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  Texto selecionado
Sonho Antagônico
Ercilia Mendonça

Resumo:
Esta poesia teve origem em um sonho e relato ele da forma exata como sonhei, procurei trabalhar os verbos e não repetir, foram verbos criados para ela. Ele teve duas partes como mostra o texto. É um sonho sobre o tempo. Data 07 de abril de 1997.

Nesta noite ao passar
Tive um sonho terrível para contar
Alias, dois sonhos difíceis de falar
Quando do primeiro a despertar
Fiquei a constatar
Os fatos rápidos a analisar
Veio-me o segundo a entrar
Não sabendo por qual iniciar
E qual escolher para narrar
O primeiro a primogitar
Numa realidade rica, branca a acalmar
Na sutileza do brilhar o segundo a segundar
Na realidade nua a incentivar
Pobre, escura a acorrentar
O primeiro me pegou no limiar
Quase no fim do tempo cessar
E me chocou ao acordar
Pois vi o tempo passar
Sem poder acompanhar
O sonho tinha um ar
Branco em tudo a nevar
Suave, lento a planar
Rico, sofisticado a requintar
A sensação de atraso estar
No fazer hora ficar
Parando eu no caminhar
Vendo os outros de mim distanciar
E desaparecendo no horizontar
Mais branco a se anunciar
Isso aconteceu quando a par
Em desabalada carreira a empregar
Pus-me uma ladeira a escorregar
Atingindo o solo a esquiar
Comecei a lentar
Surgindo frente ao meu olhar
Uma rua plana irregular
Noto um menino uma flecha a lançar
Indo ao chão parar
Cessando ai o meu tempo a sonhar
E, sem conseguir alcançar
Acordei a pensar

Quando o segundo me veio apresentar
Uma outra atmosfera par
De vermelho a ocultar
Era escuro, corrido, a se agigantar
Assustado, medroso, a escapar
De um incêndio a propagar
Do trem nos trilhos a alastrar
Correndo sem tempo de avisar
Aos outros que para lá iam voltar
Sem saber do fogo a se ampliar
Numa covarde corrida a avançar
Perto do fim a finalizar
E o fogo atrás a catucar
Vejo uma ponte ao me aproximar
Corri até ao fim da ponte pegar
Sem saber que em nada ia dar
E as pessoas a gritar
A meia noite a ponte vai terminar
Sem querer acreditar
E sem chão para pisar
Fiz a volta a retornar
E o fogo atrás a queimar
Corri para ele não me tocar
E no meio uma escada a avistar
Desci de escorrego a deslizar
No ponto onde o sonho foi acabar
Dessa vez fiquei a meditar
Me atrasei pela pressa de chegar
E o tempo tornei a invocar
Nem tanto a terra, nem tanto ao mar
Porque o tempo está sempre a passar



Biografia:
Bibliotecária apaixonada pelo conhecimento, pela palavra, pelo pensar, observar e escrever. A poesia pura não sai da cabeça do escritor, mas da vida ao seu redor.
Número de vezes que este texto foi lido: 65717


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