Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
Um bailarino diferente...
Amauri Carius Ferreira

I

Que a arte (ideal de beleza) tem como principal função retratar o belo (o que tem aparência agradável) todos sabemos, mas o que não esperamos é que junto a esse belo possamos encontrar também o feio (desagradável à vista) isto é, um misto de belo e feio nessa mesma arte. Não o feio repugnante que provoca arrepios, mas o feio tolerável, aquele que não deixa nojo, isento de piedade ou outro sentimento do gênero. Em se tratando de beleza, principalmnente na arte de dançar, ela está bem próxima, é muito expressiva, e, infelizmente, esse é o ponto de vista que está inserido em nosso inconsciente, essa é a idéia que faz parte do nosso psicológico, é dessa maneira que é feita a nossa associação mental, embora sejam dsconhecidas as origens de tal "conceito".

II

Leiam o que aconteceu numa tarde de domingo quando fui ao Teatro Nacional para assistir a um espetáculo de dança.
Entrei, e como de costume, sentei-me na primeira fila. Caminhava o bailado quadro a quadro, até que em dado momento entrou em cena um bailarino diferente..., diferente do tradicional; era jovem, vestia branco, glúteos enrijecidos sobre pernas torneadas por sessões de academia, piruetas acrobáticas, e apesar de total domínio na arte de dançar, de realizar de maneira confiante todos os seus movimentos, angariar aplausos e provocar frenesi a um público entusiasmado sendo aplaudido de pé..., um pequeno detalhe o diferenciava, escapava a tudo que estamos acostumados..., não possuía na face nenhum sinal de beleza, lembrava o tocador de sinos de Victor Hugo (*), em suma, era feio, muito feio.

III

Amanheceu... Estava muito excitado para prestar atenção ao relógio, saltou da cama, era o dia de sua apresentação no Teatro Nacional, por sua mente, quadros e mais quadros lembravam-lhe a aventura no mundo da dança, lutara por seus objetivos, vencera o cansaço dos ensaios diários, enfrentara o desafio da dedicação exclusiva, tivera muitas ausências em reuniões sociais. Colocou todo material na bolsa (sapatilhas, a fantasia da apresentação, a caderneta que o acompanhava a todos os lugares) foi correndo para o teatro, chegou na hora da reflexão costumeira antes da entrada no palco, fez todos os preparativos enquanto seus colegas gritavam palavras de incentivo, ouviu seu nome ser anunciado, respirou... Entrou com elegância de movimentos, executou todos os passos de maneira correta, e como sempre, arrancou aplausos e, ao iniciar o retorno para o camarim, no exato minuto em que fazia mesuras de agradecimento, alguém na primeira fila chamou-lhe atenção, percebeu algo diferente..., um baixinho careca, usando óculos e barrigudo aplaudia com entusiasmo..., mas como era feio o tal baixinho!

IV

Depois de algum tempo analisando o fato procurei por lições, infelizmente não estamos acostumados ao ocorrido, convivemos com a idéia clássica de que no BALÉ; entendido como coreografia apresentada ao público por diversos dançarinos, geralmente acompanhada por música; prevalece a imagem do belo, não sendo comum encontrar um fato como o acontecido e, como parte integrante da sociedade, fiquei surpreso com o jovem bailarino. mas além de aplaudi-lo com entusiasmo, desejo-lhe muito sucesso, pois,para o talento não existem limites.


(*) O tocador de sinos de Victor Hugo(1802 - 1885): personagem do romance Nossa Senhora de Paris (1831) traduzido para a Língua Portuguesa como O corcunda de Notre-Dame. Era feio e disforme, mas de bom coração.


Conclusão - Preste atenção ao expressar seu ponto de vista, ele pode ser o pensamento de outra pessoa, inclusive simultâneo.



Amauri Carius Ferreira (Augusto de Sênior)



   






















Biografia:
Professor de Língua Portuguesa, Literaturas, Redação e Leitura, poeta, contista, cronista e romancista.
Número de vezes que este texto foi lido: 64254


Outros títulos do mesmo autor

Crônicas CRÔNICAS DE MARIA JOSE - APRESENTAÇÃO Amauri Carius Ferreira
Artigos PEQUENAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O PREFIXO LATINO Amauri Carius Ferreira
Contos O GRANDE MISTÉRIO Amauri Carius Ferreira
Artigos PEQUENAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O SONETO Amauri Carius Ferreira
Poesias LIBERDADE Amauri Carius Ferreira
Artigos PEQUENAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A POESIA Amauri Carius Ferreira
Crônicas Um bailarino diferente... Amauri Carius Ferreira
Poesias Decadência Amauri Carius Ferreira
Poesias Palavras! Amauri Carius Ferreira
Poesias ORAÇÃO Amauri Carius Ferreira

Páginas: Próxima Última

Publicações de número 1 até 10 de um total de 28.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
AA-XVI - Antonio Ayrton Pereira da Silva 67989 Visitas
O ensino brasileiro na educação básica - Marciana Caciano Damasceno 67839 Visitas
As coisas. - Rodrigo Nascimento 67451 Visitas
Ressignificar Quântico em Porto Alegre - Terezinha Tarcitano 67183 Visitas
A Abelhinha Jurema - JANIA MARIA SOUZA DA SILVA 66626 Visitas
IMPULSO IND A 18 ANOS - paulo ricardo azmbuja fogaça 66589 Visitas
Papel de Rabiscar - José Ernesto Kappel 66588 Visitas
A RIMA DO REINO ANIMAL - Simone Viçoza 66499 Visitas
O que e um poema Sinetrico? - 66444 Visitas
CRONICA - BENEDITO JOSÉ CARDOSO 66389 Visitas

Páginas: Próxima Última