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C'est fini Hexa!!!
(Uma leitura desapaixonada sobre o Brasil na Copa de 2018)
Roberto Queiroz

Entrando de sola na discussão proposta aqui: o Brasil morreu na praia (de novo) nas quartas-de-finais. Seria apenas óbvio, não fosse trágico e repetitivo...

A Copa começou para nós com gosto amargo, de lembrança triste de um 7x1 imposto pela Alemanha que nunca me convenceu. O Brasil não tinha time para ser hexa quatro anos atrás? Fato. Mas perder de sete para uma seleção que suou para empatar com Gana e quase não passa pelo Irã na prorrogação? Me desculpem os demagogos, mas não dá...

O resultado disso - somado a maior crise vive pelo país em muitas décadas - é: descrença, descrença, descrença; Mas o brasileiro, patriota futebolístico, não desiste nunca e foi à Rússia, para torcer, gritas, apoiar os garotos do técnico Tite (maior fonte de esperança de nossa seleção).

O Brasil estreia contra a Suíça e parecia que deslancharia (o gol de Philippe Coutinho deixava claro isso!), mas... Minguamos um 1x1 com sabor de derrota. Mais: Neymar caindo o tempo todo, com cabelo exótico (foi rotulado até de Dercy Gonçalves nas redes sociais) e bem abaixo do esperado. A desculpa: a cirurgia no tornovelo recém realizada. "É questão de tempo para embalar", defendeu a mídia tendenciosa.

Vem o segundo jogo, a frágil Costa Rica (mas, que na copa anterior, caiu no grupo da morte e despachou dois ganhadores de copa. Alguém esqueceu desse detalhe?). Porém, os costa-riquenhos vinham mesmo mal, time em crise, briga com a federação, etc etc etc. Fácil? 90 minutos de zero a zero e dois gols salvadores nos descontos. Um time apático, nem parecia a seleção das eliminatórias. As redes sociais demonizam um e outro, botam a culpa em quem aparece na frente. Pronto. Está feito o caos que a equipe de Tite não precisava.

No terceiro jogo, contra a sérvia, era vencer ou vencer. E vencemos. Dois a zero de novo e desta vez, muitos dizendo, o melhor jogo da seleção até aqui. Contudo, uma seleção cheia de machucados, mudando a escalação jogo a jogo. Nem mesmo a escolha de mudar o capitão a cada partida, escolhida pelo técnico, me agradou. Aquela história de "nossa seleção tem muitos líderes" soou, para mim, evasiva, esquisita. Capitão é capitão, é o líder do grupo, ponto. Sempre pensei assim.

O Brasil se classifica para as oitavas, mas seu algoz não (nossos Bruder não passaram por México e Coréia. Aliás, o dois a zero da Coréia na última rodada foi mítico!). Sobra para nós o velho amigo/inimigo México, que tantas tristezas nos trouxe nos últimos anos (Olimpíadas de 2012, alguém?). E quase engolimos uma goleada no primeiro tempo, não fosse a incompetência do escrete mexicano para marcar. Na virada para o segundo tempo, Tite muda tudo, William também, e mais uma vez dois a zero (gostamos desse placar nessa edição).

Chegam as quartas, mas Argentina e Espanha sucumbem diante de França e Rússia... Acreditem! Os donos da casa eliminaram Iniesta e companhia! O gargalo fica mais estreito. As campeãs estão partindo. A seleção encara a Bélgica que vira para cima do Japão no último lance da partida. Displicência e falta de maturidade dos asiáticos? Muitos dirão que sim. Mas a Bélgica faz uma grande copa desde o início, diferentemente do Brasil que avança aos tropeços.

O resto da história você viu na última sexta-feira. A seleção tentou. Achei que demorou demais para entrar no jogo. Achei a seleção conservadora demais, carente demais de um craque real de bola (um Garrincha, um Pelé, um Romário) que chamasse a responsabilidade para si. Tite, na área técnica, pediu a seus pupilos, que não fizessem falta. Pedia: "lealdade, sem falta". Honestamente, no segundo gol, de Debrouini, faltou justamente a falta, o combate duro. Ia tomar cartão? Melhor do que tomar o gol. O que veio depois do dois a zero (ele de novo!) foi desespero e inúmeros chutes e cabeçadas que simplesmente se recusaram a ir para o gol. Não era o dia do Brasil. Não era dia de hexa.

Ficou para 2022, no Qatar... Será? Melhor esperarmos. Esperarmos por uma revolução no futebol (e no país como um todo) que nunca vem. Tite foi convidado a permanecer. Se permanecerá ou não, é outra história. De concreto: ficamos no quase, de novo. Somos o país do quase.

Um desabafo pessoal: somos um dos países mais violentos do mundo, refém de um sistema corrupto que já perdura há anos e não perdemos essa mania de nos vendermos através do futebol como jogadores limpos, éticos, que não quebram ninguém. Enquanto isso, apanhamos como poucos no esporte. Até quando seremos babacas? Por que temos de aturar um Sérgio Ramos fazendo o que fez com o Sala, artilheiro do Egito, na final da Liga dos Campeões, e praticamente tirando-o da copa, e enquanto isso posamos de bons moços?

Esse falso bom-mocismo está acabando com o que resta de nossa pátria...

A copa continua e mais uma vez será vencida por uma seleção européia. Novidade? Só para os imbecis e os patriotas bobalhões que não conseguem entender ou perceber as interrelações entre futebol e política, futebol e negócio. E já que todos gostam de emitir um palpite, fico com a Croácia. Pelo que jogou e pela forma como me encantou, seja na raça em campo, seja no discurso simples dos jogadores. P.S: e tem o Modric, que é cracaço!

Aos nossos jogadores, recomecemos. Agora em tese faltam quatro anos para o hexa. Mas de certeza mesmo, só uma: em 2022 serão 20 anos sem ganhar uma copa. Estamos quase batendo o recorde entre 1970 e 1994. E é preciso corrigir isso.

Mas antes é preciso corrigir o resto do país... Porque do jeito que está, não vai. Pra lugar nenhum.


Biografia:
Crítico cultural, morador da Leopoldina, amante do cinema, da literatura, do teatro e da música e sempre cheio de novas ideias.
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