir ao estado da virtude cristã.
As instituições mais sábias da política humana podem fazer pouco para um povo entre o qual falta esse grau de princípio que é necessário para assegurar-lhes uma direção correta e um bom resultado. A prevalência do vício em um país, que é abençoado em outros aspectos com todas as vantagens de ser grande e feliz; é como a corrosão de um câncer interno sobre uma das melhores formas humanas, colocada em uma situação saudável e possuindo todas as fontes de riqueza e grandeza; apesar de toda vantagem externa, e enquanto a beleza enganosa está sobre o semblante; os princípios da deterioração interior estão em operação contínua.
A prevalência do pecado prejudica os interesses de uma nação de maneiras inumeráveis; circula a doença no sangue da vida do estado através de cada parte do sistema, da coroa da cabeça à sola do pé. Diminui o rendimento por um lado ou o aplica mal por outro; ela seca o gênio, reduz a força, paralisa a indústria e dissipa a riqueza da população; destrói a confiança mútua, elimina as únicas garantias para a direção correta das energias públicas e das instituições públicas. Em suma, a prevalência do pecado extingue todos os princípios de honestidade, justiça, verdade, sobriedade e subordinação, que são as sementes da prosperidade nacional; e encoraja o crescimento de uma classe de sentimentos que derrama influências venenosas ao seu redor.
Um país onde o princípio cristão está em um baixo declínio, não pode ser uma nação feliz; e não pode ser, por uma longa série de anos, uma grande. Se o Império Romano possuísse mesmo as virtudes parciais e defeituosas da República, teria resistido aos ataques dos bárbaros do norte, cujos sucessivos exércitos teriam sido derrotados pelo antigo valor e patriotismo romanos; como Pirro, Hannibal e os gauleses foram conquistados diante deles. Poder-se-ia citar exemplos da história moderna, nos quais, quando os eventos mais auspiciosos se apresentavam para beneficiar um povo, não tinham virtude suficiente para garantir um resultado feliz, mas converteram os próprios meios que os abençoariam numa fonte dos mais pesados maldições.
Um prelado inglês, em uma obra que honra o intelecto humano, demonstrou mais claramente a tendência natural da virtude nacional, não só para a prosperidade, mas para o poder. "Poderíamos nós", observa Butler, "supor um reino ou sociedade de homens sobre a terra universalmente virtuosos por uma longa sucessão de épocas, é fácil conceber qual seria sua situação interna e qual a influência geral que tal comunidade teria. Teriam no mundo a título de exemplo e a reverência que lhe seria paga, claramente superior a todos os outros, e as nações deveriam gradualmente ficar sob seu domínio, não por meio de violência ilegal, mas em parte pelo que seria permitido ser uma conquista justa, e em parte por outros reinos se submeter voluntariamente a ela, e buscando sua proteção um após o outro em sucessivas emergências."
Em vez disso, de ter nossa atenção absorvida na contemplação das causas políticas da prosperidade e da adversidade nacionais, olhemos com mais intensidade para aquelas de natureza moral e espiritual. Cada amigo de seu país, de acordo com a medida de sua capacidade e na linha mais direta de sua influência, trabalhe para consolidar a força de nosso império pelo poderoso cimento do princípio religioso. Em meio às melhorias na agricultura e no comércio, nas artes e na fabricação, na jurisprudência e nas finanças; lembremo-nos de que, sem um aumento da verdadeira retidão bíblica; não há nada sólido, nada duradouro. O que quer que aumente, se, ao mesmo tempo, a infidelidade e a irreligião aumentam com ele, é apenas a expansão de uma bolha que, quanto mais inflada, se aproxima mais rapidamente do momento de sua dissolução!
3. O arrependimento e a reforma pessoal são eminentemente apropriados à época atual. Vimos que é pecado, sob a influência da qual os interesses de uma nação murcham e morrem, como uma árvore que foi ferida com a explosão do céu. Não pode haver pouca esperança para nós na misericórdia de Deus, a não ser que "o ímpio abandone o seu caminho, e o homem injusto seus pensamentos, e todos abandonem o seu mau caminho e a violência que está em suas mãos e clamem poderosamente a Ele. E quem então pode dizer, senão que Deus se voltará e se arrependerá, e afastará a sua ira feroz de nós!
Como a maldade nacional é constituída pelos pecados dos indivíduos, deve ser diminuída pela penitência e reforma individual. Que cada um de nós, por si mesmo, diga: "De que maneira estou contribuindo para o estoque geral de culpa?" O que há na minha conduta que tende a irritar Deus com o país? Onde eu acumulo a vingança divina sobre a terra?" Não vamos fundir nossa individualidade na multidão. É muito vão e hipócrita lamentar a depravação geral, enquanto nossas transgressões particulares escapam ao nosso conhecimento! Tais "lamentações gerais" são muitas vezes usadas como uma composição fácil para o dever mais severo de arrependimento pessoal. Quem está vivendo em hábitos de embriaguez, de juramento profano, de quebra de sábado, de impureza, de falsidade, de negligência da grande salvação? Estas são as pessoas que, enquanto estão trazendo sobre a terra, por assim dizer, "granizo e brasas de fogo", "estão acendendo para si um fogo que queima até o inferno". Os ímpios devem considerar sua situação terrível; apressando-se do pecado para a morte, da morte para o julgamento, do juízo para o abismo, e depois de idade para idade de tormento sem fim ou mitigação! O que é qualquer alteração política ou reforma, para tais pessoas, ou para qualquer um de nós, em comparação com essa mudança espiritual que é absolutamente necessária e inseparavelmente ligado à salvação eterna! Oh, se apenas uma pequena parte do tempo e sentimento que é dado a questões que em poucos anos devem cessar de nos interessar, foram dedicados às questões de importância eterna que em um milhão de anos, portanto, será tão caro para nós como neste momento, seria muito mais feliz para nós e para o nosso país.
Por todo o valor da alma imortal, e toda a solene importância da eternidade; pelas alegrias do céu, por um lado, e os tormentos da perdição, por outro; por tudo o que é arrebatador no sorriso de Deus, e tudo o que está atormentando em seu rosto; rogo a vocês, meus irmãos, que concentrem seus principais desejos e perseguições mais vigorosamente na mudança de coração e conduta que é necessária para a posse da vida eterna!
Além da maior importância da reforma pessoal e espiritual, sobre todos os outros tipos, ela tem essa vantagem; que está mais ao nosso alcance. Nossos esforços para reformar outros podem ser mal sucedidos; não podemos comandar os seus juízos, nem desviar os seus corações; mas, com a ajuda de Deus, nenhum esforço sincero e fervoroso será em vão, dirigido ao aperfeiçoamento de nosso próprio caráter, e à obtenção de nossa própria salvação. Neste sentido, cada um procure reformar alguém, e assim, ao mesmo tempo que promove aqueles interesses que florescerão quando a terra e todos os países que nela estiverem queimados, avançaremos muito eficazmente para o presente bem-estar da terra, e nós abriremos para nós mesmos um refúgio para que possamos estar protegidos sob toda calamidade pessoal, doméstica ou nacional, e que não nos falte finalmente, entre o naufrágio da matéria e o estrondo dos mundos!
4. A oração importuna pelo favor divino se recomenda a todos, exceto aos ateus, tão peculiarmente sazonável na atual conjuntura de nossos negócios. Se Deus é o governador das nações, que tenha a honra devida ao seu nome. Sem negligenciar um único meio que a sabedoria humana possa inventar para diminuir as dificuldades que existem, recorramos sincera, fervorosa e coletivamente, à fonte da iluminação e à fonte da graça. Em meio aos inúmeros expedientes que um e outro sugerem, que um ministro do verdadeiro Deus proponha, que qualquer que seja adotado, o dever de oração deve ser realizado com ardor novo. Temos algum direito, ou qualquer razão, de esperar a bênção divina, a não ser que ela seja solicitada? Que algo de todos os partidos seja poupado de repreensões, algo de acusação, algo de discussão; e dado à oração. Pode-se afirmar que aqueles que trilham mais; oram menos. Se alguma oração prevalecer; será a dos justos. Portanto, empreguem-se diligentemente neste santo exercício. Quão grande será a sua alegria, se as suas súplicas tiverem êxito; e se não, elas terão o conforto de refletir que fizeram tudo o que estava em seu poder para evitar os julgamentos do Todo-Poderoso; de modo que, em qualquer dos casos, suas orações trarão paz ao seu próprio seio.
Especialmente oremos por aqueles que estão ao leme dos negócios, para que neste momento de tempestade e perigo, eles possam ter sabedoria dada para guiar o barco nacional em água parada, e levá-lo em segurança para um ancoradouro, sem lançar ao mar qualquer dos preciosos direitos e privilégios com os quais ele é tão ricamente carregada. Intercedamos para que não lhes seja permitido adotar nenhuma medida que exasperasse; onde esperamos caridosamente que seja sua intenção curar. E se há alguém que tenha pouca confiança na administração existente, há mais necessidade de orar a Deus, cuja sabedoria pode confundir os mais poderosos, como pode ajudar as mentes mais fracas.
* Uma reunião de oração pública, em que se unem sete congregações, é realizada uma vez por mês em Birmingham, para o estado da nação. Em vez de um tema, que seria difícil enquadrar para evitar toda a causa de ofensa; cada ministro lê uma parte da Escritura antes de orar.
5. Exercemos uma submissão bíblica e constitucional às autoridades justas e às leis do reino. "Há, na minha apreensão", diz o Sr. Hall, "um respeito devido aos governadores civis, por causa de seu ofício, que não nos é permitido violar; mesmo quando estamos sob a necessidade de culpar suas medidas. O apóstolo Paulo foi traído em uma expressão de raiva intemperada contra o sumo sacerdote judeu, por ignorância da ocasião, em que ele não foi informado mais cedo, mas do que se desculpou, e citou um preceito da lei Mosaica, que diz: Não falará mal dos juízes, nem amaldiçoará o governante do teu povo.” De acordo com o qual o Novo Testamento se subordina ao dever de temer a Deus, o de "honrar o rei" e frequente e enfaticamente inculca submissão aos governantes civis, não tanto por medo de seu poder, como pelo respeito ao seu ofício.
Além das pessoas dos governantes, que são variáveis, você verá que os Apóstolos continuamente recomendando respeito ao governo, como uma ordenança permanente de Deus, suscetível de várias modificações da sabedoria humana, mas essencial, sob alguma forma ou outra, à existência da sociedade. A sabedoria de descansar o dever de submissão sobre este fundamento é óbvia. A posse do cargo" constitui uma distinção clara e palpável, sem objeções ou controvérsias. Os méritos pessoais, ao contrário, são facilmente contestados, de modo que se a obrigação de obediência se baseasse em virtudes pessoais, ela não teria força alguma, nem manteria qualquer tipo de controle sobre a consciência; os laços da ordem social poderiam ser dissolvidos por uma declaração não protegida. Se o respeito pela autoridade for destruído, nada permaneceria para assegurar tranquilidade, senão o medo servil dos homens. Na ausência desses sentimentos, à medida que os mais sutis esforços da autoridade se sentissem injuriados, a autoridade logo deixaria de ser leve; e os príncipes não teriam alternativa senão a de governar seus súditos com o zelo severo de um mestre sobre os escravos prontos para a revolta; tão estreito é o limite que separa uma liberdade licenciosa de uma tirania feroz.
Faremos bem em nos proteger contra qualquer sistema que retire os deveres que devemos a nossos governantes e à sociedade, da jurisdição da consciência. Que o dever geral de submissão à autoridade civil, portanto, seja gravado em nossos corações, feito no próprio hábito de nossa mente e feito parte de nossa moralidade elementar. Não que por nada aqui dissesse, restringiria o direito constitucional do povo de discutir livremente as medidas do governo. "O privilégio de censurá-los com decência e moderação é essencial para uma constituição livre, um privilégio que nunca pode perder seu valor aos olhos do público até ser licenciosamente abusado. O exercício temperado desse privilégio é uma restrição muito útil sobre aqueles erros e excessos, para os quais a posse de poder fornece uma tentação.
A livre expressão da voz pública é capaz de intimidar aqueles que não têm nada além de apreender, e o tribunal da opinião pública é algo, cujas decisões não é fácil desprezar, para homens ainda que nas posições mais elevadas. Mesmo que, portanto, mantendo o privilégio com zelo cuidadoso, vamos ter o mesmo cuidado para não abusar dela.
6. Devemos ser zelosamente ativos no apoio de toda medida apropriada para disseminar os princípios da verdade divina. Se o "espírito miserável da infidelidade" estiver no exterior, deixe que os "amigos do evangelho" o sigam através de todos os seus caminhos sombrios e sinuosos, opondo energia a energias e artifício a artifícios. Seu elemento é a escuridão, seu alimento é a iniquidade. Esforcemo-nos por todos os meios possíveis para derramar uma chama de "luz das Escrituras" sobre a terra, e reformar os vícios que existem, e ele se afastará como a fera da floresta da luz do céu; para morrer de fome e perecer em Sua cova. Que aqueles que professam acreditar na verdade do cristianismo, sejam mais cuidadosos do que nunca para exibir em sua conduta a pureza, a benevolência, a mansidão e a humildade do evangelho. Que cada um incorpore em seu próprio caráter a evidência interna do cristianismo, e prove que é do céu, mostrando aquilo que o torna celestial. A sublimidade, pureza e benevolência de sua moralidade sempre foram consideradas como a inscrição da deidade sobre o evangelho; deixem-nos ser exibidos em caráter vivos em nosso temperamento e conduta!
A infidelidade é gerada nas corrupções, manchas e defeitos de cristãos inconsistentes, e são alimentados da mesma fonte. (Um santo e venerável amigo meu estando em Londres, sentiu compaixão de invocar o infiel Carlile, antes de seu julgamento, para argumentar com ele, e entregar-lhe a voz de advertência. O blasfemador ouviu com calma e atenção paciente o mensageiro de Deus, e quando este se afastava disse-lhe: "Senhor, se todos os discípulos professantes de Jesus fossem tão cristãos como você, eu e meu partido provavelmente teríamos pensado diferente do cristianismo.")
Quem pode admirar a grande prevalência da infidelidade na França, quando a única visão do cristianismo que ali existia, era na forma de jesuítas mentirosos, monges preguiçosos, eclesiásticos arrogantes e uma população que pensava em expiar cada vício por algumas orações em uma língua que não entendiam; ou alguns poucos atos de penitência a uma imagem dourada ou pintada! Não precisamos nos surpreender de que os sarcasmos de Voltaire deveriam ter sido empregados contra o Novo Testamento; quando isso foi tudo o que ele viu de sua influência. Uma religião corrupta é o pai da infidelidade, e não é nenhuma maravilha se tal filha se levantar até a destruição de uma mãe tão hipócrita; ou que em sua fúria louca dirija seus esforços contra o ser santo, cujo nome o hipócrita tinha emprestado e desmentido! Os infiéis acham muito mais fácil atacar o cristianismo através das inconsistências de seus professos crentes, do que fazer seus avanços direto contra si mesmo! É muito mais lido escarnecer da hipocrisia dos adeptos da Bíblia, do que refutar a realidade dos milagres. Isto é tão injusto método de proceder quanto a imputar à jurisprudência britânica os crimes julgados no Palácio de Justiça; ou imputar à Constituição britânica as práticas sediciosas dos rebeldes.
É inútil, no entanto, defender a injustiça do processo, e a única maneira de enfrentá-lo é determinar que, como os infiéis julgarão o cristianismo pela conduta de seus professantes, verão neles uma fiel exibição de sua influência. Continuemos com a educação espiritual dos filhos das classes trabalhadoras. Eu digo a educação espiritual, pois nos equivocamos se supomos que basta ensinar-lhes a ler e a escrever. Não há nada em tal sistema para operar como com o poder de um "charme mágico", na transformação do caráter.
Além disso, é o princípio que é necessário. Que todas as nossas escolas dominicais se tornem o que deveriam ser, o que originalmente se pretendia que fossem e o que muitas delas são; uma cena de cultivo espiritual, onde o vasto deserto da mente que se encontra nas classes mais baixas será quebrado E, sendo semeados com princípios corretos, tornar-se-ão como o jardim do Senhor, e renderão com rica abundância os frutos da justiça, da paz e da ordem. Se nos limitarmos a ensiná-los a ler e a escrever, só araremos o solo, e depois deixá-lo-emos para que o inimigo semeie com joio, ou levante sobre ele uma colheita de ervas venenosas. Que nossos professores de escola dominical trabalhem ao máximo para produzir uma impressão devota, para implantar a convicção religiosa, para formar o caráter de hábitos de piedade, ordem e lealdade.
E que as partes respeitáveis, bem educadas e superiores da comunidade, venha e ajude esta grande obra. Nós temos a próxima geração da população trabalhadora no momento presente sob nosso cuidado, na forma de crianças e no caráter dos alunos, e se deixarmos escapar a oportunidade, mereceremos de fato sofrer por nossa loucura.
Sejamos duplamente zelosos na circulação das Sagradas Escrituras. A Palavra de Deus é um sol moral, cujo fluxo de radiação derramado sobre aquelas chamas inferiores, presunçosamente acesas por uma faísca do abismo para iluminar em seu esplendor e suprir seu lugar, acabará por extingui-las todas. Agradeça a Deus por uma instituição como a Sociedade Bíblica, que nunca foi mais necessária nem mais sazonal do que nos dias atuais, e que envolve os interesses morais dos pobres com uma barreira mais inconcebível para os inimigos da revelação do que a grande muralha da China é para os errantes tártaros do deserto. Permita que essa defesa poderosa seja mantida com a despesa e o trabalho sem escrúpulos, e deixe cada cristão que tem um dólar para dar, ajudar o trabalho. Posso facilmente conceber com que raiva e desespero o gênio do ceticismo deve olhar para esta barreira intransitável, enquanto carrancudo ao longo de sua base ela "conta as torres, e marca bem os seus baluartes."
Renovemos nossos esforços na causa das missões cristãs. Tais esforços, enquanto destroem a idolatria no estrangeiro e derrubam a bênção de Deus sobre nosso país, estão perpetuando, pelo seu sucesso, a evidência do cristianismo decorrente de sua prevalência. A religião de Jesus é o único sistema de teologia que nunca suplantou outro pelo mero poder de persuasão. E isso aconteceu; dissolveu o edifício colossal da idolatria antiga com o encanto das palavras; e prostrou na poeira, pela mera força da verdade, sistemas que eram caros ao gosto, aos preconceitos e ao orgulho dos milhões; provando assim que a conversão do mundo pagão era o ato da mesma onipotência que tirou a terra do caos. Agora, à medida que empregamos os mesmos meios, nosso sucesso, até onde ele vai, é uma continuação dessa espécie de prova. Cada Brahmin convertido, Tahitian, e Hottentot, é um feixe de evidências brilhando sobre o evangelho, que se tornou assim o poder de Deus para a sua salvação. Podemos enviar o deísmo aos pomares poluídos de Tahiti, onde o canibalismo, o assassinato e a fornicação promíscua foram tão recentemente cometidos sem vergonha e sem remorso; e depois de ter examinado a mudança que o cristianismo produziu, peça-lhe que o faça com seus feitiços, se ele puder.
Sede zelosos, pois, meus compatriotas, pelo Senhor Deus Todo-Poderoso. Gratidão, justiça, dever, todos o exigem de você; e se estes não forem suficientes, eu suplico um outro motivo; o interesse pessoal o requer. Quando as pretensões do Todo-Poderoso são geralmente, devotamente e praticamente reconhecidas, então as escalas do nosso destino nacional não mais vacilarão, mas estabelecer-se-ão em quietude e preponderarão do lado da nossa salvação; então a Grã-Bretanha repousa suas esperanças na misericórdia de Deus e estima a grande expectativa de que ela será preservada uma grande e feliz nação, até a conflagração do universo!
(Nota do tradutor: À luz destas verdades, façamos uma análise da condição atual de todas as nações, especialmente de tudo o que tem ocorrido em nosso próprio país, o Brasil.
E qual é a única conclusão a que podemos chegar?
Há esperança para nós, pela simples via de mudanças políticas?
O que o nosso povo almeja é um viver justo segundo tudo o que é revelado nas Escrituras Sagradas?
Se não há sequer uma impulsão para a defesa de simples valores morais, quanto mais não há esta impulsão na sociedade como um todo voltada para os valores espirituais e eternos da Palavra de Deus, que mais do que para a mera moralidade apontam para a santificação que é decorrente da comunhão plena com nosso Senhor Jesus Cristo.
O povo tem de fato clamado pela libertação da corrupção no poder público. Mas, quantos estão clamando pela libertação da corrupção do pecado que habita em suas próprias vidas?
Que esperança há para uma profunda reforma nacional quando a própria Igreja, em grande parte, encontra-se envolvida com práticas mundanas reprovadas por Deus? Que luz há para o mundo quando a lâmpada que foi acesa pelo Senhor nega-se a brilhar com o testemunho da verdade que deveria governá-la em todas as suas palavras, pensamentos e ações?
Certamente, a par de tudo isto, ainda há os dez justos que não havia em Sodoma e Gomorra, que intercedem em favor deste mundo ímpio e que honram ao Senhor, senão poderíamos ter como certos os juízos divinos do Apocalipse sendo derramados sobre toda a Terra, como serão, certamente, depois de a igreja ter sido arrebatada, e pela falta da presença dos que são justos aos olhos do Senhor, a proteção presente dos ímpios será removida, e todas as taças da ira de Deus serão derramadas sobre todas as nações.)


Este texto é administrado por: Silvio Dutra
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