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A CASA DOS OBJETOS FALANTES
O RELÓGIO VAIDOSO
SUELI COUTO ROSA

Resumo:
UM CONTO INFANTIL- UMA CASA ONDE OS OBJETOS INANIMADOS TOMAM VIDA TODAS AS NOITES

A CASA DOS OBJETOS FALANTES - O RELÓGIO VAIDOSO

Era uma vez uma casa com um velho relógio de pêndulo em uma sala de visitas. Todas as noites, após todos os humanos dormirem, os móveis da sala acordavam de seu sono pétreo e começavam a ter vida. Começavam a se mexer e a realizar seus sonhos como se fossem humanos. Na verdade, ficavam cansados de ser meros coadjuvantes da vida dos humanos. À noite viviam tudo intensamente porque voltariam ao seu estado de imobilidade assim que o primeiro humano acordasse.
O relógio da parede da sala sentia-se o mais importante porque era o único que tinha movimento natural. Seu tic-tac e seu pêndulo sonoro soava como um fluxo de vida e comandava os demais objetos.
As cadeiras gostavam de brincar de roda ao entorno da mesa, cantando cantigas. Contavam também piadas de como se sentiam quando os membros da família se sentavam sobre elas.
A mesa, como se fosse a mãe, impunha-se orgulhosa de suas toalhas rendadas, sempre elogiadas pelas visitas. Sonhava com o dia em que sobre ela seria servido o maior banquete, com talheres dourados, pratos de porcelana chinesa e todos a elogiariam com a mais bela mesa de banquetes.
O sofá também gostava de contar quantas pessoas importantes já haviam sentado nele e também quantas vezes o patrão nele dormiu depois de chegar cansado do trabalho. Mas contou também em como, depois que apareceu a tal televisão de tela grande, sua vida ficou mais difícil, pois todos as noites muitas pessoas nele se sentavam, durante horas, a ponto dele sentir-se velho e cansado. Seu sonho era ser revestido com um tecido de seda francesa e ser tão lindo que todos teriam receio em sentar-se nele para não o sujar.
Também a televisão, recém-chegada, começou a fazer parte da festa, escolhendo músicas e bons programas para divertir os demais. Sentiu-se feliz quando era a atração mais central da família. Contava o quando estava desanimada porque agora cada um dos humanos tinha uma televisão em seus próprios quartos. Nesta época, todos se sentiam parte de uma família e se solidarizavam em suas queixas e sonhos.
Até que um dia um caminhão de mudanças parou à porta da casa e os humanos começaram a remover todos os móveis de seus lugares e transportá-los.
Os móveis não sabiam o que estava acontecendo e nem para onde iriam. Ficaram assustados! Ouviram dizer que a casa havia sido vendida, pois o humano principal havia falecido e que cada um deles, os móveis, teria um novo destino.
Foi difícil para a mesa separar-se de suas cadeiras porque juntas não caberiam mais na nova casa para onde foram destinadas. O sofá, coitado, foi considerado fora de moda e levado para um depósito para ser doado. A televisão, rapidinho, ganhou um dono, que a levou de primeira em seu próprio carro. O único objeto que ficou foi o relógio de pêndulo, sozinho na parede vazia. Devido ao seu tamanho foi dado de presente para o novo proprietário.
Naquela noite em que todos se foram, o relógio entrou em pânico. O que seria dele de agora em diante? Para que servia um relógio em uma casa vazia? Como iria saber a hora de avisar seus colegas que já era o momento de calarem-se? Seu tic-tac disparou, quase lhe provocando uma pane total. Não sabia mais o que fazer. Não sabia mais porque trabalhar. Sentiu que poderia morrer de tristeza.
No dia seguinte, entretanto, outro caminhão parou à porta da casa. Caixas e caixas foram deixadas nas salas vazias. O relógio, esquecido na parede, perguntava-se sobre o que se escondiam dentro delas. Pouco a pouco chegaram tábuas e mais tábuas que foram armadas em estantes. Em poucas semanas, milhares de livros foram colocadas nelas, transformando o ambiente em um espaço elegante e silencioso, repleto das mais belas obras.
O local foi aberto como a Biblioteca principal da cidade, uma biblioteca que também oferecia espaços de lazer, eventos culturais e musicais.
Pronto, o relógio voltou a ser feliz! Agora, toda noite, costumava aprender muito, conversando com os livros, ouvindo boa música e avisando aos visitantes barulhentos, com seu pêndulo, a hora de fazer silêncio ou de deixar o recinto!
O relógio sentiu-se importante, outra vez!

Sueli Couto Rosa, 2018
          





Biografia:
Socióloga, professora universitária aposentada, escreve poesias, crônicas e contos, aproveitando seu tempo livre.
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