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E o 7x1 continua...
(Começa o ano D)
Roberto Queiroz

Entra ano, sai ano, e o Brasil... Pois é: o Brasil não avança, não muda, não fode, não sai de cima. O Brasil continua. Só não se sabe exatamente o quê. Piada interna: havia um comercial na minha época de moleque cujo jingle defendia que "o tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa". Então: o Bamerindus já era e o Brasil anda pelo mesmo caminho. E pior: tem gente ainda se achando patriota depois de tanta roubalheira, tanta gente vendida posando de ética, de paladina da moral e da justiça.

Já deu pra perceber que esse não será um texto alegre? Ah tá.

A expressão que melhor explicou o país nesse ano que acabou de acabar é a do "cachorro correndo atrás do próprio rabo". O problema é que até mesmo o cachorro uma hora cansa de bancar o babaca e para. Já o brasileiro... Como disse certa publicidade do passado: "não desiste nunca". É meio aquela música do Raul Seixas, "tente outra vez". Só que nós já estamos na milionésima vez e nada.

Os mais velhos (outrora chamados de sábios) dizem que tudo isso não passa de uma fase ruim, como tantas outras já passadas por nós. Os mais jovens querem meter o pé do país, "já deu, isso aqui nunca vai tomar jeito, pra mim já deu", dizem eles. Só que não me parece que o resto do mundo ande tão fora de série assim. Vivemos a era dos refugiados. Leia-se: gente engolida pelo capitalismo que procura outra nação para morar, depois de ter sido moída como uma cana de açúcar pela máquina vil dos empresários. E tem gente querendo ir embora? Para onde? Serão aceitos? Digo: mesmo? Essa é a questão.

Enquanto isso, tem carnaval? Tem sim, senhor! Tem futebol? Tem sim, senhor! Tem cerveja no barzinho perto de casa ou do trabalho ou onde quer que seja? Tem sim, senhor! Então dane-se o resto. Correção: DANE-SE!!! com maiúsculas e todas as exclamações a que tem direito o povo alienado tupiniquim.

Não é mais uma questão de até quando? ou "dias melhores virão" ou vai passar ou qualquer outra desculpa esfarrapada que os ignorantes dão para comover os demais. É fato timbrado em cartório. Somos bobalhões (quer dizer: a grande maioria) por opção. Ninguém os forçou a nada. Eles gostam de ser assim, tanto que ensinam seus filhos a serem idênticos e, em alguns casos, ainda piores.

Resumo do funk (porque fodido não vê nem ouve ópera): todo dia é um 7 x 1 diferente na cara do povo, goela abaixo dos que ainda sonham com um ano melhor. Mais um começou e já se ouve pelas ruas aquela velha frase "só mudou o número no final do ano". E você aí lendo as revistas de astrologia do João Bidu e vendo as previsões do ano atrasado no seu Whatsapp, falando das tragédias, mortes e acontecimentos que "mudarão" o mundo.

Meu Deus! Quanta vergonha! Quanta falta de noção! Quanta canastrice! Quantas exclamações nesse texto! (será que eu consigo mudar isso em 2018? Esquece! Não gosto desse negócio de promessa). De certo, certo mesmo, é que a Alemanha continua assombrando nossas vidas e esse ano ainda por cima tem copa do mundo e o Brasil pode pegar a arquirrival de novo. De novo? Meu Deus! Livrai-nos, senão de todo, pelo menos desse mal...

(Nota: enquanto escrevia este artigo fiquei pensando na quantidade de situações pendentes no país para este ano: sai reforma ou não sai reforma? Eleição direita ou indireta? O líder nas pesquisas do IBOPE vai em cana ou não? O tal de mito emplaca ou não e transforma o Brasil de vez na capital do ódio a qualquer diferença? Vai sair o novo salário minímo ou ainda vão diminuir o aumento do mínimo mais uma vez? Putz! Tá foda ser... Não, o cara do youtube já disse isso. A frase já tá manjada).

Se eu não sei até hoje se Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais, que dizer do meu país...

Quer saber? Começa logo, 2018!!!


Biografia:
Crítico cultural, morador da Leopoldina, amante do cinema, da literatura, do teatro e da música e sempre cheio de novas ideias.
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