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Teus olhos... punhais em brasa,
que congelam os ventos no ar,
que derretem o frio do gelo,
disputando com o sol o luar.
Teus olhos... janelas d'alma,
guardiões banhados de luz,
que palpitam no seio dos segredos,
inebriantes, os anjos seduz.
Olhas sem vê que a luz dos teus
acende o opaco brilho dos meus,
lançando fagulhas nos breus
onde perdida fui me encontrar.
Tateando -ainda minhas mãos,
desejando -perdição na magia de pecar.
Quisera amordaçar teus olhos castanhos
e cerrar as pestanas de tua boca
com um só toque
que me fizesse louca, tua, torpe,
das vezes que calei teus olhos,
das horas que fechei tua boca.
Sois três quando devias ser um apenas.
Embora na matéria sejas só corpo:
Olhos -dissimulados- enfeitiçados gnomos;
Boca -abençoada- carnudos gomos;
Coração -fogueira ardente- meu calabouço.
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