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Era digital
Marineide Benício

Era digital


As pessoas adoram um passado, quando não conseguimos realizar determinado feito que outrora fora realizado, aí ele se torna belo, por isso que, constantemente, temos um choque de gerações, e logo ouvindo, “na minha época era diferente”. Mas afinal, quando nossa época acaba? Se ainda respiramos, por que o presente não pode ser nossa época? As pessoas adoram esse saudosismo exacerbado, gosta de coisas que já não são mais.
Tudo bem, temos que admitir que muita “coisa”, com toda falta de especificidade, já não é mais. Para falar com um amigo, por exemplo, bastava ir à sua casa, o que significava dar alguns passos depois de sua porta, geralmente, era seu vizinho.
Vizinho, aquele que mora perto da gente, não é isso que nos diz o dicionário? Essa palavra está quase em extinção, preciso confessar, também não sei o nome dos meus.
Os vizinhos do século XXI, que são também os amigos, moram dentro de casa, mas na tela do computador. São engraçadas as relações de hoje, eu posso não conhecer muita gente, mas minha rede de amigos, essa é enorme, tem um pessoal lá, que deve passar por mim todos os dias, mas eu não os conheço.
Aniversário é uma data interessante para se avaliar esses padrões. Pra que escrever um mero cartão, assinar esse cartão? Agora basta escolher o scrap, muito mais prático, a vantagem é que você não corre o risco de esquecer a data, afinal a sua agenda eletrônica te lembrará, nem precisa se dar ao luxo de conhecer o aniversariante, apenas deixe um scrap.
Quando minha amigas e eu começamos a pensar em nos apaixonar, um olhar era fatal, “ele olhou pra mim”, essa frase era motivo para nos fazer tremer, mesmo que não chegássemos, de fato, a ter algo com o dono do olhar. Ah! Mas hoje, a euforia é outra, “ele me aceitou no orkut”, melhor ainda, “ele me visitou”, e se vocês estão... ficando, e por um acaso, o perfil foi modificado na parte de relacionamento, isso é uma verdadeira declaração de amor.
Talvez eu tenha equivocado-me, porque as relações com o outro, atualmente, são muito mais intensas. Por exemplo, quando vamos escolher alguém para nos relacionar, pensamos muito no outro. Calma, não é no outro no qual pretendemos nos relacionar, é em todo o resto, é um pensamento estranho, é mais ou menos assim, como fica a minha imagem diante das pessoas quando me virem com fulano, entendeu? Eu sei que não parece ter muito sentido, mas as pessoas se preocupam com isso, imagina se eu vou à padaria sem colocar uma roupa, digamos, apresentável, e esta última palavra, nada tem a ver com conforto, é apenas para causar uma boa impressão.
Impressão, aí está outro verbete interessante, a língua nos permite entender essa palavra como “s.f. Efeito; lembrança; sinal; vestígio; ato de imprimir”, é isso, “ato de imprimir”, pensem comigo, imprimir pode ser gravar, marcar, uma boa impressão é marcar sua presença, é preciso ser visto, chamar atenção, não se preocupe com o que você tem pra falar, preocupe-se com a marca de sua roupa, é muito mais importante.
É, meus caros, a nossa "era" poderia ser mais interessante, pois nós somos seres digitais, quer dizer, humanos... Já sei, desconhecemos também o significado desse vocábulo, HUMANO, mas não se preocupe, na dúvida, busque no Google.

Marineide Soares Benício 19/03/2010.


Biografia:
Nascida em 1986, em Itacarambi, interior de Minas Gerais. Graduada em Letras - Português pela Universidade Estadual de Montes Claros, especialista em Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa. Há seis anos atua na educação ministrando aulas de Literatura e Português.
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Crônicas Era digital Marineide Benício


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