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A Mulher E O Queijo
Mulher, Queijo.
Rodrigo Nascimento

Resumo:
O mineiro é apaixonado por queijos, mas isso tem uma boa razão, leia e entenda!

A Mulher e o Queijo.
Que pretensão a minha né...a mulher é um ser em constante transformação, sua forma se modifica com a idade, vive mudanças tremendas, amadurece e caminha pela estrada da vida. Assim como Maria, a grande mãe, a mulher percorre o caminho e vai deixando por ele sua marca, seu cheiro e seu amor...
“Dizem que o coração de uma mulher, não se conhece pela aparência, pela cor ou pela forma, para conhecer é preciso provar, sentir a textura, o aroma e ver se mantém o sabor por um bom tempo, não amarga demais, assim “como” os queijos...
É preciso amar aos queijos como a todas as mulheres, contidas na mulher que você ama, da mesma forma que elas vieram da mistura de tantas mulheres, os queijos também, ao contrário, foram caminhando com a história da humanidade moderna, região por região, marcando o paladar, com o sabor abençoado do fungos de cada região.
Os fungos são para o queijo como a vida para as mulheres, vão retirando ilusões e equilibrando o que se tem dentro com a história de vida, os queijos se transformam de pedras brutas em diamantes do sabor.
A vaca no Hinduísmo é considerado um animal sagrado, é proibido matá-la para comer sua carne, pois o leite proporciona tudo que o homem precisa.
Seria mera pretensão comparar a mulher com o queijo?
Vejamos as palavras mulher e queijo contém o mesmo número de letras...
O queijo é feito de leite, que por sinal é feito por todas as mães de todos os mamíferos e alguns marsupiais, e leite não é dado, é tirado com um ato de amor, quem sabe é o que torna o queijo bem mais saboroso quando é dado ao invés, de ser comprado.
Simples coincidência?
Mulheres são brancas, amarelas, vermelhas (curtidas no vinho), negras e ruivas.
Os queijos podem ser frescos, curados, suaves ou azedos, massa mole ou massa dura.
A origem do queijo, segundo os estudiosos vem do homem antigo, que pastorava suas ovelhas e deixou o leite talhar dentro de sua algibeira feita com material do estômago de animal, o leite se transformou em uma pasta que ao misturar o sal ficou gostoso, ainda mais como pasta para se passar no pão, ou seja o queijo é anterior a manteiga.
Enfim quem criou o queijo, para mim, foi a mulher porquê é uma criação divina dos prazeres frugais da culinária, os quatro elementos, pasta de queijo fresco, sal, azeite e pão e claro, fogo! Obras de verdadeiras bruxas que sabiam conquistar seus desejos através do estomago de seus homens.
Cleópatra, dava queijo e leite de cabra aos seus generais, repassava a eles a libido de um bode que se transformava em energia dominadora para se apossar de seus territórios.
Até hoje, os homens pastoreiam os animais, mas são as mulheres que fazem os queijos.
Quando a gente vai maturando queijos, longas maturações, 3 anos por exemplo, vai vendo que, infelizmente, quando começamos a conhecer melhor os queijos já estamos velhos, assim também somos com as mulheres, quando aprendemos a extrair o melhor delas...ficamos passados...
Muito engano julgar as mulheres e os queijos pela aparência...queijos e mulheres se julgam pelo sabor, pela textura e pelo aroma, harmonizando com pães e vinhos, com fogo e na intimidade, praticamente em uma meditação do sabor, porém como as mulheres o queijo deve possuir uma aparência bonita e limpa, caso não possua naturalmente, uma boa embalagem é necessária.
Os bons queijos e as boas mulheres são sempre originais, nunca existem dois iguais. Nos queijos de leite cru, seu sabor é único, provindos de um tipo de leite ou da mistura de leites (cabra, vaca ou ovelha), os de cabra, tem uma massa finíssima possuem a maior digestibilidade, apesar do cheiro forte, do bode, hormônio masculino puro, bem mais que o leite da vaca e os de ovelhas que são riquíssimos em gorduras, dando um sabor mais forte, até um pouco rançoso mas fantástico.
A mistura de leites de cabra, vaca e ovelha, produzem queijos maravilhosos como o Mancebo espanhol, e o Curado, o Português Serra da Estrela e vários outros, enfim as mulheres não podem ser misturadas pois já vem misturadas de sua origem, resta aos homens prová-las uma de cada vez e melhor, em épocas diferentes. Mera pretensão minha essa comparação, pois isso, ocorre naturalmente na vida e as mulheres não ficam lá na vitrine dos supermercados esperando os compradores, na maior parte são elas as compradoras e nas fazendas são elas que se preocupam com a comida e a higiene da família, fator que melhorou demais com a introdução do queijo na alimentação, pela sua condição de conservação e menor teor de lactose que o leite natural pois, já naquela época antiga, existiam as pessoas intolerantes a lactose, ao maturá-los ocorria naturalmente uma cura pela eliminação das bactérias devido aos fungos que se desenvolviam em sua superfície e digeriam as proteínas, consumindo o excesso de lactose, transformando o queijo em uma massa mais fina e saborosa.
A forma do queijo também tem uma semelhança com a forma das mulheres, geralmente os queijos são arredondados e achatados, para melhor serem virados e receber o sal, se você me perguntar e o que isso tem a ver com a forma das mulheres é que elas sempre estão preocupadas com a forma.
Mas tudo seria assim até conhecer a história de uma menina linda e sonhadora, Eliza.
Ela morava nas montanhas, seu pai tinha uma fazendinha em um vale fincado no centro daquele alto, lá de cima, via-se a pequena trilha que chegava a sua casinha simples de dois cômodos e uma cozinha, com aquela chaminé soltando sempre a fumaça e o celeiro ao lado com o gado. O gado ficava por poucos meses no campo, o frio era congelante e a neve encobria tudo. Enquanto seu pai fazia o serviço mais pesado, de alimentar as vacas com o feno e limpar o local de ordenha, sua mãe ordenhava as vacas e assim Eliza aprendeu esse lindo ofício. Logo chamava as vacas pelo nome que uma a uma vinham e eram ordenhadas. Quando ordenhava as vacas, vários animais de estimação, gatos, cachorros e até uns ratinhos esperavam as sobras de leite e participavam do banquete daquele leite maravilhoso.
Enfim, foi em um dia chuvoso que aconteceu tudo. Elisa terminou a ordenha e estava cansada e com muito frio. Ela se deitou no monte de feno e logo pegou no sono. Começou a sonhar com um lugar onde os gatinhos e ratos trabalhavam e levavam o leite para ser transformados em várias coisas gostosas. Enfim ela acordou e notou que um ratinho ia e voltava carregando o leite em sua boca, ela então o seguiu e não pode se conter ao ver o que ele fazia com o leite...Eles tinham construído um local onde o leite era trabalhado por partes; batiam os pezinhos e faziam um pasta gordurosa com o creme que cobria o leite, deixavam o leite parado depois de misturar alguma coisa nele e ele talhava, depois cortavam aquela massa, retiravam o soro e faziam um massa grossa, incrivelmente eles roubavam o sal da cozinha de sua casa e colocavam em cima da massa e lá deixavam curtir, eram uns danadinhos de espertos.
Eliza contou para sua mãe que a princípio não acreditou ficou alguns dias ouvindo aquela história sem querer conferir...
Fato é que Eliza resolveu mostrar para sua mãe como os ratinhos faziam as massas de leite, e seu sonhos se transformaram primeiro no queijo, depois na manteiga e vários produtos do leite, iogurte, creme de leite, requeijão e doces de leite maravilhosos.
Enfim, se você acreditou nessa história, vai saber acreditar em como saborear um queijo do jeito que ele merece, queijo não é comido, é saboreado...
Da mesma forma o sonho, nunca é o mesmo contado ele só é completo enquanto sonhado...
Então vamos a vida e aos sonhos chamados de queijos


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