|
Para a Natália
Tô feliz por fora, mas por dentro tô morrendo,
faço da vida uma festa e não me embriago,
é como um espelho de cores luminosas
onde vejo todos sorrindo e não estou me vendo;
a vida, esse sortilégio, me fez bruxa cor-de-rosa,
uma tristeza sem sentido dentro de mim trago,
que apagá-la quero e viver feliz possa...
Talvez seja o querer que alguém não quer,
tudo o que sou, esse espanto de mulher,
esse coração que ama delicadamente,
essa vontade de ter entre os dentes
a parte macia do sonho que desejo,
alguém que ame e me devore,
sem medo...
Busco entre as pedras do pensamento a psicologia
que me faça compreender a verdadeira poesia,
acordar de manhã e sentir o pulsar do sol vivo,
espreguiçar, ter você ao meu lado, junto comigo,
afagar o cão e seguir meu verdadeiro caminho,
às vezes ser a pássara em busca do meu ninho,
às vezes sentir a liberdade que mora em mim,
ser o meu princípio, meio e fim, ser alguém feliz,
ler este poema e depois, levemente, sorrir...
|