|
Desde que acordo,
mesmo que veja o aço rindo ao cobre,
que pise forte sobre o plebeu o nobre,
sigo as leis que não tem lei,
pois quem ama nada obedece,
apenas todas as manhãs
a rede do sentimento tece,
cobre o mundo e o apascenta,
a bússola do amor o orienta...
Desde que me sujo com palavras escritas em sangue,
que me lavo com as águas tristes dos mangues,
que sigo sobre escarpadas arestas de ódio,
mesmo assim busco alcançar o pódio
onde quem ama busca e consegue chegar:
mais forte que o ódio é a força do amar...
Lá chego e hasteio a bandeira de nenhum país,
de nenhuma raça, credo e de nenhuma cor:
branca, límpida, como o lírio que à brisa diz,
sim, sou eu, única, a bandeira do amor...
|