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PROFUNDO 3 IND 16 ANOS
DE RICO FOG E IONE AZ
paulo ricardo a fogaça

Resumo:
BOM




                             2



     Luciana chega em seu apartamento, logo sente o odor de dias sem ventilação, entra no quarto todo cheio de roupas sujas, abre uma gaveta da cômoda pegando cartões e dinheiro, vai a cozinha e abre o refrigerador, nem água tem para beber, pega as correspondências com o porteiro e sai para um bairro carente distante dali.
   - Irmã.
   - Oi.
   - Que bom que veio nos visitar, vou chama-lo.
   - Não precisa, quero tomar um bannho, posso?
   - É só ir, o Glads pagou a conta hoje de manhã.
   - O que fizeram com o dinheiro que enviei?
   Ela entra naquela humilde casa de boa parte em madeira com cozinha e banheiro em alvenaria.
   - Cadê o seu filho?
   - Esta na feira, hoje é dia de feira.
   - Ele ainda trabalha naquilo?
   - Fazer o quê, alguém tem que trazer comida para este lugar.
   Surge um homem já idoso amparado por um andador.
   - Ainda esta vivo?
   - Ingrata.
   - O que foi velho, te mandei a grana, o que mais quer?
   - Duzentos reais, é praticamente um insulto, ter que pegar isso, esmola.
   - Devolva então.
   - Não vai tomar banho algum, aqui não.
   - Vá para o inferno.
   - Tranqueira, igual a falecida.
   - Fale o que quiser, afinal você é o anjo disso tudo aqui.
   - Piranha.
   - Por favor vô, deixe ela ficar.
   - Por mim, que fique, afinal essa imundice é cria daqui, do esgoto, isso sim.
   Arlete segue com Luciana para o banheiro enquanto Lourival senta com dificuldade em sua poltrona já quase aos cacos na sala.
   Luciana recebe de Arlete, toalha, sabonete e um pouco de xampú.
   - Não precisa disso tudo, vou só tomar um banho.
   De banho tomado, Luciana recebe o prato com garfo e faca, para a janta fora feito bucho bovino com batatas, arroz e feijão de corda.
   Lourival senta na espinha da mesa, Arlete serve para todos ali, um total de 8 pessoas sendo 6 crianças.
   - Ainda continua a agregar estes pivetes por aqui?
   - Não fale assim, são meus filhos sabe muito bem disso.
   - O que sei é que o único é..............
   Nisso a porta é aberta e parte das crinaças corre até o homem que entra trazendo 2 sacos com legumes e verduras.
   - Olha vô, hoje eu consegui muito mais que da ultima semana.
   - Graças a Deus, querido neto, graças.
   Assim que Luciana olha para ele recebe um choque pelo corpo mais não demonstra.
   - Glads.
   - Tia, oi, que bom que veio jantar com a gente.
   - Oi.
   Ao chegar mais a claridade, ali a sua frente, o sobrinho de Luciana, vem ao abraço da tia, a mulher não esconde um certo constrangimento, porém o que realmente a magoa é a lembrança do passado.
   Arlete vê aquilo e pede ao filho que vá se limpar e depois venha jantar, o homem sai dali deixando os outros a comerem.
   Momentos depois ali em um quarto com pouca ventilação.
   - Eu percebi que você ainda fica um tanto........
   - Chocada, mais vai, fique de boa, não é assim que você diz, Arlete, seu filho ficou lindo né.
   - Meu filho.
   - Não fique ai deste jeito, logo vai começar o choro.
   - Por quê mana?
   - Foi preciso, infelizmente não deu para cria-los.
   - Mais você os separou e..........
   Luciana vem até a irmã e a abraça.
   - Ainda bem que são gêmeos.
   - Sim.
   Ali ao choro de Arlete, Luciana tira alguma quantia e deixa ao cuidado de Arlete.
   - Compre coisas para essas crianças.
   - Obrigado.


                             07102020............



               Luciana olha para a irmã a arrumar a cama ao canto daquele quarto para as crianças, são 2 camas de casal e duas beliches, ali dormem 7 pessoas, no outro quarto dorme Lourival e Glads em duas camas de solteiro.
   - Vai dormir aqui hoje?
   - Acho que não.
   - Fique por favor, vamos conversar coisas nossas.
   - Que tipo de coisas minha irmã?
   Logo ela percebe que Arlete se entrara ao mundo só dela, em passos lentos abre o velho armário e tira deste um bonecão bem antigo.
   - Veja mana, é o meu filho.
   - Sei. Aquilo faz Luciana ter vontade de vomitar, sabe dos problemas mentais de sua irmã, que fica a maior parte nesse mundo comum, fazendo suas tarefas, recolhendo reciclados, mais uma vez por outra, principalmente quando fica perto de Luciana sofre o aciono deste gatilho que a leva a uma infância, assim permanecendo por horas e até dias.
   As lágrimas descem dos olhos de Luciana ao ver a irmã pentear o cabelos quase inexistente do boneco com um velho pente recebido de campanhas politicas nos anos 80.
   - Ela já se trancou em seu mundo.
   - Sim tia.
   Para sua surpresa Glads assiste aquilo da porta, luciana lhe sorri e recebe um abraço.
   - Vou colocar os menores para dormir.
   - Sim, por favor.
   - Quer ficar tia?
   - Acho melhor eu ir.
   - O vô quer lhe falar.
   - Sim.
   Luciana pega a bolsa e sai deixando Glads levar um a um para suas camas, na sala, Lourival já pegara no sono e ela deixa um envelope na mão deste e sai encostando a porta atrás de si, na varanda velha já quase sem telhas ela desaba em choro sentada em um barril pequeno enborcado, logo ouve o toque de seu celular.
   - Oi.
   - Estou aqui do outro lado.
   - Onde?
   - Te vendo fazer este espetáculo de dramatização, sabe, quase derramei uma lágrima, falsa mais lágrima, digno de uma atriz perdedora hein.
   - Vá se ferrar.
   Ela sai dali fechando o portão pequeno de ferro já possuido pela ferrugem, do outro lado da rua uma SWV esta parada.
   - O que faz aqui?
   - Vim ver minha velha colega.
   - Cristiano, me leve daqui.
   - Vai, entre logo.
   Ali na suíte do apartamento de Cristiano, Luciana se entrega ao prazer com ele, ele mais jovem que ela em 20 anos mantém este caso em segredo por quase 3 anos.
   - O que faria ali sem mim?
   - Entraria em qualquer outro carro para fugir daquele hospicio que criei.
   - Por que não ficou em seu apartamento?
   - Já tentou ficar em um lugar inabitável, para mim aquele lugar se tornou isso.
   - Quando quiser, pode me devolver.
   - Cachorro.
   - É sério, posso aluga-lo, me dará uma boa renda.
   - Sei que é isso que quer, eu bem longe de você.
   - Acho que se fosse isso não teria ido a sua procura, amorzinho.
   - Canalha.
   - Vem, termine o que iniciou aqui comigo, vem.
   Ela se joga encima do homem oferecendo todos os tratos e agrados de uma mulher experiente ali, fazendo Cristiano se desmanchar no prazer.
   Terminado ali, ele sai da cama, acende um cigarro e segue para a sacada, ali vê a cidade adormecida em baixo e poucos sons de policiais e ambulâncias.
   Simone logo cedo prepara um suco de abacaxi com agrião, coloca pães de batata de doce para esquentar no micro, depois de uma ducha faz a degustação destes e bebe o suco, logo vestida para mais um dia tranca o apartamento e segue para a garagem quando dá falta de seu carro, logo ouve o buzinar.
   - Bom dia.
   - Por que pegou meu carro?
   - O certo seria um bom dia também, depois é como eu peguei seu carro, mais acho que já sabe, ficamos naquele bar de quinta, depois tomamos aquela cachaça que você comprou e terminamos naquele hotel pulguento que você tem uma grande amizade com a proprietária, ai peguei a chave reserva e pronto, aqui estou meu amor.
   - Cafajeste, cadê o seu carro, perdeu em alguma mesa de jogo por ai?
   - Acho que não lhe devo essa explicação, entra.
   Simone entra e ao passar pelo porteiro o cumprimenta, ato esse que o Dr Marcelo nunca o fez.
   - Você ama gente pobre.
   - Olha quem diz, se fez e faz as custas de trabalhadores.
   - Todos precisam de saúde, uns mais.
   - Canalha.
   - Olha, me respeite ou não te entrego essa chave viu.
   - Fique com ela, se quiser.
   - Sério?
   - Vou trocar.
   - Até parece, sabe quanto custa querida?
   Nisso toca o celular do Dr, ele atende, do outro lado Mafalda, sua mulher há 25 anos.
   - O que foi amor?
   - Cadê você?
   - Peguei carona com a Simone.
   - De novo?
   - O carro foi para a oficina.
   - E eu?
   - Ligue para o aplicativo sei lá, táxi.
   - Olhe como fala comigo, incompetente.
   - E você sua egoista. O casal discute por telefone e logo ele desliga, Simone se perde a rir daquilo.
   - O que foi?
   - Dois velhos, brigando, o mundo realmente esta perdido.
   - Diz a miss juventude.
   - Sou muito mais nova que você, velho babão.
   Marcelo não gosta daquilo, prefere por ficar em silêncio durante o restante do percusso.

                                        08102020...............
   








                                        3





                      Na calçada perto do estacionamento, carro parado a beira da sarjeta, Simone beija Marcelo que desenha com as mãos o corpo da mulher, dentro do carro de aplicativo, Mafalda assiste aquilo, o motorista percebe o fato ali e fica em silêncio.
   - Podemos ir senhora?
   - Ainda não, só mais um momento. Mafalda tira o celular da bolsa e faz fotos do casal.
   - Agora sim, por favor.
   - Sim. O carro sai sem ser percebido pelo casal.
   Marcelo pega sua pasta e jaleco e segue para o hospital, Simone segue para a boutique no shopping mais chique de São Paulo.
   Mafalda pede ao motorista para parar num boteco, ali ela pede 2 doses de martini e faz o motorista beber ali com ela, diz para ele que ficará o resto do dia a mando dela, lhe dando uma boa quantia, o homem rapidamente se desconecta do serviço do aplicativo ficando só para a madame.
   O seu celular toca, ela atende e logo esta na casa de uma de suas amigas, ali ela joga pôker junto desta e do motorista, depois seguem para um clube onde tomam banho de piscina e pegam sol, Mafalda não liga para a escola onde trabalha como diretora, deixando todos sem saber o que ocorrera a profissional.
   Já perto do fim da tarde, ela brinda o dia com o motorista em um motel, logo se entrega ao homem desconhecido.
   Simone termina de fazer o balanço quinzenal, Danielle pede lanche e refri para todos ali, logo chamando a cunhada no escritório.
   - O que foi?
   - De novo com o Marcelo?
   - Como assim cunha?
   - Pare Simone, sei que é crescida mais me preocupo contigo.
   - Pois não precisa, gosto desse perigo é instigante.
   - Uma hora a Mafalda vai descobrir.
   - Ela já sabe.
   - Como?
   - Hoje mesmo ela nos filmou.
   - Meu Deus, Simone você fala assim desse jeito, tipo não foi nada, é isso?
   - Eu gosto dele e não vou deixa-lo, por ela, jamais.
   - E agora Simone?
   - Deixa, tá tudo no controle, acredite, ela não é a louca do parquinho isso eu sei muito bem, mais ja que estamos a conversar, cunha preciso de um favor muito especial.
   - O que foi dessa vez?
   - Meu carro, preciso que fale ao meu irmão, seu marido que me arrume um novo, por favor, vai.
   - Mais o seu tem quanto tempo, sei lá?
   - Seis anos, acredita, é recorde Brasil.
   - Nossa, tudo isso, tem razão, ja esta na hora de um novo, vou ver o que consigo tá.
   - Por isso que eu amo essa minha cunha do céu.
   - Interesseira. Risos.
   Simone sai do escritório, Dani termina ali as anotações.
   Marcelo atende mais um paciente quando toca seu celular, logo após a saída do paciente ele retorna a ligação.
   - Oi, sim, o quê, onde, fique tranquilo vou indo, já eu chego, obrigado.
   Marcelo se despede da secretária e sai, vinte minutos depois ele pára frente ao clube, ali encontra Mafalda, bêbada sendo amparada por dois garçons e o zelador do lugar.
   - Desde quando ela esta aqui?
   - A tarde inteira, praticamente.
   - Veio sozinha?
   - Com uma amiga e o motorista de aplicativo.
   - E ele?
   - A deixou e foi embora.
   - Obrigado. Marcelo dá uma certa quantia ao homem que divide com os outros ali.
   - Nada aconteceu aqui, tudo bem?
   - Sim doutor.
   Marcelo segue levando a mulher a passos lentos para o carro, logo segue para a casa.


                                             09102020.............


Biografia:
amo escrever e ler
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