Resumo: Helena tenta retomar sua rotina após o misterioso desaparecimento de seu marido, mas o isolamento em sua casa é interrompido por fenômenos sobrenaturais aterrorizantes. Durante um banho, uma mensagem de morte aparece escrita no vapor do box e seu celular, agindo por conta própria, entrega mensagens que indicam que alguém — ou algo — conhece seus segredos mais obscuros.
Ao buscar refúgio na voz da mãe, Helena é confrontada com uma realidade impossível: o marido morto está presente na casa da sogra, mudo e coberto de terra, exigindo respostas. O conto revela que Helena o assassinou e ocultou o corpo, e agora o espírito da vítima retornou para atormentar, transformando sua culpa em um pesadelo visceral para força a confessar o crime e revelar o local da desova. |
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O vapor no banheiro estava tão denso que as paredes pareciam suar. Helena fechou os olhos sob a água quente, tentando lavar a tensão dos últimos dias. Desde que o marido desapareceu, o silêncio da casa era sua única companhia, mas era um silêncio que pesava.
Ela desligou o registro. O box de vidro estava completamente opaco pela névoa branca. Helena esticou a mão para limpar uma fresta no vidro, mas parou no meio do movimento. Alguém, ou algo, havia escrito do lado de fora, no vapor que cobria a superfície:
VOCÊ IRÁ MORRER.
O coração de Helena deu um salto violento contra as costelas. Ela esfregou os olhos, mas as letras continuavam ali, escorrendo em sulcos irregulares, como se dedos invisíveis tivessem acabado de traçar a sentença.
De repente, o toque do celular ecoou. O som não vinha do quarto, mas de cima da bancada da pia, onde ela tinha certeza de não tê-lo deixado. O aparelho vibrava freneticamente, girando sobre o mármore. Helena abriu o box com um solavanco, a pele ainda molhada e fria. Ela agarrou o aparelho com as mãos trêmulas.
Na tela, o visor brilhava: NÚMERO DESCONHECIDO.
Antes que pudesse atender, a chamada caiu, e uma mensagem de texto surgiu imediatamente: "Eu sei onde você o colocou."
O pânico a dominou. Helena enrolou-se na toalha e correu para o quarto, trancando a porta. Seus dedos discaram o número da mãe quase por instinto, a única voz que poderia acalmá-la naquela paranoia crescente.
— Alô? Mãe? — Helena sussurrou, a voz quebrada.
— Helena? Graças a Deus você ligou! — A voz da mãe do outro lado estava carregada de uma estranheza perturbadora. — O seu marido... ele está aqui, querida.
Helena sentiu o mundo girar. O estômago revirou com uma náusea insuportável.
— O quê? Do que você está falando? Isso é impossível.
— Ele chegou agora há pouco — continuou a mãe, o tom de voz tornando-se monótono, quase mecânico. — Ele não diz muita coisa. Está parado no canto da sala, todo sujo de terra. Ele só pergunta por você, Helena. Ele quer saber por que você não conta para ninguém onde o deixou.
O celular de Helena ficou gélido em sua mão. Ela olhou para o próprio reflexo no espelho do guarda-roupa e viu, por um segundo, o vulto do marido parado exatamente atrás dela, com a cabeça pendida em um ângulo antinatural.
A verdade, sufocada sob o piso falso da garagem, agora emergia em forma de tormento. Helena não era a vítima de um perseguidor; ela era a presa de um espírito que não buscava vingança, mas o direito de ser encontrado. As luzes do quarto começaram a piscar enquanto a voz da mãe, agora distorcida pelo chiado da linha, repetia sem parar:
— Diga onde ele está, Helena. Diga onde você o escondeu. Ele quer voltar para casa.
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Biografia: Anderson Del Duque é um cineasta, ativista, produtor e roteirista brasileiro. Seu filme de maior sucesso é O Taxidermista em 2015 pela Monumental Filmes do Brasil. Por seu trabalho neste filme, ganhou diversos festivais nacionais e internacionais.
Nascimento: 28 de junho de 1978(idade 41 anos), Sumaré, São Paulo
Cônjuge: Érica rocha de assunção Del Duque (desde 2000)
Roteiros: o Taxidermista, Deixando para Morrer, Vozes,transtorno e mais
Prêmios: Cine tamoio festival festival - Melhor produção de minuto Saco de pancadas - FICC Melhor filme de minuto e melhor filme esportivo
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