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PROJETO DE PESQUISA: EXPRESSIONISMO NO BRASIL
EXPRESSIONISMO
Ismael Monteiro

Resumo:
Objetiva mostrar a influência do movimento artístic expressionista na Semana de Arte Moderna no Brasil em 1922.

1 TÍTULO: A INFLUÊNCIA DO MOVIMENTO ARTÍSTICO EXPRESSIONISTA NA SEMANA DE ARTE MODERNA NO BRASIL EM 1922

2 RESUMO

Este projeto tem como propósito definir os caminhos que serão utilizados para a pesquisa a ser realizada, cujo objetivo será o de identificar a influência do movimento artístico expressionista na Semana de Arte Moderna no Brasil em 1922. A problemática para a futura pesquisa, consiste em saber como se deu a inserção do expressionismo neste Evento. O trabalho vai trazer importantes contribuições para o mundo da pesquisa, pois a partir daí se conhecerão como se deu a entrada de novas idéias no País e como este evento influenciou os outros que se sucederam mais tarde. O expressionismo surgiu na Alemanha em 1905, na cidade de Dresdem, influenciado pela situação perturbada que vivia a sociedade daquele país. O expressionismo significa a distorção da forma, um grito contra ao tradicionalismo e a centralização e a favor do espírito e das inovações. O Die Brücke (A Ponte), foi o primeiro movimento que surgiu por conta do expressionismo e se constituiu num elo entre as tendências revolucionárias da Arte Moderna no Brasil. Este movimento muito influenciou as obras de Anita Malfatti, que teve pouca receptividade no meio artístico nacional naquela época. A inauguração da Semana esteve a cargo de Graça Aranha, que fez um discurso comentando o evento.
O programa da Semana apresentou, em síntese, os seguintes expoentes, dentre outros: na música, Villa Lobos; na literatura: Mário de Andrade; na escultura: Victor Brecheret; na pintura: Anita Malfatti. Apesar da grandiosidade da mostra, esta recebeu muitas críticas contrárias, especialmente a de Monteiro Lobato, criticando as obras de Anita Malfatti. O método a ser utilizado será o bibliográfico, que consiste na investigação junto aos autores consagrados sobre o assunto em tela.
Palavras-chave: arte, Brasil, expressionismo, moderna, movimento, semana.



3 DEFINIÇÃO DO OBJETO E PROBLEMÁTICA

     O Brasil dos anos 1920 era pouco desenvolvido e sua economia estava mais voltada à produção do café. Mesmo com esta situação, nos meios artísticos e culturais estava se iniciando uma luta em busca da modernidade.      
De olho no que acontecia na Europa, muitos artistas brasileiros e outros que por aqui passaram, já queriam expor seus trabalhos em público, para que todos observassem as transformações ora em curso no mundo.
     A luta pela quebra de paradigmas estava começando a criar força no meio artístico e cultural nacional, embora a sociedade brasileira ainda estava apegada a modelos tradicionais. Por isso, a passagem de um modelo tradicionalista para outro, inovador e modernista era difícil, ou porque não dizer, penoso.
É nesse contexto conturbado que uma leva de artistas quis mostrar seu trabalho, como uma forma de contribuir para a atualização da inteligência artística brasileira, ou seja, abriu caminhos para a ruptura das tradições conservadoras até então vigentes.
     A cidade de São Paulo, local da Semana de Arte Moderna de 1922, atravessava na época, um período de grande agitação ideológica e intelectual. Enquanto irrompia na cidade o modernismo, na Europa, o movimento intelectual e artístico mais poderoso era o expressionismo, que envolvia as artes verbais, as artes visuais, o teatro, a dança, a música e o cinema, segundo Oliveira (1993).
     A promoção da Semana de Arte de 1922 em São Paulo, foi complexa e representou um desafio nos meios artísticos, cujos principais questionamentos eram: Como o público iria aceitar os ares da renovação? Qual o entendimento dos críticos em relação às tendências expressionistas do período?
A reflexão sobre essas questões abriu espaço para que se percebesse a importância do evento, pois estariam na berlinda vários artistas que queriam mostrar sua arte inovadora, cuja fonte era sem dúvida, os diversos movimentos artísticos que existiam na época e que adquiriram novas formas de expressão, capazes de representar os problemas contemporâneos.
     Neste sentido, o movimento expressionista que apareceu na Alemanha em 1905, parece que se identificou com alguns objetivos da Semana, pois os artistas que ali expuseram suas obras eram contrários ao tradicionalismo e queriam criar um arte genuinamente nacional, ou seja, construir uma identidade visual brasileira. Em razão destes aspectos, questiona-se: “Qual a influência do movimento expressionista europeu na Semana de Arte Moderna de 1922?”

     
4 JUSTIFICATIVA

     Um estudo sobre a influência expressionista na Semana de 1922, é oportuno e relevante, pois o estímulo à modernidade que permearam a realização deste evento vinha dos recentes fenômenos culturais internacionais, considerados movimentos de vanguarda como o expressionismo. Por isso, a importância da pesquisa a ser realizada se justifica pois a partir daí, poderá ser conhecida as origens da inovações que estavam sendo apresentadas na Semana de 1922 e seus reflexos na sociedade brasileira.
Deve-se citar também, a multiplicidade de enfoques pela qual se busca compreender a Semana de 1922, na qual parece supor que há algo nela que ainda não se deixou compreender inteiramente, ou seja, há sempre um tom de interrogação que exige novas pesquisas, pois a forma como se realizou o evento, despertou a paixão violenta, com discussão de idéias em torno de vários objetivos, dentre eles, o essencial de criar uma arte genuinamente nacional sem esquecer de suas raízes, dentre as quais, a expressionista, em contraponto com a realidade brasileira.
     Outrossim, a quase ausência de trabalhos específicos sobre a influência expressionista no Brasil, demonstra a necessidade de um estudo que procurasse ampliar a reflexão sobre as obras desta vertente e que estavam presentes na Semana de 1922, tornando-se um dos primeiros passos da história do modernismo brasileiro.

          
5 OBJETIVOS

5.1 OBJETIVO GERAL

-     Identificar a influência do movimento artístico expressionista na Semana de Arte Moderna de 1922.

5.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

-     Analisar as características fundamentais do movimento expressionista.
-     Conhecer o movimento expressionista no Brasil.
-     Analisar a importância da Semana de 1922 para a sociedade brasileira e seus reflexos na música, literatura, pintura, arte, arquitetura e escultura.
     

6. QUADRO TEÓRICO-METODOLÓGICO

6.1 O MOVIMENTO EXPRESSIONISTA

     O início do século XX foi marcado por muitas transformações, o que obrigou o homem a pensar diferente. Neste sentido, percebeu-se que a realidade ia mais longe do que se pensava. A geração de artistas que emergia naquela época, começou a criticar duramente o realismo dos impressionistas.
     Neste universo de transformações é que nasceu o movimento expressionista, segundo o qual, qualquer artista que dele fizesse parte, deveria distorcer exageradamente a forma e aplicar a tinta subjetivamente, conforme Behr (2000).
     Os novos artistas que surgiram, “queriam destituir a realidade do puramente visível e, como eles próprios diziam, “olhar por detrás da aparência das coisas”, para, deste modo, desenhar uma imagem mais verídica do mundo”, segundo Kraube (2000, p. 86).
     Por causa desta nova maneira de ver o mundo, as obras expressionistas fugiam do padrão de beleza tradicional para mostrar um enfoque pessimista da vida, no qual podem ser visíveis os sentimentos de inadequação do artista diante da realidade ou mesmo, mostrando os problemas sociais existentes.
     Bornheim (1975) relata que a palavra mais adequada para definir o expressionismo seria o grito, que brota de uma solidão radical ou de um sem-sentido radical, no qual a identidade se fragmenta, chegando a plurificar-se em diversas personagens.
     Behr (2000, p. 8) mostra que o editor de política e crítico de arte Herbert Kühn proclamou: “O expressionismo é – e também o socialismo – um só grito contra o materialismo, contra o não-espiritual, contra as máquinas, contra a centralização, e a favor do espírito, a favor de Deus, a favor da humanidade e do homem”.
Embora imbuída de princípios espiritualistas, esta versão do expressionismo não forneceu uma plataforma política efetiva, pois a “própria história da arte sofreu uma redefinição devido à crescente superposição entre os estudos sociais e culturais”, conforme Behr (2000, p. 9).
     Segundo Lopes (2007), o expressionismo pode ser descrito como a arte do instinto, ou seja, trata-se de uma pintura dramática, subjetiva, “expressando” sentimentos humanos. Utilizando cores irreais, dá uma forma plástica ao amor, ao ciúme, ao medo, à miséria humana e à prostituição. Com isso, deforma-se a figura para ressaltar o sentimento. Em outras palavras, as principais características utilizadas pelo expressionismo são:
a)     técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou provocando explosões;
b)     pesquisa no domínio psicológico;
c)     dinamismo improvisado abrupto, inesperado;
d)     cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas;
e)     pasta grossa, martelada, áspera;
f)     preferência pelo patético, trágico e sombrio.
Pode-se observar, que os artistas expressionistas estavam procurando novos valores e utilizavam a arte para expressar o seu repúdio ou sua inconformidade diante da ordem vigente. Em seus comentários sobre o assunto, Kraunbe (2000, p. 87) enfoca bem o que era esta busca:

Com a fé no desenvolvimento, numa nova geração de criadores e de consumidores, fazemos um apelo a toda a juventude, e como juventude portadora de futuro, queremos reinvidicar a liberdade, viver e lutar contra as forças conservadoras e o poder estabelecido. Todo aquele que representar diretamente e sem falsificações aquilo que o impele a criar, é um de nós. Esta fórmula digna de uma profissão de fé, fez furor na história da arte, apesar do termo “arte” nunca ter sido mencionado.

     Baseado na reação contra o passado, ou os vários movimentos de arte vigentes, o movimento expressionista nasceu na Alemanha por volta de 1905. Lynton (1978) relata que este movimento apareceu naquele país em Dresden, quando um punhado de jovens artistas formou um grupo revolucionário de pintura a que deu o nome de Die Brücke (A Ponte), para indicar o seu desejo de constituir um elo entre todas as tendências revolucionárias da arte. De certo modo, o expressionismo representa um ressurgimento da situação perturbada da sociedade alemã da época. Daí surge a típica deformação expressionista, que se encontra nas obras de Van Gogh (1853-1890), Edward Munch (1863-1944) e James Ensor (1860-1949), que maior influência exerceram sobre os expressionistas alemães. Munch expôs em Berlim, em 1892, apresentando cinqüenta e cinco obras de sua autoria. Vang Goghn, Gauguin e Cézane, em Munique no ano de 1904; Van Gogh na cidade de Dresden, em 1905, e em Berlim no ano de 1908.   
     Possivelmente, um dos grandes influenciadores do movimento expressionista veio com Freud, pois a psicanálise procurava libertar o indivíduo da tradição, para poder lançá-lo ao novo, ao moderno, aos desafios do futuro, características presentes no movimento. Outra influência bastante expressiva, relatada por Behr (2000) foi por parte de Friedrich Nietzsche, que propagou uma forma romântica de liberalismo, enfatizando a conquista do self e o desenvolvimento dos poderes criativos do indivíduo.
     Em relação ao movimento artístico “Die Brücke”, Kraube (2000) apresenta algumas características bem interessantes. O vocabulário estético empregado por este grupo era deliberadamente simplificado, com formas reduzidas ao essencial, corpos distorcidos e espaços diluídos que ignoravam as leis da perspectiva. Utilizava-se de cores luminosas, saturadas, aplicadas superficial e independentemente da cor local. O grupo queria causar um efeito intenso, e por isso, empregavam freqüentemente contrastes complementares, que permitiam uma acentuação da luminosidade das cores. Eles consideravam o mundo exterior visível apenas como um invólucro privado de vida, mas que na verdade, era unicamente um pretexto para o verdadeiro conteúdo do quadro.
     O expressionismo desenvolveu-se quase simultaneamente em outros países da Europa. Embora o expressionismo tenha adquirido caráter nitidamente alemão, o francês George Roualt (1871-1958) foi quem uniu os efeitos decorativos do fauvismo francês à cor simbólica do expressionismo germânico. Os fauvistas, conservavam um sentido de harmonia e projeto, mas o Die usava imagens da cidade moderna para comunicar com figuras e tons distorcidos a idéia de um mundo hostil e alienante, segundo Kraube (2000).
     Em 1911, surgiu em Munique um outro grupo chamado Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), fundado por Kandinsky e Fraz Marc. Este grupo, segundo Lynton (1978), era diferente do Die Brucke (A Ponte) e procurava idiomas artísticos que fossem novos e mais ricamente expressivos. Neste sentido, era um movimento mais meditativo e construtivo, na tentativa de deslocar do fato concreto para o mundo do espírito, reconhecendo a cor como sua mais poderosa arma.
Dentre os artistas mais influentes do mundo expressionista, podem ser citados, segundo Behr (2000): a arte de Kirchner (1880-1938) considerado um dos fundadores do Dir Brücke, transmitia sensação de violência em suas obras e seus quadros refletiam um amontoado de cores contrastantes e agressivas, produto de sua profunda tristeza. Munch (1863-1944) foi um dos primeiros artistas do século XX e uma de suas obras mais importantes foi “O Grito” (1889), na qual a figura humana não apresenta suas linhas reais mas contorce-se pelas emoções. Paul Klee (1879-1940) era considerado um dos artistas mais originais do movimento expressionista por buscar o ponto de encontro entre a realidade e o espírito. Amadeo Modigliani (1884-1920) tinha uma visão subjetiva dos seres humanos e sua obra era considerada elegante, recatada e misteriosa. Max Beckmann (1884-1950) construiu sua própria ponte para ligar a veracidade objetiva dos grandes pintores do passado e suas próprias emoções subjetivas. Por causa das insuportáveis depressões e alucinações que sofreu, sua obra mostra imagens cruéis e brutais em formas pesadas e aplainadas. Max Beckmann (1884-1950), pode ser considerado o maior artista alemão da época, construiu sua própria ponte para ligar a veracidade objetiva dos grandes pintores do passado e suas próprias emoções subjetivas. Oskar Kokoshka (1886-1980) rejeitava a harmonia, mas apostava tudo na intensidade visionária.
     Outro artista de grande renome internacional e que contribuiu ativamente para o movimento expressionista foi o pintor holandês Vincent van Gogh, cujas obras possuíam cores fortes, traços expressivos e formas dramáticas. De estilo expressionista, suas obras propunham uma ruptura com as academias de arte e o impressionismo. Suas obras retratavam seres humanos tristes e sofredores e propunham um distanciamento da pintura acadêmica com o uso arbitrário das cores.
     O expressionismo também se manifestou em outras áreas. No cinema, os filmes produzidos no início do século possuíam contrastes de luz e sombra, eram sombrios e pessimistas, com cenários fantasmagóricos. Nos filmes observa-se uma realidade distorcida, geralmente para expressar os conflitos interiores dos personagens. Na literatura, o expressionismo foi marcado pela subjetividade dos escritores, com linguagem direta e frases curtas. Dentre os representantes, o tcheco Franz Kafka e Georg Trakl (1887-1914) foram os que mais usaram as técnicas expressionistas. Na música, ocorreu a intensidade das emoções, fugindo ao padrão estético tradicional. Neste sentido, o austríaco Arnold Schoemberg (1874-1951) inovou, por romper com o romantismo.No Teatro, as peças refletem a defesa das transformações sociais, com tramas bem construídas e fugindo aos aspectos tradicionais.
     
6.2 O MOVIMENTO EXPRESSIONISTA NO BRASIL

     No Brasil, o movimento expressionista também teve representantes, pois já havia um desejo intenso por muitos artistas em pesquisar a realidade social, espiritual e cultural do povo brasileiro.
     Zanini (1983) aponta que um dos representantes do expressionismo no Brasil foi Anita Malfatti, que por influência dos artistas expressionistas europeus e até, por sua sensibilidade ao movimento, fez extravasar disponibilidades emocionais em desenhos e telas de enérgica instauração. Suas obras refletiam os grandes temas universais, voltados para o sofrimento e solidão. A influência expressionista em Anita era generalizada, havendo outras incidências como da Escola de Paris. Seu temário era quase sempre de figuras retratados de feições vagas e abstratizadas e vistas paisagísticas. Malfatti exerceu um papel estimulador nos modernistas, em especial testemunhado por Mário de Andrade, que afirmou: “Ninguém pode imagianr a curiosidade, o ódio, o entusiasmo que Anita despertou. Eu devo a revelação do novo e a convicção da revolta a ela e à força dos seus quadros. Por isso, foi ela foram os seus quadros que nos deram uma primeira consciência de revolta e de coletividade em luta pela modernização das artes brasileiras”.
     Outro pintor brasileiro, citado por Zanini (1983) foi Cândido Portinari. Em suas pinturas ele denunciou as desigualdades e o desequilíbrio da sociedade brasileira. Ele pintava corpos humanos sugerindo volume e pés enormes, fazendo com que as figuras se relacionassem com aterra. Dentre suas obras mais famosas pode ser citada os murais da sala da Fundação Hispânica na Biblioteca do Congresso, em Washington. As obras do italiano Brecheret serviram de arma contundente de ataque contra o espírito tradicionalista prevalecente nas artes. Sua obra foi caracterizada como um reencontro com a Europa.

6.3 SEMANA DA ARTE MODERNA

6.3.1 Antecedentes

     Desde longa data a cultura brasileira recorreu às fontes européias, especialmente no que diz respeito às fontes expressionistas. No caso da pintura, Anita Malfatti recebeu uma carga do expressionismo alemão. O interesse pela realidade nacional. No plano do pensamento transformador (Zanini, 1983) deixa claro, que coube a Oswald de Andrade um empenho antecipador nesse sentido. Já em 1912, Oswald de Andrade, recém-chegado a Europa, começou a divulgar, através de jornais paulistas, as novas correntes estéticas européias, especialmente as idéias futuristas de Marinetti. Mas, estas idéias não encontraram apoio a não ser em grupos reduzidos de jovens intelectuais, ainda sufocados pela linguagem anacrônica da arte dominante.
     Rezende (2002, p. 27-29) destaca:
     
     Em sua batalha pela imprensa em 1921, Oswald de Andrade depurava o seu estilo jornalístico em frases curtas, incisivas, livra das antiquadas e grandiloqüentes metáforas. Ele passou, com sua língua ferina a aterrorizar os adversários. O Futurismo pregava: o verso livre, a destruição da sintaxe, o verbo no infinito, a abolição do adjetivo, do advérbio, da pontuação, o uso de substantivos duplos, a “imaginação sem fios”, as “palavras em liberdade”, o vínculo entre as imagens através das analogias.


     Como se observa, Oswald se apresentava como um dos principiantes da atualização internacional no país, e para que isso acontecesse, procurava as sugestões de outros artistas renomados, especialmente os expressionistas europeus.
     Por sua vez, o pintor russo Lasar Segall, foi o responsável, com seus quadros expressionistas, pela primeira exposição de arte moderna no Brasil, realizada em 1917. Anita Malfatti também organizou uma exposição que, ao contrário da mostra de Segall, provocou fortes reações, se tornando um marco no processo de renovação da pintura brasileira. É importante salientar que Anita Malfatti começou suas primeiras tentativas pictóricas com a mãe, em São Paulo, partindo ao final de 1910 para a Alemanha que vivia importantes transformações artísticas, como o desenvolvimento das tendências do expressionismo. As obras de Malfatti são consideradas o “estopim” do modernismo, segundo Santos (2007).
     Zanini (1983) revela que Malfatti tinha uma convicão expressionista, por conta da experiência adquirida quando residiu na Alemanha (1910-1914) e de quase dois anos passados nos Estados Unidos (desde fins de 1914) e, em especial os contatos com as idéias de Homer Boss (1882-1956), na Independent School of Art de Nova York – ambiente que incentivava a inderdisciplinaridade poética, o que serviu para traçar o perfil da pintora.
     Mas, a entrada de novas idéias no Brasil não foi tão fácil. Zanini (1983) comenta que tanto Segall como Anita, não encontraram ressonância com suas obras, mesmo com as novidades que traziam a sua pintura, desenho e gravura. Para se ter uma idéia, em 1917, Anita realizou uma mostra de seus quadros em São Paulo, utilizando uma técnica de vanguarda. Sua pintura surpreendeu o público, porém, as reações nem sempre foram tão favoráveis. O crítico de artes Monteiro Lobato, escreveu um artigo censurando a arte de Malfatti. Este artigo teve efeito fulminante: ocorreram escândalos, quadros devolvidos e uma tentativa de agressão à pintura da artista.
Além de Anita Malfatti, parece que nenhum outro artista modernista atraiu tanta atenção quanto Victor Brecheret. Suas esculturas foram descobertas por jovens paulistas em 1920. Suas obras, impregnadas de modernidade foram uma das bandeiras da Semana, pois eram contrárias ao espírito tradicionalista. Ele é o mais importante escultor moderno brasileiro e sua obra começou no expressionismo, como era comum no início do século, segundo Zanini (1983).
Como se observa, já havia entre os artistas que queriam participar da Semana, uma busca pela modernidade no País. O eco dessas mudanças já era visível em todas as partes, pois o Brasil era o cenário de intensas lutas entre as classes, especialmente as trabalhadoras que queriam uma modernização das bases.
          
6.4 O QUE FOI A SEMANA DE ARTE MODERNA

     A Semana de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, em 1922, tendo como objetivo mostrar as novas tendências artísticas que já vigoravam na Europa e que ainda eram pouco conhecidas no Brasil. O Brasil vivia um período de agitações, onde os intelectuais brasileiros queriam abandonar os valores estéticos antigos, para dar lugar a um novo estilo completamente contrário.
     Para Zanini (1983) a idéia central da Semana foi a de torná-la uma expressão interdisciplinar. O escopo principal era obviamente, a contestação e a provocação. Graça Aranha foi quem inaugurou a Semana, e anunciou ao público os “horrores” que o esperavam em pintura, poesia e música, descartando a noção do belo como “fim supremo da arte”. Ele enfatizava a “transformação incessante” da arte, defendendo o individualismo da sensibilidade artística moderna e a liberdade absoluta de expressão. Afirmou a necessidade da formação de um “Universo brasileiro”, liberto de passadismos e componente de um todo maior. Em relação a obra de Anita Malfatti, Oswald de Andrade disse: “As suas telas chocam e por isso, ela está a serviço de seu século”.
     O Programa da Semana de Arte Moderna segundo Amaral (1972, p. 130), constou do seguinte:
     Os programas até agora, contam com os seguintes nomes:
Música – Villa Lobos, Guomar Novaes, Paulina D’Ambrósio, Ernani Braga, Alfredo Gomes, Frutuoso, Lucilia Villa-Lobos.
Literatura: Mário de Andrade, Ronald de Carvalho, Álvaro Moreyra, Elysio de Carvalho, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Renato Almeida, Luiz Aranha, Ribeiro Couto, Deabreu, Agenor Barbosa, Rodrigues de Almeida, Afonso Schmidt, Sérgio Milliet, Guilherme de Almeida, Plínio Salgado.
Escultura: Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso, Haarberg.
Pintura: Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Ferrignac, Zina Aita, Martins Ribeiro, Oswaldo Gueld, Regina Graz, John Graz, Castello e outros.
A parte literária e musical será dividida em três espetáculos, contando com o prestígio de Graça Aranha, que fará uma conferência inaugurando a semana de arte moderna. A parte musical, além de apresentar a S. Paulo o extraordinário compositor brasileiro Villa-Lobos, que traz do Rio o seu quinteto, tem o apoio da gloriosa intérprete que é Guiomar Novaes.

Apesar da grandiosidade do evento, este não foi compreendido pela elite paulista, que ainda era influenciada pelas formas estéticas européias mais conservadoras. Contudo, segundo Zanini (1983) apesar de suas dissonâncias, o evento fertilizara o ambiente de novo fluxo de idéias. Em relação ao assunto, Amaral (1972) relata que em toda a batalha travada pela imprensa durante o evento, deve-se observar que a cobertura dos modernistas foi poderosa, contando com articulistas diários, praticamente, nos jornais mais influentes do tempo, que nem por isso deixaram de faltar vigorosos combatentes de suas idéias inovadoras.
Embora com tantos percalços e críticas, a Semana tinha como objetivo deliberativo o de chocar, pois foi uma explosão de idéias inovadoras que aboliam por completo a perfeição estética tão apreciada no século XIX.
Neste sentido, Amaral (1972) relata que as telas vigorosas de Anita, foram precursoras do movimento expressionista no Brasil, pois podia-se observar a presença dos mestres alemães em seu trabalho.
Porém, os artistas brasileiros buscavam uma identidade própria e a liberdade de expressão e assim, experimentavam diferentes caminhos, sem definir nenhum padrão. Com este constructo, “uma relativa indiferenciação, uma certa aglomeração, caracterizavam o nosso ingresso cultural no século XX”, segundo Tolipan et al. (1983, p. 14).
Embora tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana da Arte Moderna foi adquirir sua real importância ao inserir suas idéias ao longo do tempo. Tolipan et al. (1983, p. 14) revelam que a Semana de 22 representou o primeiro esforço organizado para olhar e construir o Brasil moderno.
Este ponto de vista é corroborado por Santos (2007), que afirma ser a Semana de 22 uma manifestação artística que se opunha completamente ao academismo, criando a base para uma arte verdadeiramente brasileira. Por isso, a própria tentativa de estabelecer uma arte brasileira, livre da mera repetição de fórmulas européias foi de extrema importância para a cultura nacional e a iniciativa da Semana, foi uma das pioneiras nesse sentido.
O movimento modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico.
Pode-se dizer que a Semana de Arte Moderna se inseriu num quadro mais amplo da realidade brasileira, pois vários historiadores a relacionaram com a revolta tenentista e com a criação do Partido Comunista, em 1922. Embora as aproximações não sejam imediatas, é flagrante o desejo de mudanças que varria o País, fosse no campo artístico, fosse no campo político.
O manifesto antropofágico publicado na Revista Antropofagia (1928), propunha basicamente a devoração da cultura e das técnicas importadas e sua reelaboração com autonomia. O nome do manifesto recuperava a crença indígena de que os índios antropófagos comiam o inimigo, supondo que assim estavam assimilando suas qualidades. Esta idéia do manifestado surgiu quando Tarsila do Amaral, para presentear seu marido Oswald de Andrade, deu-lhe de presente de aniversário a tela Abaporu (aba = homem; poru = que come). Estes eventos da Semana de Arte Moderna foram o marco mais caracterizador da presença, entre nós, de uma nova concepção do fazer e compreender a obra de arte (SANTOS, 2007).
A influência expressionista também foi vista na arquitetura, embora tímida. Segundo Santos (2007) Antonio Moya foi quem apresentou mais projetos, mas, nenhum deles se concretizou devido a sua complexidade de traços e inovação. Na literatura a Semana da Arte Moderna apresentou várias modificações, ou seja, foi uma verdadeira revolução literária que estabelecia uma liberdade absoluta na arte. A literatura brasileira sofreu influência de várias visões de mundo europeu, provenientes do futurismo, do dadaísmo, do expressionismo e do surrealismo. Dentre os mais importantes autores, destacam-se: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Graças Aranha, Ronald de Carvalho, Cassiano Ricardo, Alcântara Machado, dentre outros. Na música, Villa-lobos procurava, desde 1915 em seus concertos, provocar rupturas com as formas harmônicas convencionais.

6.5 QUADRO METODOLÓGICO DA FUTURA PESQUISA

O trabalho será desenvolvido através do método bibliográfico com o estudo sistematizado desenvolvido em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas e todo o material acessível ao público em geral sobre o assunto.
A escolha do método bibliográfico se justifica, pois, segundo Oliveira (2002, p. 119): “o método bibliográfico tem por finalidade conhecer as diferentes formas de contribuição científica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno”, o que vem ao encontro do objetivo desta pesquisa, que é o de identificar a influência do movimento artístico expressionista na Semana de Arte Moderna de 1922.




7 TIPOLOGIA DAS FONTES


     As fontes a serem utilizadas para o futuro trabalho serão obtidas através de obras de renomados autores, como Zanini (1983), Behr (2000), Kraube (2000), Rezende (2002), Topilan et al (2002), dentre outros, além de informações obtidas junto à internet e jornais.
     Para a localização das fontes de informações bibliográficas será utilizada:
     a)     Leitura prévia ou de contato - procurando, no índice ou sumário, os títulos e subtítulos, o prefácio, a contracapa ou as orelhas do livro, pesquisando-se a exigência das informações desejadas. Essa primeira leitura permite a seleção das obras que serão examinadas mais demoradamente.
     b)     Leitura interpretativa - após a intelecção e análise do texto lido, segue-se a interpretação: procuram-se estabelecer relações, confrontar idéias, refutar ou confirmar opiniões. Esta interpretação consiste em um processo de reelaboração pessoal das informações e idéias extraídas das leituras.
     Depois das informações coletadas, proceder-se-á ao fichamento das matérias coletadas, utilizando-se para isso os seguintes critérios:
     a)     Exatidão - objetividade quanto ao conteúdo das informações coletadas;
     b)     Utilidade - é saber distinguir o útil do supérfluo, ou seja, coletar as informações que são necessárias em detrimento das outras;
     c)     Integridade - não poderá ficar fora nenhuma informação útil ao trabalho.
     Esse material será submetido à análise para seleção do que realmente vai ser aproveitado no trabalho. Nessa fase, procura-se confrontar os dados colhidos em diversos autores, analisando os pontos de vista convergentes ou divergentes, para escolher o que mais se adapta aos objetivos da pesquisa planejada.
     Após coletadas as informações será realizado um resumo analítico das mesmas, sendo que anteriormente será feito uma leitura integral dos textos, reassaltando as idéias principais de cada capítulo.
     A estrutura básica do trabalho deverá corresponder:
     Capítulo I – Introdução
     Capítulo II – O Movimento Expressionista
     2.1 As Origens do Movimento Expressionista
     2.2 Caracterização do Movimento Expressionista no Mundo
2.3 As Principais Influências do Expressionismo nas Artes, Música, Literatura, Artes Plásticas e outros.
2.3 O Expressionismo no Brasil
     Capítulo III - A Semana de Arte Moderna no Brasil em 1922
     3.1 Antecedentes
     3.2 O que foi a Semana de Arte Moderna no Brasil
     3.3.1 A Influência do Expressionismo na Semana
     Conclusão
     Referências Bibliográficas


8 REFERÊNCIAS

AMARAL, Araci Abreu. Artes plásticas na Semana de 22: subsídios para uma história das artes no Brasil. São Paulo: Perspectiva, Ed. da Universidade de São Paulo, 1972.

BEHR, Shulamith. Expressionismo. São Paulo: Cosac e Naify Edições, 2000.

BORNHEIM, Gerd. Duas características do expressionismo. São Paulo: Perspectiva, 1975.

KRAUBE, Anna-Carola. História da pintura: do renascimento aos nossos dias. China: Sing Cheong Printing Co. Ltd., 2000.

LOPES, Marcio. Expressionismo. Disponível em .Acesso em 23/jul/2007.

LYNTON, Norbert. Arte moderna. São Paulo: Enciclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda., 1978.

OLIVEIRA, Franklin de. A Semana de Arte Moderna na contramão da história e outros ensaios. Rio de Janeiro: Topbooks, 1993.

OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Tratado de metodologia científica: projetos de pesquisas, TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.

REZENDE, Neide. A semana de arte moderna. São Paulo: Ática, 2002.

SANTOS, Raphael Fonseca dos. Semana de arte moderna. Disponível em http://www.brasilcultura.com.br/conteudo.php?menu=86&id=217&sub=226 Acesso em 26/jul/2007.

TOLIPAN, Sérgio et al. Sete ensaios sobre o modernismo. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1983.

ZANINI, Walter (org.) História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles, 1983.



8.1 BIBLIOGRAFIA BÁSICA PARA O DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA


AMARAL, Aracy. Artes plásticas na Semana de 22: subsídios para uma história da renovação nas artes do Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1970.

BATISTA, Marta Rossetti. Anita Malfatti no tempo e no espaço. São Paulo: IBM Brasil, 1985.

BEHR, Shulamith. Expressionismo. São Paulo: Cosac e Naify Edições, 2000.

BOAVENTURA, Maria Eugênia. 22 por 22: a semana da arte moderna vista pelos seus contemporâneos. São Paulo: Edusp, 2000.

BORNHEIM, Gerd. Duas características do expressionismo. São Paulo: Perspectiva, 1975.

BRITO, Mário da Silva. História do Modernismo Brasileiro: Antecedentes da Semana de Arte Moderna. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.

BRITO, Ronaldo. “A Semana de 22 – O trauma do moderno”, in TOLIPAN, Sergio et alii. Sete ensaios sobre o modernismo. Rio de Janeiro: Inst. Nacional de Artes Plásticas, 1983.

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GUINSBURG, J. (org.). O Expressionismo. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2002.

KRAUBE, Anna-Carola. História da pintura: do renascimento aos nossos dias. China: Sing Cheong Printing Co. Ltd., 2000.

LOPES, Marcio. Expressionismo. Disponível em .Acesso em 23/jul/2007.

LYNTON, Norbert. Arte moderna. São Paulo: Enciclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda., 1978.

MICELI, Sérgio. Nacional estrangeiro – História social e cultural do modernismo artístico em São Paulo. São Paulo: Cia das Letras, 2003.

OLIVEIRA, Franklin de. A Semana de Arte Moderna na contramão da história e outros ensaios. Rio de Janeiro: Topbooks, 1993.

REZENDE, Neide. A semana de arte moderna. São Paulo: Ática, 2002.

SCHAPIRO, M. A arte moderna: séculos XIX e XX. São Paulo: Edusp, 1996.

TOLIPAN, Sérgio et al. Sete ensaios sobre o modernismo. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1983.

ZANINI, Walter (org.) História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles, 1983.



Biografia:
Sou pesquisador científico há vários anos e possuo conhecimento sobre diversas áreas.
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