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Amélie Klein (Série em Poesia - Episódios 1 a 7)
Em andamento (5, 6 e 7 Novos)
Bia Nahas

Resumo:
Apresento os seis episódios iniciais da minha série em poesia chamada Amélie Klein com várias críticas sociais, romance, surrealismo e aventuras. A história se passa em Londres no ano de 2006. O objetivo da série é falar de questões sociais envolvendo o homem e a mulher. Para falar do homem, utilizo os vídeos de Leo Hwan do youtube e converso com alguns amigos. Como tem tanta questão sobre esses assuntos, eu resolvi fazer uma série só para isso. Peguei o poema antigo do heterônimo Tamires chamado "Um Objeto Sexual" e a transformei em um dos personagens da série e acabei mudando o nome do heterônimo para Louise Stone. A Louise Stone é baseada em uma pessoa conhecida.
A série é um pouco forte, no começo, porque gosto de fazer críticas de forma provocante, mas espero que sobrevivam e que estejam dispostos a mergulharem num universo novo criado por mim...
Detalhe importante: Acho melhor eu ir colocando os episódios que eu for fazendo aqui mesmo para não perder a coerência. Quem gostar da série, peço que fiquem de olho nessa postagem ou no meu blogue porque eu posto primeiro lá. Com certeza, vou terminar essa série, aos poucos. Dou a minha palavra.   

1 Episódio: "Irmã Gêma" por Amélie Klein

Amélie é uma garota
Que se acha uma grande boba
Por tantas fracassadas tentativas
pelas elevadas expectativas.

O fracasso de cada tentativa
o fez descobrir a melancolia
tão insistente que não conhecia
e que agora a atormenta todo santo dia!

Tornou-se uma fácil presa
para a melancolia que sem defesa
deixa Amélie num grande vão
que cada vez mais aumenta em seu coração.

Amélie não se sente capaz
de encontrar sua paz
E ir para qualquer lugar
Com a força do seu desejar...

Seus amigos a motivam!
Eles em vão a animam
Assim como seu melhor amigo
Em que dele guarda algo em sigilo.

Amélie angustiada vai para seu quarto.
De repente, se depara no espelho parado
O reflexo do seu "eu" com semblante sereno
mostrando a ela como é possível ver o seu ser pleno.

A sua irmã gêmea no espelho num gesto de acolhimento,
Subitamente, sorri a ela num dado momento.
Amélie pensou que estivesse delirando
Ou que quiçá estivesse tendo um sonho estranho.

Sua irmã diz a ela para não desistir
Porque ela vai, sim conseguir
Se de uma forma diferente persistir
E não se do mesmo jeito insistir...

Amélie ainda extremamente chocada
Com seu "eu" no espelho, que falava,
Desabafou a ele que estava desanimada
E com esse mundo machista e moderno preocupada.

Sua irmã gêmea do espelho assentiu.
E então, bem pensativa desistiu
De apenas palavras dizer.
Ela firme se virou para trás dizendo: Amélie, venha aqui ver!

Amélie não sabia bem o que fazer;
Mas arriscar era o único jeito de saber...
Ela abriu o espelho e não acreditou no que viu!
A surpresa foi tanta que seu coração acelerado sentiu...

No seu quarto, foi descoberta,
atrás do espelho, uma passagem secreta!!
Impressionada, ela entrou no que parecia
Num só cômodo ser uma outra moradia.

Havia um sofá em frente com um quadro acima,
um abajur lateral, uma estante com livros e uma caixa com roupa íntima.
Havia um armário, uma cama arrumada, um baú com mantimentos.
No fundo da sala, um berço e no chão alguns brinquedos.

Tudo estava extremamente empoeirado
Como se há muito tempo tivesse sido abandonado
Por alguém que o usou como talvez um cárcere ou esconderijo
Sabe-se lá por qual motivo...

Amélie continuou a caminhar
Até o momento que ouviu um som destoante ao pisar.
Quando percebeu que era um piso falso, o quebrou no meio
Até quando conseguiu tirar o azulejo com anseio e receio.

Havia um sebento diário
Com páginas amareladas difíceis de se ler
E um pequeno amuleto ao lado
Com a imagem de uma mulher e de uma bebê.

No diário, a mulher chamada Louisa contava
Os tempos em que, nessa casa, era violentada
Pelo marido que como chefe de polícia do bairro da cidade pacata do interior trabalhava
E por isso, sua família e a própria pequena cidade tão bem enganava.

O seu pai não se conformava
com a ideia de uma filha divorciada
porque seria uma desonra ao casamento
e à família reconhecida na cidade pelo respeito.

A mulher tinha que ser uma boa esposa
e não inventar do marido qualquer coisa.
Já a sua mãe ficava quieta embora preocupada,
Mas por adorar o genro era bem desconfiada.

Numa cidade tão pequena, ninguém acreditava
que ela era de fato mal tratada, mas sim, meio maluca e ingrata.
O marido disfarçava serem uma boa família
como de "conto de fadas" todo o dia.

Em casa, ele a ameaçava de matar,
bater e até o seu bebê mau tratar...
Louise não tinha coragem de correr o risco
Mesmo estando desesperada para sair daquele lugar maldito!

Por quatro anos, o marido a trancou
naquele lugar que tanto odiou!
Ele sexualmente tanto a abusou
Até chegar ao ponto que a engravidou...

No diário, escreveu tantas palavras de dor carregadas e por lágrimas borradas!
Era tanta a angústia por não conseguir sair dali que pensou em se matar, sumir,
Mas ela insistiu... tantos maus tratos ela engoliu
Em sacrifício por sua filha que por tudo isso, tanto amor e ódio sentiu.

Ela era mantida presa sem internet nem janela naquele secreto lugar
para nunca sair dali quando ele fosse trabalhar!
E quando chegava, era obrigada a tudo fazer se não a cinta dele ia conhecer:
a janta, massagem, sexo e tudo mais que uma "boa esposa", segundo ele, deveria oferecer.

Com tanta depressão, ela perdeu a sua dignidade!
Com um vão no coração, ela perdeu sua vivacidade!
Com uma dose alta de seu remédio, pensou em envenená-lo,
mas antes repensou que não se igualaria a esse ordinário.

Ela arriscou fugir, com o seu marido dormindo,
Pegou a sua filha já mais consciente de três anos e se permitiu ir se despedindo
de uma vida passada que não é cristalizada
já que de viver assim por nenhuma razão deve ser obrigada...

Mesmo com tanta dificuldade,
Louise denunciou o seu agressor, e numa nova cidade,
Louise conseguiu, aos poucos, se reerguer!
Ela conseguiu, aos poucos, reviver!

Louise encontrou, aos poucos, trabalho!
Sua família se desculpou por não terem nela acreditado!
Com um vão no coração, sofreu...
E com uma cicatriz da superação, enfim, sobreviveu...

Amélie impressionada com o passado da sua casa
e sensibilizada com a ferida e a cicatriz dessa mulher tão determinada.
No final do diário, Amélie achou um anagrama inteligente
E ao desvendá-lo, encontrou o endereço de Louise mais recente.

Decidida como Louise, Amélie quis tentar encontrá-la!
Chamou seus amigos e fez suas malas....
Quando Amélie chegou,
Percebeu que a casa numa ONG virou!

É uma ONG por Louise fundada,
ainda por ela comandada
E para a defesa das mulheres destinada
para ajudar a elevar a autoestima ao ser violada.

Louise superou o que seu abusivo ex-marido dizia
De que era incapaz de fazer qualquer coisa na vida.
Ela se fez sujeito de si com autonomia,
Transformando a dor em ação com perseverança e valentia.

Louise com Amélie foi conversar
Para, se inspirando em seu exemplo, tentar ajudar a fazê-la pensar
Em como tem capacidade, como mulher, de fazer uma singela diferença no mundo.
E isso ninguém anula, se ela não permitir, nem por um segundo!!

Diferente do determinismo natural, a mulher não é frágil por si só!
A mulher é capaz de sair de um nó...
Não é completamente dependente para enfrentar qualquer obstáculo
Que estiver a incomodando ao seu lado.

Amélie, por ela, foi violentada inconscientemente
não fisicamente como a Louise felizmente,
Mas ela mesma também se machucava psicologicamente
ao subestimar a capacidade de sua mente.

Por isso, Amélie tanto se identificou
com a história de dor e cicatriz que mostrou
ela mesma ou sua irmã gêmea no reflexo do espelho,
pois afinal, a pessoa que mais nos ajuda é nós mesmos!!

Os amigos de Amélie também a ajudaram!
Esse momento de crescimento auxiliaram
Por juntos estarem nessa jornada
Cada vez mais unidos em qualquer cilada!

Amélie a David, seu crush amigo,
Ainda não conseguiu confessar o seu segredinho,
Mas, para um dia desses, até que foi o suficiente ele a abraçar profundamente
E sussurrar em seu olvido que ela pode contar com ele sempre...

Ao voltar em seu quarto e ver seu espelho novamente,
Ela se chamou ansiosamente
Para agradecer por mostrar a ela mesma
Como é capaz de fazer o que quer que seja.

Elas sorriram uma para outra
Com mais esperança nas coisas...
O presente é a semente do amanhã
ao reconhecer em nós mesmos a nossa irmã.

´E uma irmã gêmea que nos revitaliza
Nos motivando nas nossas missões a cada dia!
´E uma irmã gêmea que está em nosso coração
conosco para nos ajudar a tapar nele qualquer vão...

2 Episódio: "Um Objeto Sexual" por Louise Stone


Max Gasparini

Dói
Na minha alma
A violência
Que é justificada
Pela inferioridade da mulher
Como se ela fosse um mero brinquedo
Para o homem fazer o que bem quiser.

Dói
No meu corpo
A injustiça
Porque eu, de repente,
Me tornei uma vítima
Da raiva e da vergonha
Não saírem tão facilmente
Como a sociedade sonha.

Ah! Dói!
E como dói
Mais uma vida
Marcada com um sofrimento profundo,
mas aliviada por partir deste cruel mundo.

Eu sou um mero sexual objeto
para se divertirem sem afeto.
Mas, a dor me prova que sou mais do que isso
porque um objeto não estaria em gemidos, gritos e tiros.

Dói tanto!
Ninguém sabe o quanto!
Estou em pedaços
E não sei como juntar os cacos...

-

Querido Diário, obrigada por me escutar,
mas agora chegou o momento que precisou chegar...
Adeus, meu amigo de tantos anos...
Eu preciso "adeus" te dizer
porque se continuar aqui, vou perecer...
Preciso tentar fugir para sobreviver...
Não tenho forças. Vou fazer isso... Por ela...

3 Episódio: "Lobas na Escola" por Gabriely Collins

Gabriely vai para a escola de uniforme
preservando sua obediência às regras conforme,
Mas ela faz questão das suas meias coloridas
para mostrar que é alguém às escondidas.

O olhar de inocência
esconde uma grande inteligência.
O olhar de doçura
esconde um desejo de travessura.

A meiguice no olhar vago revela
a vontade de descoberta.
A ternura no olhar demonstra
o foco numa misteriosa força.

Gabriely começa o seu primeiro dia
e esbarra naquela que será sua melhor amiga.
Amélie apresenta o colégio com simpatia
e também outra amiga que lhe dá boas-vindas.

Jane Evelyn perguntou: qual é a sua matéria favorita?
A Gabriely responde Português porque adora poesia.
Jane disse que adora Matemática por causa da lógica.
Já Amélie devora os movimentos feministas da história.

Quando Gabriely contou
que vinha de uma escola pública
e, por causa da bolsa, não poderia reprovar nunca,
Susi, uma garota popular, rica, branca e loira, a ouviu ao passar e não gostou.

E aí, Susi com o nariz empinado disse: "Aí, quanto lixo chegou esse ano!
Eu vou ter um enfarto com esse escândalo!"
Amélie enfurecida ameaçou de partir para cima da intrometida
No momento que Susi chamou suas "Abercrombies amigas".

Susi continuou dizendo: "Como essas garotas são escrotas...
Nariz torto, cabelo ressecado e ainda gorda!"
Susi dá um tapa forte na barriga de Gabriely inesperadamente
como desaprovação por ela estar com quilos a mais do que ela acha ser decente.

Amélie não aguenta o ódio e a xinga de "ridícula"
porque odeia quem mexe com suas amigas.
Amélie impulsivamente em Susi dá uma surra
e enfurecidamente a xinga de "burra".

Susi indiferente com a ofensa diz a Amélie ter inveja
porque ela era mais bonita do que ela.
Por isso, agia como uma favelada sem educação...
Susi disse que a odiava tanto, mas tanto que não sabia como cabia no coração.

Chega, de repente, o lindo David Stewart despertando o interesse de ambas
e diz para elas se acalmarem se não as lobas
vão ser expulsas se alguém da escola as ver brigando
e com brigas assim não vão conseguir ver nada solucionando.

Amélie responde mais calma: "Para sermos nós, não precisamos de nenhuma aprovação,
Se você insiste em pensar com essa limitação.
Mas saiba que a opressão à mulher historicamente na sociedade
se fortaleceu como com garotos ou garotas como você falando essa estúpida superficialidade
e como garotas como nós brigando por essa estúpida rivalidade."

Amélie Klein reconheceu sua parte e se desculpou pela surra
já que não quer contribuir para que a rivalidade se reproduza
se não não vai acabar a ilusão nunca
de que as mulheres são como bolas brancas disputadas numa sinuca.

Mas Amélie não gosta de ver suas amigas brigando.
Então, pede para que Susi repense e pare de ficar implicando,
mas Susi, que não quer sair do poder, simplesmente nega
e manda suas amigas acompanharem ela.        (* o erro é para rimar...)

Todas as amigas populares e produzidas
usavam Abercrombie e se achavam as mais bonitas.
Durante três anos, Susi Allen liderava o grupo das mais esnobes
que com bullying elas exigiam que todas seguissem seus moldes.

Já a Amélie Klein liderava outro grupo na escola,
pois era amiga de todas independente da nota
que o padrão de beleza ocidental possa estabelecer,
pois como Louise, Amélie sabe escolher quem vai ser:

Uma escrava dos caprichos masculinos
ou uma mulher livre que não precisa ter seus desejos reprimidos
de ser e fazer o que quiser
sem desrespeitar quem é por ser mulher.

Gabriely sai da escola chorando
pelo seu horrível primeiro dia ainda se envergonhando.
Uma garota a xingou de gorda na frente da escola...
Gabriely gostou de Amélie, mas se sentiu tão exposta...

Gabriely não percebe por estar chorando
que Charlie, perto da saída, a viu passando
e preocupado a segue dizendo: "Espere!"
Mas Gabriely só parou quando ele a segurou firme e disse: "Calma, ... Gabriely!?"

Gabriely ficou sem graça
e cada vez mais envergonhada,
Mas Charlie perguntou delicadamente o motivo de uma garota tão linda se entristecer
embora a tristeza seja algo natural independente da beleza que se possa ter...

Gabriely olhou para o chão
achando que Charlie a verdade falava não
porque as palavras das "Abercrombies" garotas
rodeavam a sua cabeça como moscas.

Charlie teve uma ideia de levá-la               (* o erro é para rimar)
a uma casa misteriosa que não foi feita por fada.
As inimigas das fadas são as bruxas
já que Charlie era muito amigo de umas.

Charlie a levou para uma floresta
longe da escola em sua bicicleta.
Gabriely que sempre teve vontade de uma descoberta
ficou animada com a travessura pela floresta deserta.

Eles chegaram na casa da bruxa.
Gabriely com medo estava muda.
A bruxa os receberam muito bem
já que não era nenhuma fada do além.

A casa da bruxa era exótica com cortinas escuríssimas,
umas estantes de livros lotadíssimas,
um armário com várias especiarias
e um caldeirão para fazer suas feitiçarias.

A casa tinha um cheiro de incenso fortíssimo
que criava um ambiente excêntríssimo.
Já a bruxa até que era muito bondosa,
mas somente com seus amigos, e generosa.

Gabriely pediu poderes para acabar
com o reinado de Susi e das "Abercrombies" e se vingar.
Gabriely não vai esquecer ressentida
do que elas falaram a ela nesse dia.

A bruxa com sua risada maligna,
permitiu que Gabriely fizesse sua vingancinha,
mas dentro de uma semana, precisava saber
que seus poderes iriam desaparecer.

Gabriely agiu escondida
sem que Susi nem Amélie soubessem da armadilha.
Gabriely fez aparecer aranhas na mochila da Susi burra
que desmaiou quando uma subiu em sua nuca.

Gabriely fez as unhas rosas ficarem esverdeadas
e com o poder da mágica todas caírem desgovernadas.
Gabriely discretamente se divertiu,
mas no quarto dia da semana, Amélie descobriu.

Amélie disse que isso é uma oportunidade
para acabarmos com a rivalidade
e não instigarmos a superficialidade
com mais e mais maldade.

Amélie continua dizendo que essa loba precisa parar
de com qualquer uma julgar.
Se ela demonstrasse mais compaixão,
a escola poderia ter mais união.

A Gabriely passou a aceitar
que o que fazia era por acreditar
no que Susi disse dela ser verdade,
mas é apenas fruto do machismo na sociedade.

Ao analisar a sociedade,
as mulheres vítimas da rivalidade
reproduzem como uma ilusão
o sistema que a elas também fazem uma opressão.

Gabriely fez a Susi parar de falar
quando queria com outra garota implicar.
Quando Susi tentava em Gabriely bater,
Ela fazia imeditamente o diretor aparecer.

Durante o resto da semana, a Susi mudou
com os poderes de Gabriely que possibilitou
que as mulheres da escola pensassem que competir
era desnecessário agora que todos contribuíam para o unir.

Quando os poderes de Gabriely acabaram,
Susi até tentou voltar seu reinado, mas todas cansaram
e a desaprovaram dizendo para ela parar
já que simplesmente isso na escola não iria mais dar...

Amélie, Jane e Gabriely comemoraram
como grandes amigas, no bar, a vitória que realizaram
e beberam, dançaram e se esbaldaram muito em conjunto
já que as Abercrombies não existiam mais naquele minuto.

Com o tempo, Susi e suas amigas
começaram a andar com as meninas
como se fossem as fadas e as bruxas unidas
e assim, toda a rivalidade feminina da escola foi diminuída!

Não foi mais necessário como lobas conviverem
porque a aceitação fez essas ideologias sociais, aos poucos, se romperem
na mente, na ação e no sentimento perecerem,
e, assim, com o amor próprio, simplesmente, as fortalecerem...



4 Episódio: "A Ilusão de Herói" por Charlie Klein

Tenho a missão
De salvar a nação
Desde o mar a Terra
Por aquele que só berra.

Meu pai confiou a mim
Sua empresa quando for seu fim
Como foi passado a ele pela nossa família,
Mas eu não quero fazer isso da minha vida.

Para ser considerado um bom homem,
A raiva e a fúria me consomem,
pois preciso ser forte como um Deus,
não importando os sentimentos meus.

Por bem, devo conquistar honrarias,
Ou abusando do poder com gritarias
Como meu pai sempre diz
Para que eu possa ser feliz…

Meu tridente ataca
Manipulando a água
Para que o mar e a terra estejam no meu comando
Se não, na batalha, fracassarei sangrando…

A tristeza não tem lugar
Nem mesmo a possibilidade de amar
Se não perco a batalha
Por não utilizar devidamente a raiva
que é a minha arma.

Quando algo me entristece,
Meu pai diz: Nada te enfraquece.
Quando algo me emociona,
Meu pai diz: Não me decepciona.

Desde criança, eu não podia chorar
Rir nem amor demonstrar.
Meu melhor amigo David, desde já, vinha me consolar e escutar.
Para ele, me abria tanto que revolucionávamos o que era de nos esperar.

Pela amizade, nos amávamos.
Conversando, desabafávamos
Como nossos pais pediam uma alta exigência
Tendo que a nossa identidade colocar uma venda.

Em nome da batalha, temos que vencer
Se não não é recompensado por merecer.
O amor paterno não nos era dado
Apenas discussões quando fazíamos algo errado.

Meus amigos Amélie, Jane e David eram as testemunhas
De como papai Robert e mamãe Susan se transformaram em múmias
Do patriarcado até que, pela traição de papai, mamãe decidiu
Que não precisava se submeter a algo assim e então, desistiu…

Como Sartre dizia, quando o amor
Reduz duas individualidades a uma só resta a dor
Já que as liberdades e subjetividades são oprimidas
Sugando de ambos as energias.

Susan e Amélie faziam as atividades domésticas
Enquanto ele me exigia a tirar 10 nas matérias.
Papai implicava dizendo que é perigoso quando Amélie queria sair
Enquanto eu sozinho me deixava livre para ir e vir.

Papai não deixava Amélie dizer palavrão
nem se meter em confusão,
Enquanto eu podia falar o que quisesse e fazer judô,
Mas não podia levar desaforo para casa com nenhum chororô.

Eu e Amélie brincávamos cada um com seu brinquedo.
De tanto, papai ficar irritado dava medo
Então, todos da casa fazíamos o que ele queria,
Até o momento que Amélie conheceu Louise e ela começou a ter e a contagiar com a sua valentia.

Amélie ajudou a sua mãe a reerguer sua autoestima
Já que estava numa profunda melancolia sem voz ativa
Com esperança de que tudo passasse,
Mas como nada mudava, resolveu acabar com esse impasse.

O medo da masculinidade patriarcal unem a nossa cultura.
O condicionamento de que os homens devem ser violentos fazem uma ruptura
Na espontaneidade e respeito entre os sujeitos
Presos aos rótulos que não notam os seus esqueletos.

Quando mamãe se separou, sentimos tristeza,
Mas infelizmente também alívio por termos mais liberdade com certeza
Para que eu e Amélie pudéssemos brincar, vestir, dizer e fazer livremente
Assim como nossa querida mãe Susan Klein estar mais independente.

Papai se enfureceu por não mais no comando estar
Como se estivesse perdido a sua batalha que meu avô o condenou a lutar.
Papai se negou a derramar uma lágrima
E a pagar a pensão já que não é sua responsabilidade… Que lástima!

Na floresta, Charlie vai por estar chorando
Já que nunca teve o amor paterno que está precisando....
Ele chama a bruxa Morgan que aparece em sua vassoura
Perguntando o motivo de chamá-la nessa hora…

Charlie diz que se permitiu chorar
Porque tudo a ruína parece estar
Já que seu pai numa ilusão se perdeu
Por achar que o amor nele nunca nasceu.

Charlie que está começando de Gabriely a gostar
Mas que nunca foi ensinado a amar,
teme que possa a ela machucar
E por isso, acha que deve dela se afastar.

Charlie pede a Morgan uma poção para desaparecer
Ou para que seus problemas pudessem enfraquecer
Ou para que pudesse seu pai mudar
Ou para que fizesse esse sentimento tão ruim acabar.

A bruxa Morgan dá a ele uma poção
Que fez em seu caldeirão
Para reconhecer nele a individualidade que o convida
A sentir seja tristeza, seja amor, seja alegria.

Independentemente de quem for,
Ele pode viver com mais amor
Aprendendo o que for preciso
Para que conheça e fortaleça mais o seu íntimo.

Pegando carona com Morgan em sua vassoura, ele foi falar
com seu pai para tentá-lo despertar
da ilusão de uma batalha a ser vencida
já que não precisa ser reproduzida.

Com a aceitação da própria natureza individual
Que tanto tem lado emocional e sentimental,
O seu pai Robert Klein passou a aceitar essa mesma natureza das mulheres da sua vida
Que desrespeitou antes por ter se visto preso nessa ideologia.

Com empatia e autenticidade, Charlie as palavras certas conseguiu achar
E, de forma respeitosa, com seu pai, viu como é possível dialogar
Depois de tantas vezes que tentou com indelicadeza e fracassou
Já que estava concentrado em ganhar a batalha que agora não mais precisou…

A ilusão de herói acabou pela sua mente que se libertou
das amarras do que seu pai dizia que não mais o afetou.
A sua mente mais forte e capacitada com a mágica poção
Pode aprender a amar e seu pai ajudar lado a lado em união.

Enquanto isso, a bruxa Morgan, bem discreta na janela
Preocupada como uma mentora que só de longe Charlie observa,
Se diverte porque nunca disse a ele que a poção sem efeito é como um remédio placebo
Já que ela entende que o poder da mente deles é o ingrediente “mágico” do seu grande segredo...

Episódio 5: "Jogo por Amor" Por David Stewart (3 partes)

Parte 1

Em 2005, eu estava jogando bola
Como costume depois da escola
Quando jovens do condomínio
Desciam à quadra para não ficarem sozinhos.

Conheci Charlie no dia que ele se mudou ao meu condomínio
E desceu para jogar e conhecer os meninos.
Foi a primeira vez que jogamos juntos.
Fizemos vários gols nos seguintes minutos.

No dia seguinte, no meio do jogo, vi uma nova menina
Chegando linda e um pouco tímida.
Passei a jogar como nunca para ela me notar,
Mas diferente das outras meninas, ela mal chegou a me olhar.

Ela começou a animadamente conversar
Com a Jane Evelyn do segundo andar.
Perguntei para Marc se ele sabia quem era aquela linda menina
Porque nunca tinha visto antes desse dia.

Charlie, que estava perto de nós, perguntou desconfortável e meio bravo
Se era na irmã dele que eu estava interessado.
Tentei disfarçar dizendo que era em outra garota.
E aí ele relaxou, se desculpou e voltou a jogar de boa.

Eu, Charlie e Marc nos tornamos melhores amigos.
O verão inteiro das férias ficamos jogando com os outros meninos.
`As vezes, com as meninas, jogávamos “polícia e ladrão”.
E em dias chuvosos, era só video-game e filme de ação.

Luke também é um novo, meio fechado e esquentado morador
Já que, no anterior primeiro jogo, vestiu a armadura depois de ter brigado com outro jogador.
Richard, Jack e Luke lutam de um lado da quadra.
Eu, Charlie e Marc batalhamos do outro time com garra.

Ninguém pode dizer o que é e o que vai ser.
Meu pai é o primeiro a afirmar não poder
Eu ser quem eu queira no mundo
Pelo tanto que falta pelo rótulo em cada segundo.

Para ele, ser homem não é ser sensível; é ser agressivo
E, num jogo de futebol, deve ser o mais competitivo
Para que domine pensando que é melhor do que os demais
E que é extremamente mais capaz.

Para ele, ser homem no jogo da vida
É ser ganancioso para alcançar a diplomacia
derrubando com carrinhos e faltas qualquer jogador
para mostrar quem é o verdadeiro dominador.

Dominador é cuidar do que é “meu”
Mesmo que não seja realmente “meu"
Já que a posse é uma ilusão, um conceito cultural,
De que tudo deve ser controlado para ser o maioral…

Se Amélie é irmã do meu melhor amigo,
dar em cima dela seria impossível.
Eu prestava atenção no jogo, mas não deixava de observar
Como se empolgava com as suas amigas ao conversar.

Na direção do banco que estavam sentadas, com brutal força, a bola foi jogada.
Eu corri, peguei a bola e fiz um gol de cabeçada.
Depois do susto e de me agradecerem, Amélie e as amigas passaram a assistir o jogo
E eu, para ganhar a partida, estava totalmente louco.

Em vários momentos rápidos, eu e Amélie cruzamos o olhar.
Sempre que isso acontecia, sentia frio na barriga e vontade de me aproximar.
Mas eu queria muito a impressionar porque assistia atenciosa ao jogo.
Então, precisava me concentrar e não encará-la como um tremendo bobo.

O Luke do outro time parecia nela também interessado
E provocando a mim, tornou o jogo um campo minado.
Mais ágeis e competitivos do que o jogo anterior ambos estávamos
E mais compenetrados que acabamos deixando o jogo acirrado.

Quem ia perder? Quem ia ganhar?
Um time fazia gol e aí, voltava a empatar.
Até que furioso por dominarmos a bola,
Luke deu um carrinho em Charlie numa errada hora.

Luke acertou Charlie gritando ao cair no chão,
E ao invés de pedir desculpas, Luke então,
Pediu para Charlie parar de frescura
E eu falei: Por quê não reconhece sua parcela de culpa?

Luke continuou zoando Charlie de “boiola”
porque jura esnobando que bateu na bola.
Eu não aguentei a raiva e parti para a agressão
Para ele aprender que com meu amigo ninguém esnoba assim não.

Eu dei uma porrada na barriga.
Já ele queria quebrar a minha narina.
Eu o xinguei de vagabundo.
E ele de estúpido.

Marc, Richard e Jack nos afastaram.
Jane e Amélie assustadas se aproximaram.
Jane falou, para mim, que dessa forma violenta, nada se resolve;
Apenas continua a ilusão de que são mais homens.

Jane disse, para Luke, que mandar na dor alheia é inconveniente
E também insinuar que Charlie é inferior por um acidente.
Aliás, ela estranhou dizendo a Luke que é preconceito
ele insistir a insinuar que “boiola” é um xingamento.

No seu segundo jogo com os meninos, Luke não a conhecia,
Mas não gostou nada de receber de uma mulher uma crítica.
Por isso, odiou Jane Evelyn dizendo que só foi uma zoeira.
Mas Jane disse que achava estranho ele “diminuir” Charlie por uma brincadeira.

Amélie concordou com o que Jane disse com a cabeça,
Mas continuou calada com uma vontade à beça
De falar alguma coisa que tenha a incomodado,
Mas como estava envergonhada, ela deixou de lado.

Luke fez uma cara totalmente emburrado e irritado.
Charlie foi ao hospital para ser engessado.
No dia seguinte, fui à casa de Charlie visitá-lo
E encontrei Amélie o ajudando em seu quarto.

Eu disse: Oi. Tudo bem?
Ela disse: Oi. Sim. Você pode ajudar? Vem.
Meu irmão precisa ficar de repouso.
Mas ele não aguenta ficar quieto nenhum pouco.

Eu ri e disse que vou fazer companhia.
Ela sorriu saindo e disse ao irmão com alegria
Que podemos chamar o pessoal e assistirmos um filme
Com pipoca porque eu e Charlie não conseguiremos jogar hoje no time.

Eu e Charlie gostamos da ideia.
Eu realmente gostei e admirei esse jeito dela
De se preocupar gentilmente com o irmão,
E sofri por não poder ter nada com ela não...

Como sou bem popular, poderia pegar
Várias meninas que gostariam até de me namorar,
Mas me tira do sério essa menina
tão linda que me fascina.

Difícil não pensar em nada com ela
Porque ela estava muito gata com uma blusa amarela
Cheia de boa intenção, tão alegre e fofa, sorrindo
Sem perceber o que eu estava sentindo.

Lisa, Jane, Marc, Richard, Luke e Jack chegaram.
Na sala, assistimos um filme de terror em que todos gritaram.
Minha mãe assistiu conosco,
Como era de terror, à contragosto.

Amélie cobria o rosto ou abraçava com medo Jane do seu lado.
Eu morria de vontade de estar com ela e de abracá-la de modo delicado.
Eu aguentei e fiz força para que o meu sentimento desaparecesse
Já que aparentemente ela não demonstrava interesse por mim - não que parecesse.

Sou apenas o amigo do seu irmão.
Ela com 16 e eu 18 como Charlie, daria não.
Como acabamos de nos conhecer, não quero me apressar
Porque ela não é como qualquer uma que eu poderia ficar.

Ela começou a estudar na mesma escola,
E é uma das únicas meninas que não me dá bola.
Ela conversa comigo como amigo mesmo
Sem aquela pretensão de um beijo.

Vou manter tudo em segredo
E abafar esse sentimento.
Vou continuar tentando pegar, namorar e ficar com várias meninas
Enquanto, no canto do olho, a vejo na quadra toda animada com suas amigas.

        Parte 2

Em 2006, procurei me certificar
De que o que sinto por Amélie é um amar
Capaz de Charlie enfrentar
E nossa amizade ameaçar.

Procurei respeitar
O tempo de nos conhecermos
Para que fortalecesse nossos sentimentos
Capazes de nos movimentar.

Amélie convidou nosso grupo de amigos
Para conhecer, em sua casa, um esconderijo
Que carrega uma história de muita dor
Daquela que enfrentou as violências do seu marido opressor.

Quando Amélie descobriu a secreta passagem,
para conhecer a ex-moradora, decidiu fazer uma viagem.
Conheceu a ONG em defesa das mulheres, nessa viagem transformadora,
Por observar como Louise ressignificou a sua dor esmagadora.

Louise rompeu com os rótulos
Transformando sua dor em modos
De ajudar a amenizar essa realidade
Conscientizando a mulher da sua potencialidade.

Nós rearrumamos o esconderijo
Que nomeamos por “Sala do Sumiço”
para conversarmos, cantarmos,
desafabarmos e filosofarmos…

´E um lugar nosso de refúgio
em que pintamos e decoramos
e qualquer coisa falamos
para que seja o nosso mundo.

Quando eu cheguei na casa número oito,
Eles já estavam falando enérgicos sobre o aborto.
Os pufes, cadeiras e sofá estavam todos ocupados.
Acabei sentando no braço do sofá com a Amélie do meu lado.

Luke disse que é contra totalmente
Porque a responsabilidade é da mulher completamente.
Richard disse que se tem filho, cuida.
Tem que responder as consequências dos seus atos como adulta.

Jane disse que do aborto é a favor
Porque é liberdade da mulher fazer o que for
E a responsabilidade deve ser do casal
Porque fazer o filho sozinha não é natural.

Amélie disse com tanta segurança
Diferentemente do ano passado que não tinha muita confiança:
Se tal mulher quiser ou não abortar,
Ela que decide sem que ninguém tenha que julgar.

Amélie continua: Igualmente são importantes
A liberdade e a reprodução em todos os instantes.
Então, para que ditar o que o outro deva fazer?
Lidando com as consequências, cabe a cada casal escolher.

Lisa pensativa a Luke diz
Que não é culpa apenas da mulher que isso quis.
Luke diz que tem muita mulher que faz golpe.
Já Lisa diz que tem muita que abuso sofre.

Luke e Richard não concordam falando
que são mulheres que acabam ignorando
Como precisam se cuidar com camisinha
Para que não recebam da cegonha uma visitinha.

Eu disse que há diferentes situações
Que não devem ser resumidas em generalizações
Para que todos sejam ouvidos
E não, julgados nem tão pouco excluídos.

Eu continuo seriamente dizendo
que agir para a alheia necessidade
É diferente de agir para a culpabilização sem racionalidade
Que muitas pessoas acabam fazendo.

Amélie fica impressionada
Concordando muito com a minha fala
Até mesmo porque tem tanto cara
Que decide abortar sem ver a necessidade da namorada.

Jane também fala de tantos familiares
Que se culpam ou culpam os outros como irresponsáveis
Sem perceber os sentimentos e necessidades envolvidas
e como não há para todos um script social de vidas.

Jack entediado pergunta se o pessoal não quer
Jogar verdade ou desafio com o que der e vier.
Lisa coloca no seu celular baixinho uma canção linda.
Eu falei que rodar a garrafa para facilitar eu poderia.

Gabriely cumpre o desafio de imitar
O Michael Jackson desde cantar a dançar.
Charlie disse que bêbado já rolou na rua deitado
E aí acabou dormindo até acordar desorientado.

Richard à pedido de seu primo Luke pergunta a Amélie que quer verdade:
Tem algum garoto que ela gosta sem falsidade.
Amélie diz que sim ficando vermelha e sem graça.
Ele perguntou quem, mas ela disse que, como é só uma pergunta, essa ela passa.

Jane teve que tirar a calcinha no banheiro
E ficar com ela amarrada na cabeça pelo jogo inteiro.
Jack teve que ligar para a pizzaria
E desabafar chorando com a atendente sobre a sua família.

Jane me pediu para eu fazer um dueto com alguém.
Todos falaram para Amélie fazer porque canta também.
Nós cantamos sem tirar o olho,
Atentos e entregues um ao outro.

As nossas vozes estavam em sincronia.
Até mesmo porque nós dois gostamos da melodia.
Ela estava cantando tão perto de mim que quase não aguentei
Para não arrancar um beijo apenas por Charlie que segurei.

Tantas lembranças vinham com tudo...
Histórias, Mágoas, Conquistas, Sonhos,… E um desejo profundo
Que sempre se manteve quieto até aquele momento,
Quando sem pensar em nada nem ninguém eu lhe dei um beijo.

Quando terminou a música, eu a beijei
E ela correspondeu com doçura como imaginei.
Foi um beijo profundo, carinhoso e tão desejado
Que eu esqueci de todos que estavam ao nosso lado.

Quando terminamos de nos beijar,
Eu fiquei pálido, quando olhei a cara de Charlie a trovejar.
Morri de medo observando a cara que mais me importa:
Amélie estava surpresa e chocada, mas não estava brava
como a de Charlie e a de Luke como se notava.

Todos os outros aplaudiram
E, por finalmente a gente se expressar, todos vibraram…
Sem palavras, eu não sabia onde a cabeça enfiar
E disse nervoso à Amélie que pedia desculpas, mas não pude aguentar...

Amélie perguntou o que eu não aguentava mais e eu me senti tão constrangido,
Mas não ia embora até colocar para fora o que estava engolindo
Repleto de coragem pelo meu amor estar explodindo
Por ter cantado com ela e tão perto seu calor ter sentido.

Meu corpo e espírito
Reclamavam que queriam fazer um certo pedido
De ser verdadeiro mesmo com todas as dificuldades
Encarando todas as consequências e possibilidades.

Então, eu disse: Eu não aguento mais
Disfarçar o que sinto por Amélie, há tanto tempo, não tenho paz.
Eu não me permiti por medo de perder
Minha amizade com ela e com Charlie que poderia não querer.

Charlie pergunta furioso: O que você não aguenta?
Não diga que está a amando. Por favor, não inventa!
Você é mulherengo! E não vou deixar você a machucar.
Não quero que você dela volte a se aproximar…

Charlie parecia outra pessoa.
Não esperava uma reação boa.
Mas ele nem parecia meu amigo.
Agora me rotulava ditando meu destino.

Amélie que estava chocada
Disse a Charlie muito revoltada:
que ela é quem decide quem ela quer ficar
E que ela consegue se defender sozinha, se precisar.

As mulheres não são frágeis, naturalmente,
Não precisando de homens para seguirem em frente
e tomarem decisões importantes da sua vida
já que podem e devem exercer a sua autonomia.

Todos aprovaram com palmas.
Mas ela pediu silêncio e calma.
Ela disse que também me ama
E com o tempo, sentiu crescer uma chama.

Ela disse que em todos os momentos,
Ela também tinha os mesmos desejos
Mas tinha medo de eu o mesmo não sentir
E acabarmos com a amizade que em tantos anos nos empenhamos em construir.

Eu disse que caso não desse certo futuramente,
mesmo convivendo menos e a amizade sendo diferente,
Que somos livres para amar ou recuar
Porque o seu não querer eu nunca chegaria a desrespeitar.

Todos aplaudiram enquanto a gente se beijava.
Eu olhei para Charlie enojado com o que observava.
Ele me disse que precisava daquela sala abafada sair
E pedia respeito para ninguém o seguir nem nada exigir…

Eu olhei para Amélie preocupado,
Mas a beijei novamente aliviado
Por poder tê-la em meus braços
Sem negar o que sinto desde o ano passado.

Todos foram embora para seus compartimentos.
Alguns trabalhavam e precisavam levantar cedo.
No meu quarto, deitado na cama fiquei pensando
Nesse dia tão incrível que estava terminando.

Vou pedir a ela para namorar
porque não posso mais esperar.
Renunciar nosso amor
Está nos causando muita dor.

Não quero mais renunciar tantos beijos
Nem deixar de compartilhar momentos...
Mesmo que isso signifique
Que Charlie afastado de mim temporariamente fique.

Depois de uma semana de namoro, de manhã Amélie eu fui visitar
E o café da manhã deles ajudei a preparar
Porque queria Amélie esperar
Para ao colégio a acompanhar.

Eu peguei o cereal no armário bem em cima dela.
Ficamos tão perto que não aguentei e dei um beijo nela.
Charlie chegou revirando os olhos
E dizendo que nem de manhã o casal desgruda um pouco.

Foi aí que ao invés de ficar magoado,
Eu entendi o recado:
Ele pode estar meio enciumado
Achando que ficará de lado.

Eu o cumprimentei
E, como estava com saudades, eu o convidei
A jogar bola,
Depois da escola.

Ele disse que ia ver.
Eu disse ainda para ele saber
que vai ter uma competição
no próximo ano em nome da nossa escola em Cubatão.

Ele disse que vai pensar.
Amélie foi terminar de se arrumar.
E Charlie acrescentou: Agora que passou o baque,
Acho que vocês até combinam, sabe?

E continuou: Peço que não fale jamais
Minhas coisas para ela, se não para mim, vai ser demais…
E caso terminarem ou brigarem – calma, só uma possibilidade,
- espero que não afete a nossa amizade.

Eu aceitei, sorri
e um alívio imenso senti.
E ainda me disse: se gostava dela há tanto tempo,
cara, não precisava guardar esse segredo.

Eu respondi sabendo que ele tinha razão, mas eu tinha medo
De perder nossa amizade e queria ter certeza do meu sentimento
Para não correr o risco e não ser nada daquilo
E aí, ficaria chato para a gente ou algo do tipo.

Além disso, no fundo, também tinha medo de começar
um compromisso porque seria a primeira vez a namorar.
Seria tudo muito novo e não me sentia pronto.
Queria conhecê-la melhor para saber quando e como.

Ele disse: Nunca vi você ninguém amando!
Só te vi brincar com tantas que, quando eu vi, não tava nem acreditando!
Desculpe por ter te rotulado, mas nunca pensei que você fosse cara desse tipo.
Mas, pensando bem, eu acho que isso de “tipo” não tem o menor sentido…

Nós rimos,
E juntos para o colégio seguimos….
Esse inferno passou…
Um tempo novo o meu coração chamou…

       Parte 3 (continuação duas semanas seguintes à parte 2)
Num final de semana, eu convidei Amélie para vir na minha casa.
Vamos cantar, jogar e conversar até a madrugada.
Depois de uma semana de trabalho, merecemos descansar
E nos curtir bastante já que começamos a namorar.

Tão linda com um vestido vermelho, ela entrou no meu quarto
Para assistirmos um filme juntinhos abraçados.
No meio do filme, nos envolvemos entre beijos e amassos
E, espontaneamente, foi nossa primeira vez ao som do filme totalmente ignorado.

Foi um momento lindo e inesquecível!
Valeu a pena esperar tanto porque foi tão incrível…
Eu tirei a roupa dela depois de tanto ter desejado.
Eu amei cada centímetro dela por mim tão tocado.

Depois de uma vez ter me machucado
Ao ter ficado apaixonado,
Comecei a pegar várias sem compromisso
Porque não queria mais sentir o doloroso martírio.

Quando conheci Amélie, tudo mudou
E minha esperança possibilitou
Que eu voltasse a acreditar no amor
Como existiu naquele minuto em louvor.

Mesmo que aconteça qualquer coisa conosco,
Sei que nos amamos naquele minuto um pouco.
Eu toquei, pela primeira vez, o corpo dela como louco
Que me acariciava e me arrepiava o meu corpo todo.

Ironicamente, terminou o filme quando começamos a assistir
E resolvemos descansar depois de tanto aproveitar cada sentir…
Começamos a rir do filme que terminou logo que começou…
E quando bateu fome, eu fui para cozinha fazer a pipoca que Amélie comprou.

Quando a pipoca estava estourando,
Eu ouvi um grito de Amélie no quarto onde ficou esperando.
Eu corri para ver o que tinha acontecido preocupado,
E ela tinha batido, na quina da cama, com o pé descalço.

Eu me distrai tentando ajudá-la.
Meu pai foi ao meu quarto com cara emburrada
e disse: "Estou sentindo cheiro de queimado.
Será que você faz realmente tudo errado?"

Eu lembrei da pipoca no fogão
Que estava toda queimada sem poder comer mais não…
Fiquei zangado pelo que meu pai disse
Porque esqueci da pipoca preocupado se Amélie se ferisse.

Ele nem pensou em ter me perguntado
O que aconteceu para que a pipoca tivesse queimado.
Já vem me rotulando, como sempre, ele e minha mãe me tratam assim,
Mas eu sei o motivo real mesmo que eles não digam para mim.

Eu e Amélie fomos a escola
E ela percebeu minha cara de derrota.
Sentados num banco do pátio, eu contei
Como num assassino eu me transformei…

Sinto uma enorme e terrível culpa
Que é como uma diária surra
Porque com nove anos, estava distraído brincando, quando minha irmã pequena
caiu da janela do décimo nono andar lá ficando até que minha mãe a perceba.

A minha irmã foi para o céu
Como a minha esperança no véu.
Essa irmã era três anos mais nova do que a Amélie.
Ela partiu tão cedo no mundo e nem ele nem sua família, não a esquece.

O quarto todo rosa dela ainda está intacto
Com sua caminha e roupas no armário.
Todo o dia, eu me lembro do que eu fiz.
E do quanto ela merece mais do que eu estar aqui.

Meus pais me culparam.
Tanto me condenaram.
Me lembro da revolta naquela época
Quando eles me chamavam de “idiota”.

Eu sou menos homem
Por não ter honrado meu nome
E não ter salvado a minha irmã Sara querida
Da janela em que tiraria a sua vida.

Por isso, sinto que deveria ser protetor
À minha irmã porque a dor
Vem dessa culpa que carrego em meu peito
E que me condena pelo remorso aqui dentro.

Amélie me ouvindo comovida de coração
Diz: “Olha, David, para mim, a culpa envolve intenção e ação.
Você era criança e seus pais não deveriam ter te tratado
Dessa forma como se fosse sua culpa que sua irmã tivesse se acidentado.

Talvez eles devessem estar sensibilizados
E ainda não terem direito racionalizado.
Mas talvez uma parte da culpa que você vê acusada por eles
Pode estar impregnada pela culpa você sente em si desde sempre…"

Eu disse para Amélie como eu gostaria de voltar no tempo
Correndo na velocidade da luz sem medo!
Gostaria de ser o The Flash para que seja possível
Salvar minha irmã desse cruel destino.

Eu e Amélie pedimos à bruxa Morgan essa proeza.
Nós voltamos no tempo e percebemos a redondeza.
Eu vejo minha irmã e mesmo que não consiga salvá-la
Por ser tarde demais, pude dizer a ela, entre lágrimas,
que é por todos muito amada.

Pedi desculpas por não ter a minha irmã ajudado.
Meus pais tinham ido rapidamente para o vizinho ao lado.
Contavam comigo para que de minha irmã Sara estivesse a salvo do nosso lado,
Mas continuei brincando porque de ficar cuidando dela não estava muito concentrado.

Sara me disse que simplesmente foi um acidente
E que, como ela me ama, não quer decididamente
Que eu me sinta culpado
Porque o dia da morte é para todos algo incontrolado.

A fragilidade da menina dos meus pensamentos
É substituída pela força dos seus sentimentos
Me dizendo adeus e que não devo pensar
que preciso salvá-la
Para ser homem de verdade,
Mas sim, que preciso amá-la
E aceitar a realidade...

Nos despedimos de Sara que partiu em espírito
certificando-se que estou um pouco melhor embora seja difícil
Vê-la tão pequena indo embora
Porque simplesmente havia chegado a sua hora.

Voltamos na vassoura com Morgan para o colégio.
Agradecemos a bruxa que nos deixou em cima do prédio.
A bruxa disse que qualquer coisa poderíamos a chamar                             * erro proposital para rimar
Em nossa mente porque ela está sempre disposta a ajudar.

Amélie diz não acha que eu seja um assassino de verdade
E que devo ressignificar esse momento com o olhar de uma fatalidade..
Amélie acha que meus pais estivessem se sentindo culpados
E aí, descontaram em mim como estavam se sentindo agoniados.

Tive uma conversa com meus pais difícil, importante, especial e grande
Em que rompemos com o tabu da morte de Sara por um instante.
Demonstramos nossos sentimentos abrindo o jogo,
quando chegou a hora do almoço.

Ao realmente, sem hipocrisia, conversar juntos,
Pudemos dizer sobre nossa necessidade de perdão mútuo.
Fomos honestos durante o tempo inteiro.
Depois desse dia, conseguimos melhorar nosso relacionamento
o deixando mais verdadeiro.

Cada um agradeceu por não precisar fingir ser perfeito.
Cada um tirou as máscaras revelando o ser verdadeiro.
Todos conseguimos conversar tranquilamente,
E depois chegou Amélie com um saco de pipocas rindo zombeteiramente…

Amélie disse zoando que dessa vez, não vai queimar, pois ela estará me ajudando.
Eu ri e disse: "Garota, tá me zoando?" Ela disse que sim brincando.
Então, eu comecei a correr atrás dela pelo condomínio
e ela com um brilho no olhar estava rindo…

Passamos pelos meninos
jogando futebol na quadra.
E enquanto ela ria e atrás dela eu corria,
Percebi que Luke na quadra de ciúme se contorcia…


Episódio 6 - Coroa de Princesa por Susi Allen

Susi Allen

Parte 1:

Amélie vai me pagar
Quando menos esperar
Porque vou me vingar
E meu reino reconquistar.

Minha beleza é superior
A qualquer uma que for
Porque me arrumo noite e dia
E quem se arruma, fica mais linda.

Ajudo as meninas a se encaixarem
Na sociedade até suas imagens se adequarem.
A garota que quiser eu posso ajudar
A se cuidar, a namorar e se embelezar.

Isso é o que o mundo quer da mulher.
Precisamos nos adaptar ao que o mundo quer.
Não podemos como Amélie achar
que a beleza natural deve ser o suficiente para nos amar.

Minha mãe sempre me disse
Se eu quiser ser famosa como ela: “Filha, acredite!
Eu só consegui ser a protagonista
Da novela das 9 porque investi para ser considerada “bonita”.”

Minha mãe pintou e cortou o cabelo de loiro,
Colocou silicone no peito e sutiã de bojo
E plásticas para afinar o nariz
E vários regimes para ser magra e feliz.

Se eu quiser me destacar,
Eu não posso chorar nem me zangar
E preciso estar com o garoto mais lindo,
Para ser popular e ser amada pelo colégio me seguindo.

Minha mãe disse que como uma abelha rainha,
Conseguiu tudo o que quis na vida:
Até se casar com meu pai, o rei, que era o solteiro mais cobiçado
Por ser lindo, inteligente, empresário e bem respeitado.

Eu cheguei como uma princesa no colégio de limousine como habitual,
E descendo do carro, minha amiga Jennifer veio correndo me dizer
Que sou capa de novo do jornal do colégio o que eu já sei sem entender
A pressa dela para que eu veja logo o jornal.

Estava escrito “Será que a superficial e ultrapassada Susi Allen
Vai continuar fazendo bullying contra `as que não se enquadrem`?”
Não acredito que esse jornal me insultou
Dizendo que superficial eu sou!

Essa matéria foi feita por quem?
Não tem o nome de ninguém?
Mas que matéria imunda!
Deve ter sido Amélie, óbvio, aquela estúpida!

De repente, sem que eu estivesse esperando,
Vi Amélie e David juntos de mãos dadas entrando,
Rindo, conversando e se beijando
sem nem me perceberem os encarando.

David não podia fazer isso comigo!
Ele me rejeitou dessa forma sem sentido!
Ah, mas eles que esperem… Vou ser discreta fingindo que mudei,
Mas quando menos eles esperarem, eu me vingarei!

Como podem me humilhar?
David sabe que com ele quero estar...
Eles estão pedindo o troco.
Então, vou retribuir em dobro!

Eu vou acabar com essa felicidade
Separando os dois com tamanha facilidade.
Vou mostrar que se me definem como superficial,
Vou agir assim já que não se ganha nada sendo natural.

Eu e Luke separá-los já planejamos.
O aniversário de Marc duas semanas adiamos.
No condomínio, faremos uma festa.
E lá, vamos separar essa merda!

Parte 2

Eu fingi para Amélie que quero muito a ver
Porque quero dançar com ela pra valer.
Jane, Gabriely e ela chegaram juntas rindo.
E eu perguntei intrigada o que as estavam divertindo.

Jane diz que é porque tem um garçom que é meu conhecido.
Eu disse rindo que achava o mundo pequenino.
Amélie pareceu se lembrar de algo e me dizer
Que, com a matéria do Jornal de hoje, não teve nada a ver.

Eu morrendo de raiva
Por ela se mostrar tão falsa
Me contive e disse que nela acreditava
E que eu não tinha ficado chateada.

David chega lindo com uma blusa azul polo
E quando ele deu um beijo em Amélie, me subiu um ódio
E uma vontade de bater nela naquele momento
Mas me segurei para não estragar o plano secreto.

Eles mal poderiam esperar.
Vou me acalmar porque eu vou separar
Esses dois para sempre facilmente…
E David vai ficar comigo eternamente.

Enquanto Charlie não chegava, Luke e Richard chamaram David pra dançar.
Jennifer pediu ajuda de Amélie porque queria conversar
Sobre como ela não aguentava a mãe sempre reclamando
De como ela não faz nada direito por estar pouco se lixando.

Amélie aconselha Jennifer gentilmente
A conversar com a mãe como se sente
E procurar se ver com mais capacidade
De dizer seus sentimentos de verdade.

Jennifer se comoveu profundamente
Porque não esperava isso de Amélie sinceramente.
Nunca recebeu tanta atenção de alguma amiga.
Nunca se sentiu realmente ouvida e acolhida.

Antes da festa, no colégio, eu pedi para o Luke no intervalo,
Discretamente, instigar em Amélie o seu juízo desconfiado
Dizendo para Amélie ter cuidado
Porque David sempre teve várias mulheres ao seu lado.

Amélie disse que em David acreditava
E com Luke ficou bastante zangada
Embora também ligeiramente desconfiada
Já que ela sabe que David faz sucesso com a mulherada.

Luke me disse que Amélie ficou insegura
Se realmente David daria uma dura
Nas garotas que se aproximassem dele,
Mas ao mesmo tempo, queria dar uma chance a ele.

Luke comenta comigo: “Olha, Susi, Amélie muito bem David conheceu
E, como melhor amiga dele, na época, já percebeu
Que muitas garotas ele pegou e traiu no passado
Porque temia por Charlie de dizer que ele estava por sua irmã apaixonado.

Amélie foi para a festa com essa esperança
De que David fosse compromitido com essa mudança.”
Eu feliz disse: “Facilita o nosso plano essa insegurança
Para que fique mais fácil dar certo tirar o sorriso dela de criança.

Agora eu que de veria agir sem mais ficar enrolando:
Richard e Jack sumiram enquanto estavam dançando.
David ficou sozinho na pista de dança
E por não achar os garotos, ele estranha.

Eu apareço e pergunto se ele quer ajuda.
Ele recusa e só disse que estava em busca
Dos meninos que com ele estavam dançando,
Mas ele acha que como está lotado, acabou misturando…

Ele distraído ainda os procura com o olhar,
conseguimos de Jennifer e Amélie nos aproximar
depois de um pouco para a direita andar
E aí, percebi que esse era o momento perfeito para começar.

Eu disse que como os meninos não estão,
A gente poderia aproveitar para nos entregarmos à emoção...
Ele esta com o rosto direcionado à multidão,
Quando o peguei rapidamente, dei um beijo e ele me deu um empurrão.

Amélie viu bem na hora do nosso beijo
Quando Jennifer parou bem atrás do momento.
Amélie ficou surpresa e, em seguida, muito enfurecida:
Então, você está na mesma festa com duas meninas?

Ela continua: Devia imaginar
Que você não iria mudar…
David diz: Não, Amélie, não é o que você está pensando.
Susi me beijou quando menos estava esperando…

Amélie diz que essa é a desculpa perfeita
Para que eu acredite em você que nem besta…
Amélie virou para trás, saiu prestes a chorar,
Mas David pegou o braço dela dizendo para ela esperar.

David disse que armaram para nos separar
Enquanto Amélie se desvencilhava do seu segurar.
Amélie disse que queria que deixasse ela ir,
Mas David, com uma mentira, não poderia deixar ela se ferir.

Amélie disse tão ingênua: "Então você tinha que ter pensado antes.
E não acabar tudo entre nós em instantes.
O que está pensando? Com duas brincar?
Eu não quero mais com isso desconfiar. Para mim, não dá…! Me deixa!!"

David ia atrás dela, mas se enfureceu, virou para mim e berrou:
O que com isso você ganhou?
Eu fingi que estava magoada e disse que “a você eu fiz um favor
Porque ela não merece nada do seu amor”

David diz que com mentiras,
Só faz ele perceber que sou uma víbora maldita!
Eu ri e disse que ele vai perceber um dia
Que o que fiz foi a melhor coisa da sua vida.

Eu disse: Você se livrou! Você não perdeu!
Ele disse muito bravo: “Você ainda não me conheceu.
Para de continuar entre mim e Amélie se metendo!
Eu disse: Depois de todo o deboche, vocês estavam merecendo…

David disse que as coisas não se resolvem assim
Porque o ódio só vai voltar para mim
Quando a verdade aparecer
E totalmente so-zi-nha eu vou sofrer.

Ele foi embora nervoso
Depois de dizer “so-zi-nha” muito grosso.
Se ele me menospreza, então eu vou continuar
Fazendo com que ele sofra ainda mais por so-zi-nha me deixar.

Como é que esse estúpido ousa
Me trocar por essa sonsa?
Ele vai ver o que é bom para tosse!
Eu vou manipulá-los como uma posse!

Voltei para a festa e percebi no cantinho
Amélie e Jennifer bem no escurinho.
Ouvi e percebi que Jennifer contou a verdade
De que foi tudo uma armação sem veracidade.

Eu disse: Só podia ser a burra para caguetar.
Jennifer disse que fez isso para que eu não volte a manipular
Todos e ela mesma para que a escola volte a virar um inferno se rendendo aos seus caprichos
De menina mimada e superficial que se acha uma princesa com seus submissos.

Eu disse: "Só faltava a Amélie revolucionária influenciar
até minha melhor amiga começando a se rebelar…
Amélie, parabéns! Tá conseguindo tudo o que é meu."
Jennifer sai dizendo que está cansada de aguentar eu me achando Deus.

Amélie ao lado se aproximou com raiva e querendo satisfação
Do motivo de eu ter feito isso com ela sem nenhuma noção…
Eu disse que eu gostava de David e ela se intrometeu.
Amélie diz: “Essa é sempre uma questão que o amor escolheu…

O sentimento espontâneo do amor impede de significá-lo como um jogo.”
Eu não queria aula de filosofia, então acabei cedendo levando a corte para o bobo:
Amélie, quero que você aproveite essa briga e diga que não quer mais continuar namorando
Se não o segredo de David sobre sua irmã toda a escola vai acabar fofocando.

Amélie ficou furiosa com a minha proposta
Tanto que se negou a me obedecer com uma chantagem idiota!
Então, eu fiz menção de que ia gritar para todos saberem o segredinho
Que no colégio hoje David contou a ela sozinho sem saberem que eu estava ouvindo.    

Eu insisti firmemente: Ou você de David se afasta
Dizendo que ele te traiu comigo hoje na balada
Ou a escola vai saber com uma mensagem simples, anônima e rápida
o segredo que ele tanto guarda e aí, a fofoca imediatamente se espalha.

Amélie queria saber o motivo.
Eu disse que quero que ele fique comigo.
Amélie pergunta: "Como você pode dizer o amar fofocando
Para a escola o que ele tanto vem se lamentando?"

Eu disse cheia de raiva que todos inclusive ele vão me pagar
Por tanto me rejeitar e me humilhar…
Amélie enfurecida disse que é um assunto delicado em que está traumatizado,
E eu sou uma egoísta por brincar com isso somente por ele ter te namorado.

Eu disse que não me importava
O sermão dela dizendo o que ela achava.
Eu só quero saber o que ela vai fazer...
E Amélie diz que por ele, ela é capaz até de morrer…

Parte 3

Para eu ter certeza o que realmente Amélie ia dizer,
Eu a segui discretamente seja o que for que ela resolvesse fazer.
Eu quero lutar pelo meu reino e não entregá-lo
Quando estiver sendo invadido e ameaçado.

A coroa confinada em minha mente
Diz que não devo me rebaixar simplesmente
Porque a subversiva resolveu se intrometer
Nos meus planos futuros do que eu vou ser…

Amélie iniciou uma guerra civil em meu reino
E não serei indiferente com o seu veneno
De roubar tudo o que é meu por direito
Já que eu conheci David primeiro.

Em 2005, Amélie no meu colégio entrou
E desde então, o David ela só enrolou.
Já eu conheci David tão gentil, lindo e popular um ano anterior
E desde quando eu o vi, desejei alucinada ter o seu amor.

Um pouco antes da festa terminar,
Estava atrás de uma árvore e observei David a campainha tocar
Da casa de Amélie que quando ela abriu, ele entrou rapidamente
Sem deixar que ela o impeça terminantemente.

Eu me aproximei um pouco mais da janela
Para ouvir o que eles estavam falando na casa dela.
Para mim, foi uma situação humilhante e constrangedora,
Mas precisava me assegurar do que ia fazer essa garota.

David entra na casa dela dizendo que precisa nele confiar
Já que ele realmente não imaginava que Susi ia aprontar….
Se ele tivesse imaginado, nada disso teria acontecido.
Ele realmente a ama e lamenta pelo acontecido.

Amélie responde que acha que ele lamenta
Que infelizmente ela o veja
E que não vai poder manter
A traição tão divertida sem ela saber.

David se aproxima impaciente e pergunta se Amélie realmente
Acha que depois de finalmente
Ter conseguido com ela namorar,
Ele faria isso com ela colocando em risco tudo acabar…

Amélie faz uma pausa e diz que não sabe,
Mas acha que, para um garoto mulherengo, tudo vale….
Normalmente, a namorada é a titular e outras são para se divertir.
Como ela pode saber se ele não é desses de mentir?

David coloca as mãos na cabeça enfurecido e pergunta:
Como você pode isso de mim pensar e falar tão bruta?
Eu já fiquei com muitas e posso ter machucado umas,
Mas o que sinto por você é muito forte que investi na luta.

Amélie: Luta? Então, quer dizer, sou um jogo difícil que quer vencer?
Está jogando contra quem eu posso saber?
David franzi a testa, respira fundo paciente e diz que a ama de coração
Porque sempre sentiu por Amélie uma grande emoção.

Amélie diz que Não parece amá-la a traindo.
David diz que o que não parece é o que está ouvindo.
David diz que a boca de Amélie diz uma coisa e seus olhos dizem outra.
Mas, ela disse que obviamente ele estava inventando coisa.

David diz que a conhece muito bem se aproximando,
Amélie diz para ele não começar, mas ele a puxa para mais perto e, num ímpeto, acabou a beijando.
Foi um beijo intenso para que ela perceba
O quanto a ama tanto e seu corpo por ela reverbera.

Foi um beijo em que ele a segurou firmemente
Contra a parede para que ela sinto a intensidade do que ele sente.
Foi um beijo com toques e respiradas em sincronia
Até que Amélie o afastou e o empurrou na gritaria.

Amélie grita que não quer mais com ele estar.
Amélie grita que quer esquecer que ela chegou a com ele namorar.
David ofendido diz que não entende o motivo de tanta desconfiança,
que ele a ama demais e que não tem sentido toda essa insegurança.

Amélie internamente estava transtornada por dizer tanta mentira,
mas ela diz atuando que ele devia ter pensando nisso antes de traí-la.
Amélie friamente abre a porta e grita para ele sair
Porque não quer mais vê-lo depois de tanto a afligir.

David triste pela humilhação vai embora.
Amélie bate a porta com força e copiosamente chora.
Eu pude ver que realmente foi difícil tudo isso ela dizer,
Mas agora, pelo menos, eles se separaram, e então, só me resta a agradecer.

De tanto que ela chorava, deu um milésimo de segundo de pena,
Mas agora cabe a mim tentar consolar David e fazer a cena…
Eu fui atrás do meu príncipe para recuperá-lo,
Mas ele me olhou triste e extremamente derrotado…

David perguntou: "O que mais você quer se já conseguiu o que queria?"
Eu disse que ainda não consegui que namorasse comigo como eu gostaria.
Ele disse que o sentimento não dá para forçar nem controlar
E que simplesmente não dá para obrigar ninguém a nos amar.

Eu me humilhei sem nem notar dizendo: “Eu acho que você poderia sim a esquecer
E procurar ver minhas qualidades e o quanto eu faria tudo por você."
Ele disse que não tem dúvidas, mas ele simplesmente não pode me iludir
E gostaria de não ser visto por mim como um príncipe objetificado recriminado pelo que sentir…

David diz que se eu o ver como alguém sem escolhas,
Vou acabar o reduzindo em coisa e sofrendo em bolhas.
David diz que se eu me ver como uma perfeita princesa,
Eu não entenderia como alguém poderia não se apaixonar por uma realeza.

Eu disse que para ele, é fácil falar
Já que ele não sabe o que dá o sentimento do rejeitar…
Ele disse que devia saber que eu não deveria querer
Um amor falso de alguém sem, de fato, a merecer…

Em seguida, ele foi para a sua casa do condomínio e comecei a chorar desiludida
Ao ter desejado que a paixão dele por ela seja por mim sentida,
Mas talvez tenha vontade de viver um amor
Que seja o suficiente para me respeitar e me dar valor.

David falou tudo de coração que aceitei que tudo não é diferente
E não consegui vê-lo até aquele momento realmente como gente
Que sente, toma decisões e sofre independente de que eu seja inferior
Porque eu estava cega o condenando por não sentir por mim amor…

A festa terminou e quando estava partindo, eu vi o que parecia ser uma bruxa
Nos observando conversar discretamente muda.
Como princesa deveria expulsá-la, mas resolvi conversar
Para conhecer outro mundo permitindo uma pessoa diferente eu me aproximar

Em sua vassoura, ela me levou para eu conhecer
O lugar onde mora a comunidade de bruxas que mal podia saber
Perto das montanhas afastado da cidade
Para que possam viver com liberdade.

Eu pude olhar para bruxa como um alguém…
Não mais como um inimigo ou mais além…
Eu vendo as bruxas convivendo normalmente
Pude ver o quanto eu reduzi David a ser meu príncipe obrigatoriamente.

Quando a bruxa Morgan me levou para casa
Em sua vassoura, ela se despediu dizendo que quando quisesse, podia chamá-la.
Encontrei minha mãe fazendo a unha com uma manicure
E ela se assustou com o meu cabelo babunçado como um mau costume.

A viagem da bruxa deixou meu cabelo maluco.
Mas curti com prazer a viagem em cada segundo
Deixando o vento levar minha dor
e me libertar de todos os padrões sociais que corroíam minha capacidade de amor.

Minha mãe me disse que uma moça boa
Não pode ir numa festa com o cabelo assim a toa…
Depois de tanta cobrança estética que engoli,
com a coragem e a espontaneidade de Amélie, eu a respondi:

“Espero que por trás da boa moça, você veja a menina
que pela aparência, dieta e status não é totalmente definida.
Espero que algum dia você consiga me olhar
Como sua filha real sem uma Paris Hilton esperar…”

Depois de uma longa conversa, minha mãe disse que me amava
Não pela maquiagem, aparência ou riqueza como tanto prestigiava
Até mesmo porque a felicidade vem dos momentos com nossa família
Além de nos enxergarmos com paciência, aceitação e valentia.

Valentia para olharmos que não somos perfeitas
Mesmo que passe essa impressão nas revistas à venda...
Valentia para nos olharmos com falhas e virtudes
E reconhecer nossa humanidade nas pequenas atitudes.

Quando segunda-feira chegou, resolvi mudar:
Pedi perdão a Jennifer e disse que como elas são iria aceitar,
Disse a Luke que com a chantagem eu ia parar,
Mas ele não se conformou mesmo eu tentando conversar.

Eu consegui aprender que a gente não é escrava
Para viver e pensar do jeito que nossa mãe fala.
Nossos pais são humanos e como nós são sujeitos a errar
E nós devemos ter a paciência de pedir perdão e perdoar.

No mesmo lugar que eu vi Amélie e David se beijando,
Eu vi agora, por minha culpa, os dois brigando.
David disse que se entristecia pela desconfiança
E por rotulá-lo como o mulherengo sem esperança.

Amélie diz que as coisas são assim…
Até que eu resolvi falar tudo por fim…
David ia embora, mas eu o chamei
E falei que com eles eu muito errei.

Disse: Amélie, não precisa mais fingir.
Dá para ver que é muito real o seu sentir.
Seu amor por David é tão forte
E não vou mais me meter desejando aos dois sorte.

Falei a David confuso sobre a chantagem.
E embora ele tenha dito que foi baixo e uma completa viagem,
Ele agradeceu e me perdoou por tudo,
E eu pude continuar minha vida não mais dominada pelo orgulho.

Mais aliviada para a sala eu fui indo
E vi ainda David aliviado sorrindo
E beijando Amélie por ela ter se sacrificado
Em nome do amor que agora estava dobrado.

Episódio 7 - O Coringa em Mim por Luke Coleman

Parte 1

Descemos para mais um jogo.
Eu estava a minha chuteira pondo
Quando vi Amélie chegando
E toda atirada David beijando.

Eles precisam realmente
Fazer isso na nossa frente?!
Ela precisa se dar ao respeito.
Ainda mais está com um top no peito…

Ela ri, abraça, aconselha,…
Ela conversa, abraça e beija
David enquanto eu não consigo deixar de sentir
Que gostaria de ser seu namorado para que a mim assim pudesse sorrir...

Amélie me seduz com seu corpo...
Meu olhar acompanha suas curvas como louco.
Amélie é tão linda que me fascina tanto que agora
Bem que eu poderia matar David com uma pistola.

David também ri como ninguém
Querendo mostrar para todos como está bem
Por estar namorarando com a mais bonita,
Mas eu (sem que ninguém suspeite) vou me tornando um coringa.

Risos estridentes singulares.
Maquiagens de palhaço particulares.
O que me diferencia do Coringa é que minha mãe faleceu depois de ficar grávida
E meu pai me abandonou para que eu morasse com a cunhada.

O meu primo Richard é como se fosse um irmão de coração.
Mas como é a casa da tia, sempre sentia uma diferenciação
Pela minha tia Beth dar mais preferência ao seu filho
E a mim, ela não é nada afetuosa como se fosse um mendigo.

Talvez Beth tenha cuidado de mim
Por piedade ou caridade enfim.
Procuro amor agora em meninas intensamente
Mas se todas me rejeitam, aumenta meu vazio profundamente…

Comecei irritado e enciumado o jogo.
Obviamente, segurando aquele soco.
Dei tudo de mim já que ele estava com ela,
Eu não iria abrir mão de vencer essa merda…

Como Jack é um péssimo goleiro!!
Não acredito! David fez um gol primeiro!!!
Quando me passaram a bola,
Eu acabei jogando para fora! Que bosta!!!

Vou tentar mais uma vez!
Mas Charlie tirou a bola sem que pudesse perceber…
E fez outro gol acabando com as minhas esperanças
De que pelo menos o jogo eu pudesse ter confiança.

David abraça Amélie contente já eu, como sou um fracassado
Ela não faz nada porque faço simplesmente tudo errado…
Não deveria ter jogado a bola para fora…
Quer saber? Se eu quero beijá-la, por quê não, agora?

Me despedi de todos fingindo que ia embora
E me escondi atrás de um carro por uma meia hora.
Ficaram só Amélie e David abraçados
Olhando a lua e conversando grudados.

Aí, como isso estava me cansando…
Estava quase desistindo do meu plano
Até que David disse que ia para a sua casa nº1 subir
Já que em plena terça-feira depois do trabalho ele só queria dormir.

Amélie disse tudo bem porque também iria dormir,
Mas a Jane me pediu para esperar um pouco antes de subir.
David e Amélie se despediram com um longo beijo
E aí, ele finalmente saiu para que eu pudesse ter meu momento.

Eu disse: Hum finalmente... não via a hora.
Amélie se assustou ao me ver saindo detrás do carro dessa forma.
Amélie confusa perguntou o que estava fazendo.
E eu disse que queria contar um segredo:

“Escuta, Mélie, eu gosto… de você.”
Amélie surpresa só disse: “O quê?”
Eu a agarrei: “Sei que se você me der um beijo,
Você vai descobriria o seu sentimento.”

Ela tenta me empurrar e se afastar
Dizendo alto: “Me solta, maluco! Eu não quero te beijar!”
Eu: “ei, quieta, olha, assim você me deixa ofendido.”
E aí, eu a beijei à força desejando a ela a mesma dor que eu sinto…

Enquanto eu beijava sua boca, eu apertei seu peito.
Ela chorava com minha mão na sua boca em pleno desespero…
Se eu a desejo, ela deve servir a mim
Assim como toda a mulher que pode vir a gostar sentindo assim…

Ela dizia para soltá-la toda a hora.
E eu disse que só estava começando agora.
Ela bateu com o pé no carro fazendo o alarme dele disparar
E eu senti muita raiva por ela não fazer o que eu mandar.   

Eu a segurei com força e rapidamente a levei
Para um lugar reservado aonde eu continuei
Fazendo o que sempre desejei
Tocando em todo o seu corpo como sonhei.

Até que David e Jane chegaram
E a Amélie transtornada levaram.
David veio para cima dizendo "filha da puta" extremamente irritado como nunca o vi
Me dando dois socos na cara berrando que, para ele, eu morri…

David abraçou Amélie e a levou
Dizendo que ele ia me denunciar.
Já Jane enfurecida comigo ficou
Dizendo que eu deveria as mulheres respeitar…

Eu ri dizendo que eu não me importava
Com ninguém porque só fazia o que desejava.
Amélie estava pedindo com aquele top
E aquele vermelho e curto short.

Jane enfurecida disse que a mulher é livre
Para vestir o que quiser sem que um patife
Ache que ela está pedindo amor
Num dia que fez muito calor…

Jane enfurecida disse que eu preciso respeitar
Quando uma mulher não quer te beijar.
Não deveria negar a liberdade
Nem romper com a sua dignidade.

Eu disse para ela parar com papo feminista.
Mas ela disse séria que como eu sou muito machista,
Deveria não menosprezar, mas aprender com feminismo que propõe a igualdade
De direitos e respeito de ambos os sexos quanto à individualidade.

Ela continua: “Seja humilde! Se a garota que gosta não te quer,
reconheça que não tem problema se alguma não te quiser…
Quando a gente ama, a gente quer ver bem a mulher
Reconhecendo a liberdade dela e respeitando o que ela disser.”

Eu falei que acho que, de tanta raiva, ela devia estar é com inveja.
Então, eu dei um selinho que eu até gostei nela.
Jane me afastou, ficou com tanta raiva
Que acabou me dando um tapa.

Jane o que tem de gata,
Ela tem de chata.
Como ela ousa me bater…
Ela só disse saindo: “Eu odeio caras como você!”

Eu não dei por menos e disse: “E eu odeio garotas q…”
E ela: “que mostram suas opiniões escrotas?”…
Ela continua: “Isso eu já sei porque o seu orgulho impede de ver
que há outras pessoas vivas além de você”.

Ela me deixou um tanto desconcertado…
Como assim ignoro as pessoas do meu lado?
Só vi Jane cuspindo no vaso de flor.
Outra garota cuspindo o meu amor…

Parte 2

Eu voltei para minha casa nº3
E lá, eu pude, como sempre, atrás da porta ouvindo perceber
Meu tio traindo minha tia internada com uma amante na sua cama
Dizendo a ela rouco que ele adora como ela o chama…

A amante sussurra em seu ouvido: Tigrão…
Me leva ao céu, paixão …
Enquanto na mesa da sala, eu vi o seu celular
No silencioso com minha tia ligando sem parar…

O celular vibrava…
Meu tio ignorava..
A sua amante continua a incentivar:
Vem, Tigrão… Eu quero todinho te chupar…

Há anos, minha tia Beth está muito doente
Tendo que fazer cirurgia algumas vezes.
Quando eu via a amante,
eu achava normal por minha tia estar distante.

Mas agora vendo a minha tia ligando desesperada,
Eu imaginava como ela estava e não pude ficar sem fazer nada…
Eu atendi o celular e coloquei no viva voz mostrando a verdade
Porque estava cansado de manter ao meu tio a minha cumplicidade.

Eu não ia deixar mais que ele fizesse
Seja qual for a mulher ou a desculpa que tivesse.
Não é porque está doente ou por ser mulher que minha tia merecia.
Quase chorei por ouvir o choro da minha tia desiludida.

Minha tia me agradeceu ainda sensibilizada
E disse que ela precisava saber a verdade
Já que ela estava desconfiada,
Há meses, dessa possibilidade.

Ela disse que por culpa da doença,
Ela foi, pelo meu tio, presa à sentença
De não poder ser digna de respeito,
Mas ela vai acabar logo com esse sofrimento.

Sabendo que eles vão se separar,
Não pude deixar de me culpar,
Mas também de considerar a sua necessidade
Sem reduzir a sua ameaçada humanidade…

Enquanto eu ouvia gemendo os dois atrás da porta,
Eu ficava pensando: eu não quero mais ser dessa forma,
Desrespeitando todos e todas que estiverem ao meu lado
Ignorando ter um filho e uma mulher com ela casado.

Eu preciso dar o meu melhor sempre
Rompendo com o modelo de homem na minha frente.
Meu tio poderia ter pedido faz tempo a separação
Sendo sincero com minha tia sem deixá-la desinformada na internação.

Meu tio podia ter sido honesto e acabar
Com o casamento que não tem como adiarl
Já que não há respeito entre os sujeitos
Nem amor e compaixão dos mesmos.

No dia seguinte, na quadra, eu falei com Amélie, Jane e David defensivos
E pedi perdão de coração pelo meu ato arrependido.
Eu falei humildemente que pelo ciúme eu tinha perdido o juízo
E esperava não ter causado a Mélie um trauma a longo prazo significativo.

Eu expliquei como realmente estava
Envergonhado e como eu lamentava...
Eu errei mal tratando Amélie que mal nenhum me fez intencionalmente
Já que não me querer não é nenhum pecado como eu pensava anteriormente.

´E direito seu que não me queira
e até me denunciar porque errei, mesmo que me arrependa.
Eu estou disposto a responder pelo meu erro
Seja o que for que escolham fazer comigo sem tiroteio.

A pistola do meu coração
Acabou quando questionei a razão
Do que acabo de fazer
E não encontrei um motivo que possa me satisfazer.

A pistola da minha mente
Foi guardada envergonhadamente
Porque não queria ter feito
Algo que infelizmente não pode ser desfeito.

Os dois olharam para mim
E Amélie disse me perdoa, sim,
Somente com a condição de que eu respeite
Que ela escolheu para namorar o David.

Amélie disse que eu posso ver isso como uma humilhação
Ou já que ela é uma mulher humana com escolha própria como uma constatação
De que os homens nem as mulheres devem ser agressivos
Ignorando a individualidade e liberdade alheia ao serem possessivos.

Eu concordei. Já o David me olhou apreensivo
E disse que para ele é realmente muito difícil
Porque eu toquei e machuquei a sua namorada
E ele só espera que não seja uma mentira disfarçada.

Jane também diz que talvez eu queira evitar
A denúncia que David chegou a ameaçar.
Eu precisei confessar honestamente a verdade do que aconteceu
Com meu tio e o quanto me fez pensar em quem sou “eu”.

Eles ficaram surpresos por eu me abrir
E eles perceberam que o que mais me movia para estar ali era procurar não mais seguir
O que meu tio dizia e fazia que simplesmente não agregava
Até mesmo porque toda a pessoa pode estar enganada.

Ninguém é perfeito.
No devido tempo,
talvez ele possa melhorar
mas o que posso fazer agora é de mim cuidar...

Preciso desconstruir
o tipo de homem esperado para sair
o patriarcado em mim
e a insensibilidade naturalizante por fim...

Todos eles entenderam
E, depois de pensarem, resolveram
Confiar na minha mudança
E não, perder a esperança.

O Coringa em mim
Saiu quando por fim,
Resolvi aceitar as possibilidades
E menos me frustrar com as impossibilidades...


Biografia:
Oi, gente! Meu nome é beatriz nahas.Tenho 20 anos. Sou de São Paulo capital. Estou fazendo faculdade de psicologia. Cada poema é muito especial e único, pois expresso alguma inquietação social ou pessoal. Faço encomendas de poesias. ´E só me pedir por email que será um prazer fazê-la. Email para contato: nahasbeatriz@gmail.com Meu blog pessoal de poesias: www.rumoaminhamente.blogspot.com.br Twitter: @Bia__Nahas
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