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Salgo minha carne com tuas lágrimas
feito um almoço para o sonho que me devora,
viro do meu tempo mais uma página,
o instante meu é todo esse agora...
O que nas costas carrego
é mais que cruz sem pregos,
é a visão de ver sem ver o que vejo,
de emprestar o rosto pra mais um beijo,
de aceitar tudo o que posso e não nego...
Humildemente estendo os dentes
em busca de um pedaço de pão,
o que recebo é só um riso
de quem entende de fome não...
Nem que a cura viesse pela mão do homem,
nem que a beleza espantasse a feiura de viver,
nada dentro de mim desaparece ou some,
eis o mistério que no ato de ser e ser...
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