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Lião do Norti
A quem diga: foi azar
outros que foi sorte,
Mas, no mundo inteiro
não existi nem existiu
igual ao Leão do norte
Causou medo, espanto,
no distrito do moxóto
tinha gente apavorada
correndo pela estrada
com medo do pior.
Nos versos logo abaixo
descrevo com emoção
uma grande injustiça
virou caso de policia
o drama do leão.
Chumberão era um rapaz
nascido no moxóto
município de jatobá
descendente pankararu
era um grande guerreiro
respeitado no lugar.
Um dia estava caçando
era bem na madrugada
escutou uma barulheira
vindo lá do escuro
bem perto da estrada
Foi se aproximando
dando uma olhada
logo então percebeu
o que acontecia,
era uma caça acuada!
Estava sem cachorro
desde a morte de piaba
o melhor cão de caça
estavam sempre juntos
companheiro de caçada
Ficou esperançoso
queria outro cão.
“a caça tava acuada”
na certa tinha cachorro
matutava chumberão
Já foi assobiando
chamando a atenção
quando um cachorro
soltou ligeiro a presa
e ficou de prontidão!
De olho arregalado
Pensava chumberão
Que bicho esquisito!
E é todo peludo
Aqui na caatinga
Será um leão?
Deu mais uma assobiada
Pra ver qual era a reação
E quando estalou os dedos
Foi balançando o rabo
Veio em sua direção.
Caminharam noite adentro
E ao amanhecer o dia
Levou o leão pra casa
Pra fazer companhia
Adotou o novo amigo
“Piaba não voltaria”
Pegou uma tesoura
Que estava na parede
E decidiu cortar o pelo
Do cachorro cabeludo
Em mais ou menos ½ hora
Tinha cortado quase tudo
Cortou pela barriga
Nas costas e canela
Um pouco do rabo
E no lado da costela
Deixando na cabeça
Uma moita amarela
Deu banho no bicho
Fez questão de enxugar
Era um paparicado
De não se acreditar
Pois nem mesmo piaba
Ele gostava de tratar
E num é que o danado
Ficou quase um leão!
Pra espanto de um vizinho
Que curiava por uma brecha
Que tinha no portão
A noticia correu ligeira
E a casa de chumbeirão
Estava arrudiada de gente
Que vinha de toda parte
Só pra ver o leão.
O portão estava fechado
E as brechas foram tapadas
Com pedaços de algodão
Aumentando a curiosidade
Do povo que se aglomerava
So se via era empurrão.
Não demorou e o vizinho
Começou uma explanação
Contando como foi a captura
Daquele temido leão
Que fugiu de um circo
Que estava na estação
Dizia: a jaula era pequena
E não tinha cadeado
No balançar dos vagões
O bicho meio aperriado
Saltou pra fora da gaiola
Depois da tranca ter soltado!
Era um empurra, empurra
Aumentava a multidão
Já tinha gente de Deumiro
Organizando procissão
Pra vim ver o guerreiro
E o seu bravo leão
Chumberão tava assustado
Nunca tinha visto tanta gente
Tinha menino, rapaz, velho
Budista, católicos, crente
Branco, preto, amarelo
Gente sadia e até doente
O grande guerreiro
Não queria perder o cão
E o povo agora gritava
Numa grande exaltação
“apareça grande guerreiro”
E nos mostre o leão!
As ruas estavam fechadas
E a policia logo chegou
Foi a casa de chumberão
E a porta arrombou
As pessoas então gritaram:
O leão se soltou!
Tinha aleijado correndo
Que nem maratonista
Velha de noventa anos
Mais veloz que ciclista
E cego que voltou a ver
Sem ir a especialista
O medo era grande
Quem não andava andou,
E apesar do tumulto
Depois da correria
Ninguém se machucou
Realmente é um milagre
Exclamou um pastor
_estou vendo correndo
Gente que nunca andou
Será que no cemitério
Alguém ressucitou?
O budista um erudito
Também intusiasmado
Falava de encarnação
E não de ressucitado
Intrigando o padre
Que esatava do lado
A correria era grande
Um jovem desesperado
Dava passadas largas
Pra não ser devorado
Pelo leão do norte
Antes de ser formado
O povo num alvoroço
Corria pra todo lado
E o cachorro peludo
Saiu todo agoniado
Na direção do mato.
(Não devia ter voltado)
Foi quando um soldado
Puxou uma espingarda
Fez mira no animal
E ao puxar o gatilho
Viu um tombo mortal
_Morreu! Morreu o leão!
Gritaram da multidão
E saindo de casa
Rumo ao portão
Avista sangrando
Numa esquina o leão
Não se conteve
O grande guerreiro
E partiu junto
Do cão estradeiro
No mundo real
Virou estrangeiro.
Após tudo esclarecido
A procissão continua
Fizeram uma estatua
Bem no meio da rua
E ao pé do monumento
Uma pintura sua.
Medite nesta estória
Tire suas conclusões
Não se iluda não preze
Não se prenda a emoções
Não seja só mais um
Em meio as multidões.
Fim
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