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Poema Absurdo
Gilda E. Kluppel

O relógio quebrou e levou as horas
em boa hora o tempo ficou parado
trancafiado numa gaiola.
Para homenagear o silêncio
por alguns momentos
sem a prisão dos ponteiros
a rápida saída da insossa rotina
numa fuga do racional
o mergulho na magia da poesia
esconderijo das falsetas.
Autômatos inconformados
desejavam seu tempo de volta
parar para apreciar um roseiral
ouvir o uivar dos ventos
coisas belas, etc. e tal...
um mero disparate
considerado um besteirol.
Nesta hora partida, chegou o resgate
dos que trocam a arte pela matéria
numa miséria de vida
corre pela artéria o vil metal.
Parece um desejo impossível
recuperar a parte sensível
vivo de versos e do lado inverso
do mundo cruel
ansiar em cessar todo o fel
talvez seja um abuso
caso não acalentasse esse sonho
não seria um poema absurdo.


Biografia:
Número de vezes que este texto foi lido: 65695


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Publicações de número 1 até 4 de um total de 4.


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