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É tarde...
Talvez ainda dê tempo de falar com o vento,
prosear com as pedras do caminho,
rabiscar com uvas o corpo do vinho,
negociar eternidades com o tempo...
Abro a janela de manhã
e lá está o sol, viril, compacto, ereto, sólido, hidrogênico, correto,
a conversar cores com a pele da rã,
abrindo seu braços amarelos,
dando à vida a esperança que não é vã...
À noite, quando apanho estrelas
para a sobremesa,
o único sentimento que me faz vivo,
com certeza,
é que sou passageiro
neste trem de sentidos...
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