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Quem já me viu sabe o que não sou...
Nem sabe se um dia ri,
se minh'alma chorou
de encantamento,
não sabe de que cor
são as paredes por dentro,
quantos quadros tenho pendurado
por detrás do olhos,
se valho-me deles para ver o mundo,
porque esse tom tão azul, tão profundo,
se conto o tempo em séculos ou eras,
se fustigado torno-me ou não fera,
nem percebe a palidez
dos versos que escrevo,
se os faço em ato de coragem ou de medo
que descubram o que sou por dentro,
eu, que por tanto tempo
tenho vivido como um mágico
a me esconder sob a capa
para não mostrar a face trágica,
o sorriso amarelo,
neste mundo cruel,
que me reparti em versos,
agridoces, às vezes amargos,
às vezes mel...
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