Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
Obstinação mística
Flora Fernweh

Ontem comemorou-se o dia nacional dos rosacruzes, o que me fez recordar de meu fascínio pela jornada mística nos entremeios de minha juventude. Nunca nutri fanatismos, bem como nunca aceitei cegamente o que as religiões impunham. Não sou filiada a seitas nem a qualquer ordem tradicionalmente vista como subversiva. Mas grandes perguntas floresceram em minha fértil mente repleta de pensamentos e reflexões ainda muito jovem. Questionamentos que transcendem a materialidade do mundo me incitaram a buscar consolo e respostas na Antiga e Mística Ordem Rosacruz (A.M.O.R.C), com a qual de pronto me identifiquei em razão de meu encantamento de uma vida pelo Egito Antigo, da busca pelo belo e pelo bem e da ideia de uma harmonia universal. É difícil criar uma fortaleza em torno de si quando temos grandes perguntas que urgem respostas certeiras e metafísicas, e foi desta maneira que entrei em contato com os ideais místicos da Ordem, a partir da qual pude me desenvolver espiritualmente, mesmo não sendo oficialmente soror filiada. Além de Rosacruz, entrei em contato com as ordens Martinista e Guias do Graal. Lembro-me nitidamente de minha admiração pelas origens e pela história da Ordem Rosacruz, assim como por célebres figuras que por ela tiveram passagem. A partir de então, mergulhei em estudos herméticos e elevadores do espírito humano, de modo a fazer jus ao sentimento de herdeira dos ensinamentos legados pelo rosacrucianismo. Minha imersão, entretanto, não tinha como finalidade última a compatibilidade plena com uma ordem mística, posto que minhas curiosidades me conduziram a importantes reflexões pessoais que contribuíram com o meu amadurecimento intelectual, ao passo em que não me permitem esquecer de que o exercício filosófico é estreitamente vinculado à prática humana, sendo um ato sublime de contemplação pura e sabedoria altiva, o que ultrapassa em valor qualquer intelectualismo vistoso. Há uma fagulha que se acendeu desde antes de minha existência, como uma chama que devo manter viva pelo caminho místico que guia até à bondade, à integralidade e à paz entre os seres humanos. Minha mística é incansável, mas não há nada de sedutor ou bruxuleante nela. É uma mística aplicada à melhoria das situações reais tendo como lema a paz profunda. Desde a infância e com o passar dos anos, muitas questões relacionadas à existência me colocaram em posição de inconformismo com o que era propagado pelo senso comum. Eu sentia falta de algo a mais, que pudesse ao menos entender a natureza de minhas interrogações, não necessariamente respondê-las, dado o nível de sua complexidade subitamente verificável. Somado aos estudos rosacruzes, tive o privilégio de entrar em contato com ideias da professora Lúcia Helena Galvão por meio da Nova Acrópole, que aguçou em mim perguntas ainda mais irrespondíveis e dotadas de amplo magnetismo. Arduamente embrenhei-me em estudos sobre Hermes Trismegisto, as sete leis herméticas, o simbolismo do Caibalion, mitologias, grandes estudiosos do ocultismo e princípios alquímicos, o que complementou meus estudos de forma eternamente significativa. Acima de tudo, aprendi em minha jornada mística, que o estudo é fonte de evolução do espírito, e agregador na medida em que vemos a manifestação do bem ao nosso redor. É sobretudo, individual, mas não no sentido egóico do termo, e sim porque o conhecimento adquirido assume feições e funções diferentes em cada um, pondo-nos em equilíbrio. Quando o saber encontra a felicidade, ele se torna necessário. E quando a felicidade vai de encontro ao saber, ele se torna indestrutível.


Biografia:
Sobre minha pessoa, pouco sei, mas posso dizer que sou aquela que na vida anda só, que faz da escrita sua amante, que desvenda as veredas mais profundas do deserto que nela existe, que transborda suas paixões do modo mais feroz, que nunca está em lugar algum, mas que jamais deixará de ser um mistério a ser desvendado pelas ventanias. 
Número de vezes que este texto foi lido: 53074


Outros títulos do mesmo autor

Poesias Literatura feminina Flora Fernweh
Sonetos Ah mar (ço) Flora Fernweh
Crônicas Temor à técnica Flora Fernweh
Crônicas Bissextagem Flora Fernweh
Crônicas Textos ruins Flora Fernweh
Contos Um gato na campina Flora Fernweh
Crônicas Crônicas de Moacyr Scliar - impressões pessoais Flora Fernweh
Artigos Exílio, de Lya Luft - impressões pessoais Flora Fernweh
Poesias Confins de janeiro Flora Fernweh
Crônicas Crítica ao fluxo de consciência Flora Fernweh

Páginas: Próxima Última

Publicações de número 1 até 10 de um total de 383.


escrita@komedi.com.br © 2024
 
  Textos mais lidos
JASMIM - evandro baptista de araujo 69085 Visitas
ANOITECIMENTOS - Edmir Carvalho 57981 Visitas
Contraportada de la novela Obscuro sueño de Jesús - udonge 57638 Visitas
Camden: O Avivamento Que Mudou O Movimento Evangélico - Eliel dos santos silva 55912 Visitas
URBE - Darwin Ferraretto 55231 Visitas
Entrevista com Larissa Gomes – autora de Cidadolls - Caliel Alves dos Santos 55216 Visitas
Caçando demónios por aí - Caliel Alves dos Santos 55098 Visitas
Coisas - Rogério Freitas 54973 Visitas
ENCONTRO DE ALMAS GENTIS - Eliana da Silva 54969 Visitas
Sobrenatural: A Vida de William Branham - Owen Jorgensen 54969 Visitas

Páginas: Próxima Última