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AO COLEGA DA CASA VERDE (O ALIENISTA- MACHADO DE ASSIS)
Flora Fernweh

Enclausurada neste cárcere denominado Casa Verde, não me sinto apenas como um pássaro enjaulado, mas como uma ave que perdeu suas asas e sua dignidade. Este ambiente em que vivemos é cruel, desumano e arrebatador, sinto-me angustiada a cada minuto que passa e encrava um relógio da mesma forma em que lágrimas perfuram as faces de muitos assolados deste recinto.
     Convivo com uma curiosidade latente em saber os motivos que trouxeram muitos para este local. A história de como vim parar aqui é a seguinte: eu estava em local público mergulhando em um livro até que os capturadores acionados pelo Dr. Bacamarte vieram ao meu encontro e indagaram-me: “Quem é você?” E subitamente, respondi: “Como poderei saber? Se hoje já não sou o que fui ontem e amanhã não serei quem sou hoje!” e sem hesitar, me levaram à força para o manicômio, este fato foi o estopim, mas já desconfiavam de meus delírios, pois anterior a isso, escrevi uma mensagem anônima, coloquei em uma garrafa e joguei ao mar, jamais saberei se alguém encontrou, talvez o próprio Dr.Bacamarte a encontre um dia.
     Suspeito que até você me considere louca, maluca, delirante por escrever demais ou utilizar recursos poéticos e de linguagem que você possa talvez não compreender. A verdade é que ainda não encontrei motivos que possam justificar minha vinda para cá, e muito menos o motivo por eu ser assim.

Escreva-me! Estou curiosa para conhecer sua história.
Obrigada.


Biografia:
Sobre minha pessoa, pouco sei, mas posso dizer que sou aquela que na vida anda só, que faz da escrita sua amante, que desvenda as veredas mais profundas do deserto que nela existe, que transborda suas paixões do modo mais feroz, que nunca está em lugar algum, mas que jamais deixará de ser um mistério a ser desvendado pelas ventanias. 
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Poesias NORDESTE D'AMOUR Flora Fernweh

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