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Que Vergonha
Maria

E agora ouço as vozes
das promessas
para o povo.

Que vergonha!
Pior de tudo
é que o povo
é como eu.

Crédulo
e sem memória
do passado.
Esquece o passado.

Esquece as vezes
em que foi abandonado,
largado à mercê
da própria sorte.

Também eu fui abandonada
no momento da descoberta
dos sentimentos
e esqueci tudo
na primeira voz
que trouxe
o fruto do ilusório.

Que lástima.
Que raiva.
Que vontade
de chutar o balde
e me esconder
num buraco escuro
onde nem eu mesma
possa me ver.


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