Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
Tolerância
Engenharia Fora da Caixa

Sistemas de tolerâncias, ajustes, tolerância geométrica e rugosidade.
Uma palavra consegue demonstrar a necessidade de um sistema de tolerâncias em peças mecânicas, é a “intercambiabilidade”. Isto é, pegar ao acaso uma peça nova fabricada nos mesmos padrões e sem a necessidade de nenhum tipo de ajuste poder montá-la e essa exercer a mesma função da peça substituída. Tal conceito só é possível devido a esforços internacionais, e adotados pelo Brasil, para padronizar as tolerâncias. No Brasil existem diversas normas que padronizam as tolerâncias, dentre elas para tolerância dimensional e ajustes, NBR 6158, para tolerância geométrica, NBR 6409 e para Rugosidade, NBR 4287 e NBR 8404.
Certas definições são necessárias aos usuários dessas normas para entende-las, a NBR 6158 define como: dimensão nominal, é a dimensão ideal apresentada no projeto; dimensão efetiva, é a dimensão final medida da peça pronta; dimensões limites, máxima e mínimas, são as dimensões possíveis para a dimensão efetiva; afastamentos superior e inferior, são as diferenças entre as dimensões limites e a dimensão nominal; linha zero, é a referência para obtenção dos afastamentos, o valor da dimensão nominal é definido como linha zero; tolerância, é a diferença entre os afastamentos e/ou a diferença entre as dimensões limites, ou seja, o valor no qual a dimensão da peça pode variar sem perder sua função.
Deve-se entender que dentro da mecânica, várias peças são confeccionadas para trabalharem em conjunto umas com as outras, com isso define-se que eixo é qualquer superfície externa a qual irá se acoplar a parte à uma superfície interna de outro componente. E furo, é qualquer superfície interna de uma peça que irá entrar em contato com a superfície externa de outra peça independente de seu formato.
Os conjuntos mecânicos, podem ser montados por três tipos de ajustes: ajuste com folga, quando o tamanho do eixo será sempre menor que o furo. Ajuste por interferência, quando o tamanho do eixo for sempre maior que o furo e ajuste incerto, quando não houver como afirmar apenas pelos afastamentos dos eixos e furos se haverá folga ou interferência, neste tipo de ajuste os valores das tolerâncias e afastamentos dos componentes se sobrepõem. O ajuste final só será definido na montagem das peças. Como há uma grande variedade de conjuntos mecânicos, é mais fácil se trabalhar com o valor da dimensão de um dos componentes fixado. Quando se trabalha com o valor do eixo fixado, se tem o sistema eixo-base, caso fixe-se a dimensão do furo, tem-se o sistema de furo-base.
De acordo com o tipo de trabalho que será realizado pelas componentes mecânicas, opta-se por um grau ou qualidade de tolerância, denominadas IT’s na norma NBR 6158. Essas IT’s, são índices de tolerância que irão variar de acordo com o quão estreita devem ser suas qualidades de trabalho. Esses graus de tolerância variam da IT01, IT0, IT1 até a IT18. Quanto maior o número da IT maior será sua tolerância, por consequência, menor será a qualidade do trabalho, IT01 até IT4 é utilizada na mecânica extra fina, ou seja calibradores e instrumentos de medida. A partir da IT5, entra-se na mecânica corrente até a mecânica grosseira ao final da IT18.
Grupos de tolerâncias foram criados e calculados a partir de uma formula para uma tolerância fundamental, essa fórmula leva em consideração o custo de produção da peça e os erros provenientes dos instrumentos de medidas. Com base no valor da tolerância fundamental, criaram-se tabelas que reúnem em grupos de dimensões nominais os valores das qualidades de tolerâncias. Uma vez decidida a qualidade de trabalho e com base na dimensão nominal da peça, é possível definir o valor da tolerância da peça.
A norma também define os valores dos afastamentos dos eixos e furos, considerando-se suas posições em relação a linha zero, o que é chamado de campo de tolerância. O campo de tolerância em conjunto do valor de tolerância e a dimensão nominal da peça, propiciam ao usuário da norma NBR 6158 definir os valores limites de tolerância.
Definir uma tolerância dimensional nem sempre é o suficiente para garantir que uma peça esteja dentro de padrões para poder exercer a sua função. Algumas peças necessitam de tolerâncias quanto a sua geometria, posição, forma ou orientação em relação ao seu conjunto. A norma NBR 6409, define as tolerâncias quanto a geometria das peças. Esta norma estabelece padrões macrogeométricos para as tolerâncias das peças. As tolerâncias geométricas são divididas em três grupos: tolerância de forma, de orientação e de posição. Dentro desses três grupos existem também subgrupos, todos especificados por símbolos próprios.
A tolerância de forma possui seis subgrupos: retilinidade, símbolo (-); tolerância de planeza, símbolo ( ); circularidade, Símbolo (O); cilindricidade, símbolo ( ), forma de uma linha qualquer, símbolo (∩); forma de uma superfície qualquer, símbolo ( ). Cada uma destas tolerâncias definem limites geométricos das peças ou parte delas. Diz-se que uma peça está dentro do limite de tolerância de forma, caso nenhum dos limites citados seja ultrapassado pelos componentes da peça.
A tolerância de orientação é utilizada em partes de peças, conjuntos ou componentes que devam seguir alguma orientação específica em relação a algum componente ou parte de peça. De modo similar a tolerância de forma, a tolerância de orientação é subdividida em grupos representados por símbolos específicos. São três os grupos: tolerância de paralelismo, símbolo (/ /); perpendicularidade, símbolo (⊥) e inclinação, símbolo (∠).
As tolerâncias de posição definem os limites de posicionamento que partes de uma peça ou componentes de um conjunto, devam ocupar no espaço em relação a um ponto, reta, ou plano em específico. São divididas em quatro subgrupos: posição de um elemento, ou reta ou plano, símbolo ( ); concentricidade, símbolo (⊚); coaxialidade, símbolo ( ) e simetria, símbolo ( ).
Peças que podem ser reproduzidas por superfícies de revolução, em relação a um eixo de simetria, podem contar com outro tipo de tolerância geométrica, a tolerância de batimento circular, símbolo ( ) e pela tolerância de batimento total, símbolo ( ). A tolerância de batimento cria limites em relação a uma direção da peça, no sentido radial e/ou axial, em relação ao eixo de simetria da peça.
Quanto as tolerâncias no acabamento da peça, ou seja, erros microgeométricos, a norma NBR 4287 e a norma NBR 8404 vem para padroniza-los. Para cada finalidade da peça ou componente existe uma superfície e portanto, uma rugosidade adequada. Uma matriz de envasamento de plástico transparente para garrafas PET, deve ter uma superfície extremamente lisa e polida, para que a garrafa fique com o acabamento e transparência adequada. Conforme já mencionado anteriormente, a rugosidade é um erro microgeométrico, que pode influenciar na qualidade de deslizamento de um corpo sobre uma superfície, na resistência do escoamento de um fluido em uma tubulação, na aparência, etc. A rugosidade pode ser causada por diversos fatores, como: vibração, desgaste da ferramenta, utilização de processos de fabricação inadequado, entre outros. O instrumento utilizado para medir a rugosidade é o rugosímetro, este aparelho geralmente possui quatro componentes: o apalpador, que desliza sobre a superfície avaliada, a unidade de acionamento, que desloca o apalpador sobre a superfície, o amplificador que aumenta o sinal proveniente do apalpador e o registrador que mostra o perfil e o valor da rugosidade. Os valores da rugosidade podem ser avaliados por diversos métodos, mas o mais utilizado é o método da rugosidade média Ra. Por meio dessa média de rugosidade a norma classifica doze classes de rugosidade, variando do melhor acabamento, classe N1, para a com pior acabamento, classe N12. Estas classes de rugosidade muitas vezes são utilizadas em símbolos para acabamento superficial definidos pela norma NBR 8404, os símbolos utilizados para identificar o acabamento de uma superfície trazem informações importantes como: a classe de rugosidade, método de fabricação, comprimento de amostra, direção das estrias de rugosidade, sobremetal, etc.


Biografia:
Número de vezes que este texto foi lido: 28506


Outros títulos do mesmo autor

Artigos CAD2 Engenharia Fora da Caixa
Artigos CAD1 Engenharia Fora da Caixa
Artigos Sólidos Engenharia Fora da Caixa
Artigos Descobrindo o Tratamento térmico Engenharia Fora da Caixa
Artigos Por dentro da MecFLu Engenharia Fora da Caixa
Artigos Projetar mecanicamente Engenharia Fora da Caixa
Artigos Desenhos Mecânicos Engenharia Fora da Caixa
Resenhas Tolerância Engenharia Fora da Caixa
Resenhas Por dentro da Metrologia Engenharia Fora da Caixa


Publicações de número 1 até 9 de um total de 9.

  Envie este texto por e-mail
Digite seu nome:
Digite seu endereço de e-mail:
Digite o nome do destinatário do e-mail:
Digite o endereço de e-mail do destinatário:

escrita@komedi.com.br © 2019
 
  Textos mais lidos
The crow - The Wiki World - The Crow 38001 Visitas
haicai - rodrigo ribeiro 37936 Visitas
haicai - rodrigo ribeiro 30400 Visitas
OS ANIMAIS E A SABEDORIA POPULAR - Orlando Batista dos Santos 29743 Visitas
haicai - rodrigo ribeiro 29710 Visitas
haicai - rodrigo ribeiro 29709 Visitas
haicai - rodrigo ribeiro 29686 Visitas
haicai - rodrigo ribeiro 29506 Visitas
haicai - rodrigo ribeiro 29426 Visitas
haicai - rodrigo ribeiro 29360 Visitas

Páginas: Próxima Última