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O ministro ´mãos de tesoura insiste em chamar o ´´corte`` de ´consolidação fiscal`. Questão de gosto. Não deixa de ser questão, de mau gosto dessa vez, quantificar as economias possíveis a partir da redução de falcatruas – chamemo-las assim – praticadas em diversos órgãos. Se conhecidas, por que esperamos essa consolidação redentora para efetuá-los?
Esse corte ´consolidante` nasceu de cima para baixo, não foi o resultado de análise dos ministérios, que não sabem ainda como irão realizá-los, e sim um ukasse, com precisão na casa de milhares de reais. Existe isso? Só em planilhas Excel. Dizer que o Ministério da Educação, por exemplo, sofrerá um corte de R$ 3 bilhões faz sentido, goste-se ou não. Dizer que o corte será de R$ 3.101.894mil (Valor 1/3 A3) mostra apenas um solene desprezo pelos algarismos significativos. Espera-se do parlamentar Tiririca um posicionamento firme nesse sentido.
Falta explicitar se os conceitos foram bem assimilados. Cortar uma despesa cujo desembolso ocorrerá em 2012, evitando o critério ´caixa` não é a mesma coisa que deixar de gastar em 2011. Como se não bastasse ter de administrar restos a pagar! Deixar de pagar em 2011 e empurrar (com a barriga ou caneta) para 2012 é sinônimo de jeitinho redentor, não de honestidade intelectual. Ministrar uma dose de realismo no Orçamento, desinchando receitas propositalmente infladas, para efetuar cortes nas famosas emendas clientelistas, a rigor significa apenas ´´não tirar mais de onde não tem``, ´´não aumentar conscientemente o buraco``, o que para um purista poderia ser diferente de ´´gastar menos``, embora as planilhas não sejam sensíveis a esses pormenores
Finalmente, cortar gastos com viagens, diárias, viaturas, reformas de gabinetes etc. é uma postura salutar mas seu efeito corre o risco de se dar atrás da vírgula.
Enfim, que isso não sirva de pretexto para criar uma CSS (contribuição sem sentido) a fim de, ´´esgotadas as alternativas`` vitaminar as finanças. Já bastam as ´´inovações`` introduzidas com injeções no BNDES sem efeito líquido mas com conseqüências sólidas.
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Biografia: Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` e ´Bucareste`, contos e crônicas (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: asolo@alexandru.com.br |