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A Mariana
A bruxa
Hélder dos Santos da Glória Duarte


- Moços de um raio, haviam de morrer todos!... Gritava a velha Mariana na sua casa, no sítio do Cano, na serra de Monchique, depois de um grupo de rapazes, lhe terem partido as telhas. A idosa vivia sozinha. Tinha o hábito de rogar pragas aos miúdos. Eles davam tudo para a ver muito zangada. Para além disso, ela dizia que via almas do outro mundo. Por isso faziam o possível, para atazanar a Mariana Bruxa, como era conhecida.

Desta vez eram os moços dos "Calotes", que lhe atiravam pedras ao telhado. Mariana era uma senhora com os problemas da idade, mas também com um feitio um pouco difícil. Vivia perto do seu irmão, mas não se falava com ele. Por isso habitava só.

Os "Calotes" diziam ainda:

-Vamos atirar mais!

- Não! Respondeu o outro... Já chega, ela é velhota!

- Mas é bruxa!

- Vamos embora daqui!

A pobre da senhora ficara com as telhas partidas e não tinha outra solução. Mas jurara a si mesma, que se vingaria deles quando passassem na sua rua. No outro lado da serra, Maria Antónia falava, com seu filho mais velho:

- Joaquim! Tens que ir à da avó levar um saco de farinha, para ela amassar o pão, pois não tem farinha nenhuma.

- Vou é levo a mula!

- Tá bem!

Joaquim perguntou ao seu irmão Filipe, se queria ir com ele, na mula. Era uma criança de cinco anos de idade. Era verão, a serra convidava ao passeio. Havia um suave vento, que agitava os pinheiros, os eucaliptos e os sobreiros. Aa águas na ribeira, acariciavam, as pedras, O som das águas era como uma música que ao ouvi-la, o espírito fica em paz. As enguias nadavam nos pegos de água mais largos. Os coelhos saltavam, quando sentiam que estavam a ser incomodados. Por vezes um bando de perdizes, levantava voo. Eram pois os anos sessenta, do século XX. Um tempo em que a natureza, não estava contaminada, como veío a ficar depois. Joaquim, colocou o pequeno saco de farinha à sua frente na albarda da mula. O pequeno Filipe agarrado às suas costas ia atrás. Foram a casa da avó, deixaram o saco de farinha e voltaram a montar a mula, que rapidamente, se deslocou para casa. Mas nesta viagem Joaquim pensou em passar, pela rua da Bruxa Mariana, que assim que ouviu a mula vir ainda longe, foi buscar um pau em fogo que tirou do lume, ficando à espera. Pensou que eram os "calotes" que passavam pela rua! E assim ficou preparada para a grande vingança. A mula corria pela rua, quando Mariana de repente abre a janela e atira à mula o pau com fogo. O que aconteceu, foi a mula cair e os dois rapazes caíram ao chão. Mas não foram reclamar nada, porque, já várias vezes se tinham intrometido também com ela. Joaquim, perguntou ao Filipe:

- Como tás?

- Doi-me um bocadinho. Mas vamos embora! Subiram para a mula, e continuaram a viagem. A Mariana meteu-se em casa. Ficando toda contente, porque se tinha vingado, dos rapazes. O Joaquim e o Filipe não contaram à mãe com medo que esta se zangasse com eles, E assim este episódio ficou esquecido no tempo.


Biografia:
Eu nasci em 1963 em Monchique e fui Pastor evangélico. Tenho o 12.ANO feito em 1984 curso de Humanísticos. Tenho o curso de formação de Pastores da Convenção das Assembleias de Deus em Portugal no Instituto Bíblico desta instituição. Morei em várias cidades do país. Começei a escrever há algum tempo. Mas não tenho nenhum livro publicado. TENHO A DOENÇA DE PARKINSON estou na unidade de Longa duração e Manutenção de Albufeira. Pois estou doente.
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