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Pergunto ao barco aonde vai,
seus olhos sem bússola, no cais,
me olham com desalento e apontam a linha do horizonte,
me diz - vou aonde a esperança de ser encontrada se esconde,
onde os homens naufragam seus íntimos desejos,
onde poucos sobrevivem, os que não tem medo
de ver a própria face estampada diante de si,
o mesmo espelho...
Pergunta-me o pássaro onde quero ir,
suas asas fechadas esperando a hora de partir,
no mais alto que posso estar me observa com amor e respeito,
digo - tenho voos que nunca alcei, rasantes sobre planícies, no peito
uma pergunta que me segue desde o dia do nascimento,
como fosse eu um reles cisco no tempestuoso vento,
quero ir aonde o amor mora, numa cabana deserta
onde suas mãos tocam corações e os despertam...
Os dias longos e quentes se abanam e o sal marinho avança,
meus olhos, os mesmos, olham este mundo
como quando eu era criança...
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