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TOLICE E SABEDORIA
Silvio Dutra


Provérbios 4 Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia; para que também não te faças semelhante a ele.
5 Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus próprios olhos.

Veja aqui a nobre segurança do estilo de escritura, no que parece contradizer a si mesma, mas realmente não.
É preciso sabedoria para lidar com os tolos; no que tange a saber quando se deve manter o silêncio e quando falar, pois pode haver um tempo para ambos.
Em alguns casos, um homem sábio não irá equiparar a sua habilidade à de um tolo a ponto de lhe responder de acordo com sua insensatez.
Se ele se orgulhar de si mesmo, não lhe responda com vanglória de ti mesmo. Se ele falar apaixonadamente, não fales apaixonadamente também. Se ele contar uma grande mentira, não digas outra. Se ele caluniar os teus amigos, não faças qualquer calúnia ou concorde com o que ele diz. Se ele fizer chocarrices (brincadeiras de mau gosto), não lhe respondas em sua própria língua , para que não sejas como ele, ainda que tenhas um conhecimento melhor das coisas em que poderia ser ensinado, mas percebes que se interessaria em aprender, e muito ao contrário, ficaria irado com o fato de ser contraditado.
No entanto, em outros casos, um homem sábio vai usar sua sabedoria para a condenação de um tolo, quando, ao tomar conhecimento de que no que ele diz, possa haver esperança de fazer o bem, ou pelo menos evitar mais, prejuízo, quer para si próprio ou para terceiros.
Então, partindo do que ele tiver proferido pode ser acrescentado algo que conduza a um verdadeiro bem.
Nesse caso é possível que ao ver que a tua interposição apontou para um caminho melhor, o tolo não terá ocasião de se gabar de um sabedoria que pensava ter, e que por fim entendeu que há uma sabedoria verdadeira e melhor.
Quantos não chegam ao arrependimento e à conversão, por este processo, uma vez que o Espírito Santo pode levar o tolo a se convencer da sua condição e aspirar por obter a verdadeira sabedoria que há em conhecer a Jesus Cristo e a Sua Palavra.
Especialmente nos assuntos relativos à religião a “sabedoria” do mundo vai justificar a sua rejeição da verdadeira sabedoria que procede de Deus, com base nos mais variados argumentos, que vão desde a rejeição de um estilo de vida mais estrito e recolhido como exemplificado no ministério de João Batista, até o estilo mais livre e aberto que temos no ministério do próprio Senhor Jesus Cristo. A liberdade que o evangelho dá aos crentes, não era concedida a João Batista, na condição de nazireu que era, segundo a Lei do Velho Testamento.

Por isso Jesus dirigiu aos judeus as seguintes palavras:

“Mas que saístes a ver? um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta.
Este é aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu anjo diante da tua face, O qual preparará diante de ti o teu caminho.
E eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João o Batista; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele.
E todo o povo que o ouviu e os publicanos, tendo sido batizados com o batismo de João, justificaram a Deus.
Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele.
E disse o Senhor: A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes?
São semelhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns aos outros, e dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes.
Porque veio João o Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demônio;
Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e pecadores.
Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos. (Lucas 7.26-35)
Veja que Jesus se refere à sabedoria dos que reconheceram a procedência divina e celestial tanto no seu ministério, quanto no de João Batista, como sendo a verdadeira sabedoria que é justificada por todos aqueles que nasceram de novo, pois é pela justiça do evangelho que tanto João e nosso Senhor anunciavam que o homem é perdoado e justificado por Deus.
Ninguém é salvo e aceito por Deus por recusar ou aceitar determinados alimentos ou modo de se vestir, como costumam fazer os que são apenas religiosos e não convertidos de fato, mas por se arrependerem e crerem no evangelho.
Nosso Senhor Jesus era de uma conversa mais livre e aberta do que a de João; ele veio comendo e bebendo (v. 34) pois não estava debaixo dos votos do nazireado exigidos no Velho Testamento, uma vez que veio introduzir um Novo Testamento.
Ele iria jantar com fariseus, embora soubesse que em sua maioria eles não se importariam com ele; e também com os publicanos, embora soubesse que um grande número deles não lhe dariam qualquer crédito; mas, ainda, na esperança de fazer o bem, tanto para um grupo quanto ao outro, ele conversava familiarmente com eles.
Por isso, parece que os ministros de Cristo podem ser de muitos tipos diferentes de temperamentos e disposições, tanto na maneira da pregação e de vida, e ainda todos serem bons e úteis; na diversidade de dons que é dada a cada um para o proveito comum.
Portanto, ninguém deve fazer-se um padrão para todos os outros, nem juiz daqueles que não fazem exatamente como eles fazem.
João Batista deu testemunho de Cristo, e Cristo elogiou João Batista, embora fossem o inverso um do outro no seu modo de viver.
Mas os inimigos comuns de ambos os acusavam. Os mesmos homens que tinham descrito João como louco em seus intelectos, porque ele veio não comendo nem bebendo, descreviam nosso Senhor Jesus Cristo como corrupto em sua moral, porque ele veio comendo e bebendo; ele é um homem comilão e bebedor de vinho, diziam.
A má vontade nunca fala bem. Veja a malícia das pessoas más, e como elas colocam a pior interpretação em tudo que encontram no evangelho, e nos pastores e mestres do mesmo; e por este meio, pensam que podem depreciá-los, senão, até mesmo destruí-los; sem saber que é Deus que mantém o testemunho de Jesus Cristo na terra pelo poder do Espírito Santo, através de todos os que foram justificados pela fé.
Por isso, apesar de toda essa rejeição, Jesus disse que Deus será glorificado na salvação de um remanescente escolhido (v. 35); pois a sabedoria é justificada por todos os seus filhos. Há aqueles que são dados à sabedoria como seus filhos, e eles serão conduzidos pela graça de Deus para se submeterem à conduta e governo da sabedoria, e, assim, para justificar a sabedoria nas formas que ela apresenta para trazê-los à submissão à justiça e à verdade.
Nós podemos confirmar o uso do sentido do verbo justificar que Jesus faz no verso 35, com o mesmo que é feito no verso 29, quando diz que:
“E todo o povo que o ouviu e os publicanos, tendo sido batizados com o batismo de João, justificaram a Deus.”
Vemos assim que do mesmo modo que os que creram na pregação de João deram testemunho de serem de Deus, de igual forma os que creram tanto na sua pregação do evangelho quanto na de Jesus, deram testemunho de pertencerem à sabedoria divina, da qual se tornaram filhos.
No texto paralelo de Mateus 11.19 nós lemos: “Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores. Entretanto a sabedoria é justificada pelas suas obras.”
Temos aqui em vez de “a sabedoria justificada por todos os seus filhos”, do evangelho de Lucas, “a sabedoria é justificada pelas suas obras”, ou seja, é pelos seus efeitos verdadeiros e salvíficos que a sabedoria que procede de Des é reconhecida, a saber, é justificada por ser verdadeira pelas obras que realiza na vida daqueles que a possuem.
Tiago se refere a isto em outras palavras, dizendo que a verdadeira fé que salva é reconhecida pelas obras que ela produz na vida daqueles que são salvos por meio dela.
E quais são estas obras?
Principalmente, justificação, regeneração, santificação e glorificação.
Os que não são tolos para Deus são aqueles que nasceram de novo do Espírito Santo, e por cujo trabalho em suas vidas, a sabedoria divina vai sendo implantada cada vez mais, à medida da consagração dos mesmos.


Biografia:
Servo de Deus, que tendo sido curado, pela graça de Jesus, de um infarto do miocárdio e de um câncer intestinal, tem se dedicado também a divulgar todo o material que produziu ao longo dos 43 anos do seu ministério, que sempre realizou para a exclusiva glória de Deus, sem qualquer interesse comercial ou financeiro. Há alguns anos atrás, falou-me o Senhor numa visão que eu fosse ter com os puritanos e com Martyn LLoyd Jones. Exatamente com estas palavras. Por incrível que possa parecer, até então, nunca havia ouvido falar sobre os puritanos e LLoyd Jones. Mais tarde, fui impelido pelo Senhor a divulgar todo o material que havia produzido como fruto do referido estudo. Você pode ler e baixar estas mensagens nos meus seguintes blogs e site: http://livrosbiblia.blogspot.com.br/ Comentário dos livros do Velho Testamento https://www.legadopuritano.com/ https://spurgeonepuritanos.net/ https://jenyffercarrandier.wixsite.com
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