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Quando o amor sobreviver a nós
e restar como entidade viva a sobrevoar a terra
não haverá um só coração onde possa pousar;
talvez um pássaro perdido na montanha mais alta,
um pedaço de sonho que boie no mar oculto das sensações perdidas,
um brilho de caco de vidro a olhar o universo
com a perplexidade dos macacos,
um dedo de estátua ferida,
a indicar o caminho...
Todos, sem exceção, de pastores a ovelhas,
de bois a rebanhos, de matilhas a cães,
de serpentes a domadores,
estarão num quadro segurado por dois anjos,
suspenso entre o céu e a mortalha terrena,
e ele, o amor, de olhos abertos, sem sono,
a espiar as multidões de desertos,
se ajoelhará e fará uma prece
pela raça que houvera passar por aqui,
por todos aqueles que deram suas almas
para que um sentimento criado pudesse
se expandir até se tornar a última coisa
a restar depois que o tempo acabar...
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