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O braço do morto
Jerônimo da Silva da Cunha

Certo cidadão que morava no interior de São Paulo, acabara de casar e estava à procura de emprego. Alegava ser padeiro, auxiliar de obras, pintor, técnico em informática, vendedor e mais umas quatro ou cinco profissões. Entregava currículo desesperadamente em tudo que era lugar, até mesmo na banca de revistas que ficava na pracinha.
   Nessa busca desenfreada por emprego, acabou entregando currículo em uma funerária. Como possuía carteira de habilitação, logo foi chamado para dirigir o rabecão. Com medo, porém, precisando de dinheiro para sustentar sua nova família, foi.
   Chegando lá o encarregado deu-lhe algumas instruções do que fazer em determinadas situações. O salário não era lá essas coisas, mas, foi o que ele encontrou.
   Dirigia sempre numa boa, claro, ele raramente via do defunto. Um dia o encarregado ofereceu-lhe uma promoção: trabalhar lavando e vestindo os falecidos. Ele prometeu pensar com calma e no dia seguinte voltaria com a sua decisão.
   Chegando em casa, antes mesmo de pedir a opinião da esposa, a mesma logo veio em sua direção com uma cara de confusa. Ele notou o semblante da mulher e perguntou:
- O que houve?
- Estou grávida! – Afirmou mostrando um exame.
- Não pode ser. Está falando sério? – Perguntou ele confuso coçando a cabeça.
- Estou falando sério amor, olha aqui o exame.
   Ele então decidiu que não deveria pedir opinião a ela e sim aceitar o desafio. Mal dormiu a noite e já chegou ao serviço dizendo ao encarregado que ele aceitaria a promoção.
   Logo no primeiro dia vieram os cadáveres e ele com uma mangueira lavava e esfregava de olhos fechados. Chegou a hora que ele mais temia: vestir o morto. Ele vestiu, rezando todas as orações que conhecia.
   O tempo passou e ele já estava acostumado com o seu trabalho, nem ligava mais se o morto era feio ou não. Sempre que terminava o serviço, olhava na placa o nome do falecido e dava tchau ao mesmo.
   Um dia um colega seu, ao colocar o defunto na maca, não arrumou muito bem o seu braço. Ele indo embora, já perto do ponto de ônibus notou que esquecera a carteira no serviço. Voltando as pressas ao galpão onde ficava os cadáveres passou despercebido pelo morto que o colega deixara mal arrumado, se bateu na ponta da maca e o defunto pendurou o braço. Chegou ao local onde deixou a carteira, pegou-a e voltou por cima do rastro. Quando chegou perto da maca que o morto pendurou o braço pra fora, enganchou o antebraço na mão gelada do morto. O coitado saiu desesperado correndo que esqueceu até o ônibus que iria pegar pra voltar pra casa. Correu a pé mesmo e chegou em casa sem voz. A mulher quando o viu naquela situação riu de cair e ele coitado, permanece mudo do susto que tomou.


Biografia:
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