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O CAMPÔNIO
LUIZ EDUARDO

Ignoto coração sangra ao ver a cidade
a morte, a procissão com a indolência
e gentes no encalço sem ter decência,

em balbucios na derradeira passagem
como se a morte fosse tenro expungir
o bulício contínuo e o aparente fingir,

(embora um favônio não seja procela)
nada sente ninguém pelo féretro à rua,
se há melancolia ela parece estar crua,

o lívido instante em que haveria razão
de querer prantear faltou-lhe o pranto
um dia hilário que se sentiu o espanto

à vida, sem energia, completa desdita,
o que sangra é um coração campônio
que insula à sua dor, nada cosmopolita.


Biografia:
Escrevi em diversos sites e participei de tertúlias no Rio, onde moro.

Este texto é administrado por: LUIZ EDUARDO MARTINS DE OLIVEIRA
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