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ESCONDERIJOS MEMORÁVEIS
Flora Fernweh

Onde se esconderam os trovadores? Estariam todos abismados com um mundo desconhecido? Arruinaram suas palavras, seu único e esplendoroso destino em uma taverna para onde todo o exército de sonhadores rumou, encerrou-se, enforcou-se com tudo o que ainda devia ter sido dito enquanto a humanidade pousasse sobre a Terra. Cadê todos? Um lamento a menos se soubesse que estão todos apenas profundamente adormecidos, à espera de um motivo maior para viverem, de alguém que não os digam palavras vazias e belas, mas os escutem, de alguém que não entendam, mas os sintam. Todos cochilam em um breve sono que os desatina e entendia todos aqueles que ainda guardam réstias de sensibilidade em sua alma. É isso que um fragmento de esperança aceso em mim me contou e insiste em me lembrar toda vez que cogito a ideia de afundar todo o meu ser e jamais borrar o papel com minhas impressões sobre esse vasto mundo que sempre preferi chamar eu mesma. O que sobrou de todas as paixões? Aterradoras, imortais, incompreendidas e terríveis… mas acima de tudo, paixões. Não derretem mais coração algum, posto que derreteram-se. Como um medo repentino, evaporaram, ao passo que permanecem congeladas no passado. Pois é… sinto dizer… restam poucos no mundo como eu e você. Ruborizo ao falar que sinto uma falta catedrática dos dizeres literários, dos cambaleares poéticos, de corajosos que entendam um pedaço ínfimo de mim. Em minha breve vivência já senti tantas dores, nenhuma se iguala à dos perdidos em si, porém, dizem por esses becos que tudo passa, inclusive a vontade de passar. O que fazer se não suportar a morte de cada minuto e a indiferença doentia que nunca permiti passar pelos meus olhos? Um uivo certo e não tão distante, traz outros pesares com o mesmo sabor de minhas lágrimas quietas, ouço o zumbido firme e inocente de um jovem que chove palavras no silêncio das madrugadas secas, à espera de aliviar o peso que o abate. Vejo os anônimos amantes da sexta arte à sombra de pseudônimos enigmáticos escreverem a história de suas vidas. Um lampejo de amanhã irrompe ao fim de cada frase escrita que sucede um ponto, de cada vírgula nas páginas que tornam um pensamento ainda mais gradativo. É necessário acreditar na legião de escritores que ainda está para nascer, nas grandes obras-primas que esperam as palavras certas para que sejam esculpidas. É necessário ser peregrino em eus desconhecidos e trilhar a vida em busca do tesouro universal. Mais que necessário é encontrar o limpador de angústias, o artista das palavras, os sonhos secretos e o ardente apaixonado dentro de si e enquanto lutar para viver, jamais despedir-se deles.


Biografia:
Quem é Flora? Um ser jamais poderá ser compreendido em sua totalidade, cada organismo ocupa uma posição averiguada de incontáveis ângulos, vagamos por este planeta ignorando o anterior e o posterior no que se refere à linha tênue sobre a qual estamos em consciente equilíbrio. Cada célula, instinto e vibração são provas de que existe uma verdade superior, baseada em uma racionalidade insondável cujos mistérios não são aptos a povoar a mente daqueles que um dia, única e sobriamente alimentarão os vermes do subsolo. Fato é que os átomos que formam o órgão da visão do ser que lê estas palavras, podem ter remotamente constituído um órgão de Sócrates ou reduziu-se a pó a partir das ruínas da acrópole ateniense, entender um ser e sua singular complexidade, assemelha-se à infindável busca pela compreensão dos fenômenos cosmológicos: cada um é único, insere-se em um universo particular, sendo este, um amálgama de infinitos unidos pelo mesmo céu. Comparando de modo análogo o universo a uma célula, Flora Fernweh é para ele um minúsculo pedaço de DNA, invisível e quase definido como inexistente, vagando pela imensidão genética por um curto espaço de tempo. Para a natureza, Flora Fernweh não passa de um animal, assim como todos os outros. Para a sabedoria, Flora é uma irmã perdida que busca veementemente encontrá-la. Para o passado, é uma alma nostálgica e para o futuro da raça humana, é um enigma.
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