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A Trajetória histórica da criança na sociedade
No mundo contemporâneo, torna-se cada vez mais abrangente a compreensão da infância como uma fase da vida dotada de especificidades e de fundamental importância para a constituição da identidade humana, tanto do ponto de vista subjetivo como do social. Esta constatação tem levado educadores e estudiosos a ampliar seus conhecimentos sobre essa fase inicial de vida, as necessidades e especificidades da criança no âmbito de uma infância historicamente determinada.
Na análise do pensador Ariés (1981) nem sempre houve uma preocupação com a infância, ao contrário, os mundos da infância e do adulto misturavam-se na convivência social e cultural, principalmente com as classes populares.
Na Idade Média, no início dos tempos modernos, e por muito tempo ainda nas classes populares, as crianças misturavam-se com os adultos assim que eram consideradas capazes de dispensar a ajuda das mães ou das amas, poucos anos depois de um desmame tardio, ou seja, aproximadamente, aos sete anos de idade. A partir desse momento, ingressavam imediatamente na grande comunidade dos homens, participando com seus amigos jovens ou velhos dos trabalhos e dos jogos de todos os dias. (p.275)
Porém, a humanidade, na sua convivência comunitária e social, de acordo com seu processo histórico, concebia e compreendia de formas diferentes o que é SER CRIANÇA.
No início, os homens não tinham preocupação com a infância. As crianças relacionavam-se e viviam como se fossem “mini adultos”, participavam da vida social em todos os momentos, sem distinção do universo dos adultos. Inclusive, dependendo da classe social, as crianças estavam inseridas neste contexto, e seu universo bastante diferenciado era negado pelo conjunto da sociedade daquela época.
Nesse sentido, a concepção de criança está sempre relacionada com o sistema vigente, o percurso e a trajetória histórica da humanidade, bem como os hábitos, costumes e valores da sociedade, da família, da legislação, do Estado, além dos recursos materiais, humanos e financeiros que se destinam para a infância.
É neste percurso histórico, no início dos tempos modernos que, principalmente, eclesiásticos, juristas, educadores e outros que influenciaram reformas religiosas nos séculos XVI e XVII se preocupavam com o mundo da infância, da família e da sociedade. Como afirma Ariés (1981,p.277), “passou-se a admitir que a criança não estava madura para a vida, e que era preciso submetê-la a um regime especial, a uma espécie de quarentena antes de deixá-la unir-se aos adultos.”
É uma luta ideológica/ política e de confronto, por uma sociedade mais justa e igualitária em seu processo histórico, de defesa e luta em prol da cultura, da educação, da liberdade de expressão, liberdade do conhecimento e saberes. E, portanto, da afirmação de sermos cidadãos, com direito de exercitar e de viver a cidadania em uma sociedade fraterna e solidária entre seus pares (adultos, idosos e crianças).
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990, novamente reforça e defende os direitos fundamentais da Criança e do Adolescente, definindo também a prioridade dos mesmos nas políticas públicas, de acordo com o que estabelece o Artigo 4º:
“É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”
O E.C.A considera para efeito de legislação e de políticas públicas que criança corresponde conforme o Art. 2º - “Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até 12(doze) anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre 12(doze) e 18(dezoito) anos de idade.”
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ZABALA, Antoni. Como trabalhar os Conteúdos procedimentais em Aula. RS: Editora artmed, 1999.
Uma cartografia sobre o Ensino das Artes Visuais na BNCC entre ...https://seer.ufrgs.br/gearte/article/viewFile/83395/49627 de ME Sardelich 3 de ago de 2018 - Política curricular. Enseñanza de las Artes Visuales. BNCC. INTRODUÇÃO ..... Informação & Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 20, n.1, p.
Base Nacional Comum Curricular (BNCC) basenacionalcomum.mec.gov.br/
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais .
FRITZEM, Celdon; MOREIRA Janine. Educação e arte: as linguagens artísticas na formação humana. Campinas, SP: Papirus, 2008.
Coleção Ágere). MARTINS, M.C.F.D.; PICOSQUE, G.; GUERRA, M.T.T. Didática do ensino de arte. São Paulo, SP: FTD, 1998.
NISKIER, Arnaldo. LDB: a nova lei da educação. 8 ed. Rio de Janeiro, RJ: Consultor,1996.
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