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Hoje sei porque a poesia não sai de casa,
nem faz fogueira, nem acende brasas,
nem grita, canta, chora ou ri...
(Dizem que pode nem existir...)
Mal vista nas redondezas do bem estabelecido,
sempre passa desapercebida pela cidade;
espia, sem compromisso, por detrás do vidro,
nada anuncia, não se incumbe da verdade,
vive como sempre por eternidades tem vivido,
como sol no céu da verdadeira vontade...
Apanha um cisco aqui, um graveto acolá,
anda pelos arredores das coisas,
quando cisma anda sobre o mar...
Quando a chamo sei que não tem nome,
digo qualquer coisa que seja intensa,
ela vem, como eu vou, quando tenho fome...
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